22/08/16

CONSCIÊNCIA, O VERDADEIRO DIFERENCIAL

De acordo com a física quântica, a consciência é parte essencial da ciência. “Eu considero a consciência como parte fundamental. Eu considero a matéria como um produto derivado de consciência. Não podemos ficar atrás da consciência. Tudo o que falamos, tudo o que nós consideramos como existente, postula a consciência.” Escreveu Max Planck, físico teórico que originou a física quântica que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Física em 1918.

O que é a consciência?

O termo vem do latim conscientia, derivado de conscire, ou seja "estar ciente, conhecer, estar consciente" (composto por cum e scire, "saber, conhecer com") e indica a tomada e a experiência de consciência que a pessoa tem de si e dos próprios conteúdos mentais. O conceito de consciência não corresponde ao primeiro estágio de apreensão imediata de uma realidade objetiva, mas é sinônimo da totalidade das experiências vividas, num dado momento ou por um certo período de tempo. O termo assim se refere àquele momento de presença à mente da realidade objetiva sobre a qual intervém a  tomada de consciência que lha dá sentido e significado, de modo a alcançar aquele estado de "unidade conhecida" do que está no intelecto.

Vamos traduzir o parágrafo acima na linguagem e na experiência cotidiana. Consciência não é estar ciente de que você está com um computador na frente ou uma folha de jornal lendo este artigo. Consciência também não é estar ciente do ambiente no qual se encontra agora, mesmo sem focar a atenção nele. Se queremos chamar iss de consciência, devemos admitir que é uma forma muito primitiva de consciência. Qualquer cachorro tem uma apreensão da realidade material muito superior à nossa, pois nós estamos frequentemente perdidos em nossos pensamentos e não nos damos conta de um ou muitos detalhes do ambiente à nossa volta.

Consciência é “um lugar de reflexão e interioridade”, conforme o filósofo neoplatônico Plotino (III século). Nesse lugar interior, o ato de conscientização e presença à mente, ou seja àquilo que “temos na cabeça” (pensamentos, sentimentos, percepções), forma uma unidade de sentido. A consciência está ligada a unidade, sentido e significado. Por isso, não basta ter consciência da realidade material para ser pessoas conscientes, é preciso o trabalho de reflexão interior sobre esta realidade para que ela assuma um significado, um sentido e uma unidade. Sem isso, a realidade, ou seja a nossa vida, parece um amontoado de experiências sem sentido, uma sequência de pensamentos que nos atordoam, sentimentos que nos avassalam, emoções que nos perturbam, e vamos seguindo no automático sem conseguir dar razão disso tudo. E assim, sem conseguir encontrar paz.

Consciência é essencial para vivermos como humanos e sobretudo para melhorarmos nossa vida, para nos erguermos acima do que nos acontece, transformando nossa bagagem em aprendizado, ou seja numa escada que nos leva para o alto. Experiências não processadas, não elaboradas, pesam. Nos fazem literalmente nos sentir pesados, aí vem o desânimo e com o tempo a depressão.

«Não saia de si mesmo, volte em ti: no íntimo do Homem reside a verdade.» Estas são palavras de Santo Agostino (IV século), um dos maiores Pais da Igreja. Voltar para si significa: pare e pense, reflita. Pensar como reflexão, como uma flexão do olhar para dentro, que é diferente da repetição mental de pensamentos sobre os quais não temos controle e que nos controlam. Pensar é refletir, observar, analisar no íntimo do nosso lugar interior, lá onde podemos fazer uma síntese, compreender, religar, unir, dar sentido, respirar, saber quem somos, o que aconteceu, o que queremos – e portanto para onde estamos indo.

Consciência: a alavanca e o termômetro da evolução humana.

Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com

15/08/16

COMO AGIR COM UMA CRIANÇA PEQUENA

A criança pequena não conhece o conceito de “obedecer”. Ela está intensamente conectada aos seus impulsos interiores que estão se revelando a ela e que a levam ao movimento e às inúmeras descobertas que definem os primeiros anos de vida. Quantas coisas seu corpo é capaz de fazer e sentir? Quantos sabores, sensações, movimentos? Como cada uma dessas descobertas a faz sentir? Como o mundo se descortina para ela?

Ligada nesse mundo mágico sensorial e emocional, a criança pequena não é um ser racional como nós adultos. Portanto, no lugar de “sermos obedecidos”, vamos pensar em termos de sermos seguidos, como uma ovelhinha segue seu bom pastor. E para isso, precisamos sair do nosso modo racional de operar e nos conectarmos a ela pela linguagem que ela entende e que é emocional, energética, sensorial e sentimental.

As crianças não entendem o porquê do permitido e do proibido. Falta-lhes tanto a experiência como o conhecimento do convívio social e das responsabilidades que somente a idade adulta plenamente dispensa. É através dos pais que a criança vai se ajustar à realidade e se inserir nela de forma (esperamos!) criativa e construtiva.

Como obter este resultado? Estabelecendo uma relação com a criança. Relação é uma coisa muito mais sutil do que parece; não basta conversar e cuidar de suas necessidades físicas, precisa ter vínculo. O vínculo é uma conexão invisível que se estabelece a partir de um centro interior para outro centro interior. Nasce de uma intenção atenta e aberta para se ligar a outra pessoa acolhendo-a e se abrindo a ela. Relação é um vincular-se consciente e amorosamente a outro ser. Uma relação se sente na pele por assim dizer, não precisa de palavras e é palpável entre duas pessoas vinculadas.

Uma vez que esta relação existe, então o conceito de imitação faz todo o sentido. Quando uma criança pequena está tomada pela euforia de uma brincadeira, pela bagunça de grupo num momento de festa e situações do gênero em que está menos “sob controle”, ela só irá se sintonizar com o que o adulto fala se este adulto for muito significativo para ela. O adulto de referência (mãe ou pai, ou ambos) tem que ter um alto valor emocional para a criança para que seja para ela como um farol nos tumultos dos sentidos e das emoções. Somente assim o que o adulto falar e fizer poderão ser ouvidos e imitados.

Uma vez que existir a relação vinculada e vinculante, a fala do adulto deve vir de seu centro sensato e sábio, sendo calma, firme e decida. Pode-se até gritar de vez em quando – pode acontecer, mas a gritaria histérica tira credibilidade do adulto e enfraquece a relação com a criança. A irritação precisa ser contida e transformada em ação efetiva. O adulto é o líder, não o general.

Como líder ele precisa mostrar como se faz... e então ele faz. É pelo movimento de seu corpo, pela energia que transmite, pelas emoções que passa que o adulto vai se tornar o líder seguido pela criança. Falando sua linguagem, ele ganha seu respeito. Ele interfere com a realidade de forma física e energética (não enérgica) – assim como é física e energética a criança. Significa que às vezes é preciso tirar um brinquedo (o um celular!) da mão e pronto, calma e firmemente, sorrindo. Significa criar mudanças no campo material e das emoções introduzindo ordem (catando os brinquedos, por exemplo) e calma (mostrando-se calmo e contido, mas sério e decidido).

Crianças precisam de líderes. E, como diz a sabedoria chinesa (I Ching), um líder precisa antes saber seguir para depois ser seguido.


Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com