29/06/15

COMO AJUDAR SEU FILHO A LIDAR COM O ESTRESSE


Adriana Tanese Nogueira


O estresse está à nosssa volta, afetando diariamente adultos e crianças, ninguém vive num lugar seguro. Tendo consciência dele podemos encontrar formas de reagir postivamente para reequilibrar-nos, do contrário somente o sofremos. Mas tomar consciência do estresse nem sempre é óbvio, pois pode ser um gotejar de tensão que vai se accumulando lentamente dia após dia. Por causa da idade, as crianças tendem a demorar mais para mostrar sinais de estresse, podendo não conseguir expressar o que as incomoda. Quando uma pessoa está vivenciando o estresse se torna mais nervosa e vulnerável. Esse malestar generalizado se torna uma bola de neve que produz diferentes e desagradáveis “efeitos colaterais” no corpo e no comportamento.

Como podemos ajudar nosso filho a lidar com o estresse?

Em primeiro lugar, é importante conferir como você lida com o estresse: seu filho não terá condições de enfrentá-lo se ele não se sentir confiante que você tem respostas construtivas diante dos problemas.

Em segundo lugar, para que seu filho possa se abrir com você: tenha paciência. Crianças têm dificuldade em expressar o que sentem e contar sem o medo de ser julgado. Portanto, sabendo disso, faça o seu melhor para limpar o terreno para que possa haver uma conversa honesta entre vocês. Coloque de lado sua pré-compreensão das coisas, incluindo o que você já sabe sobre seu filho. Tenha cuidado para não estereotipá-lo com o conhecimento prévio que você tem dele, mas seja aberto a aprender mais coisas sobre a pessoa que é seu filho, seus sentimentos e pensamentos. Uma criança é um ser em evolução, o que significa que ela está continuamente mudando e descobrindo a si mesma. Assim, mantenha a mente aberta.

Se seu filho for um bebê, amamentar, cantar, caminhar suavemente numa atmosfera serena vai ser de grande alivio. Naturalmente, você precisa sentir-se bem consigo mesmo/a. Se estiver tenso/a, o bebê irá percebê-lo e não se acalmar.

Se seu filho for uma criança de dois ou três anos, dar carinho, abraçar e conversar com ele num tom de voz acolhedor (mas não melado) irá ajudar a quebrar o gelo e a se aproximar dele. Quando ele estiver mais tranquilo, tente colocar-lhe algumas simples perguntas para ajudar você a entender o que aconteceu com ele ou como ele percebe determinada situação. Também, pode dar-lhe papel e lápis coloridos e convida-lo para desenhar. Deixe-o à vontade e observe sem interferir. Movimentar-se, também, é uma boa opção, mudar de lugar, de vista e de perspectiva ajuda e mente a fazer o mesmo.

Se seu filho for aluno do ensino primário, aplica-se o mesmo que acima, mas reforçando a sessão das perguntas. Não se trata de um interrogatório, mas de interesse genuino que dá as boas vindas ao que seu filho tem a dizer. Preste atenção para dar-lhe espaço para que ele tenha reações diferentes das suas. Não faça sermões, não venha com seu discurso sobre valores e moral. Dê-lhe permissão para ser verdadeiro.

Crianças, como adultos, precisam de tempo para pôr ordem em si mesmos. Para isso, eles podem querer assistir televisão, ficar em seu quarto e fazer qualquer outra coisa que pareça “perder tempo”. Este é seu momento da “caverna”. Conceda a seu filho esse tempo, mas não perca o foco. Mais cedo ou mais tarde ele terá encarar a situação.


Outra tendência que as crianças (como também os adultos) têm é a de descontar sobre pais e irmãos seu estresse. Neste caso, elas brigam com você por qualquer coisinha que nada tem a ver com o problema verdadeiro. Não deixe seu filho fazer isso com você, mas não em nome do “bom comportamento”, conceito vago e impersonal, mas em seu nome. Você não quer ser maltratado, já tem seu fardo para carregar. Você precisa ser paciente e cuidadoso porque você ama seu filho, mas definitivamente não queira ser um santo, porque esse não é o exemplo que vale a pena passar a seu filho. O que você quer é mostrar-lhe como é possível ser um ser humano decente num mundo estressado, alguém capaz de levar adiante amor e pensamento claro quando as coisas ficam difíceis.


Adriana Tanese Nogueira, psicanalista, filósofa, terapeuta transpessoal, educadora, educadora perinatal, autora. adrianatnogueira@uol.com.br www.adrianatanesenogueira.org

22/06/15

FELIZ POR ESTAR SÓ


Na estrada, olho do lado e vejo uma mulher bonita, cabelo arrumado. Enquanto o carro elegante e mais poderoso do que o meu me ultrapassa, noto que a mulher está olhando longe na direção do céu pelo vidro aberto, com olhar triste e um pouco carrancudo. Deve ter uns 35-40 anos. Ao lado, um homem de bela aparência dirige em silêncio. Eles se vão e eu sinto arrepios de alegria por estar só.

Ouço o rádio, encontro uma estação com uma maravilhosa música do meu agrado. Sinto-me leve. Leve e livre, e tão feliz por estar assim.

Todas e todos desejamos ter uma companhia, um amor. Quem mais, quem menos, busca um românce em sua vida. Sentir-se amada, desejada e querida: que coisa mais gostosa. Mas olho à minha volta e vejo tantos casais sofrendo. Mulheres presas e infelizes, sentindo-se malíssimo e sem coragem para tomar uma atitude. Homens acomodados e mulheres inseguras. Mulheres acomodadas e homens inseguros. Vejo casais almoçando juntos no restaurante, sem de verdade olhar um para o outro. Vejo nas ruas mulheres de mão dada com seus homens sendo “levadas”. Que bom que não sou uma delas.

Vejo mulheres ansiosas por pertencer a alguém. E eu sinto-me feliz por pertencer a mim mesma. Não preciso pedir licença para fazer o que eu quiser, não sou cobrada por não ter preparado o jantar para meu marido, ou por ter vontade de ficar quieta, ler um livro, sair, andar na praia. É pura alegria não ter donos. Nem em nome do “amor”.
Infelizmente, as mulheres têm um lugar desavantajado na sociedade: uma vez que têm filhos são presas fáceis. Não têm suficiente poder social e apoio, muitas vezes nem da própria família. Mulheres são mais pobres do que os homens e, quando mães, são paupérrimas. Ainda por cima têm baixa autoestima e acham que precisam da benção masculina para serem alguém, ou se jogam na missão de “salvar” seu homem para ser alguém.

Ter um amor é marvilhoso mas é preciso repensarmos o significado dessa palavra. Enquanto isso, saber encontrar a felicidade em si própria, por si própria e a partir de si própria é não só o único caminho como a ponte para aquele amor que não está fundamentado em poder e dependência, cobrança e amarras, medos e inseguranças. Ao invés de tentar espremer do outro o que queremos, podemos abrir a fonte interna e refrescarmo-nos à luz do nosso sol e em liberdade. É uma experiência deliciosa.


Adriana Tanese Nogueira, terapeuta transpessoal e life coach. www.adrianatanesenogueira.org Boca Raton, FL -USA 1-561-3055321