26/02/2017

O KARMA FAMILIAR E NOSSO PAPEL

Na terapia de regressão elaborada por Roger Woolger (Deep Memory Process), após a morte a alma gravitará para o sistema energético que corresponde àquele no qual morreu. Vamos explicar: ao término de uma vida, os últimos momentos representam como que uma condensação de toda a vida, uma síntese energética do aprendizado e das questões não resolvidas. Com síntese energética quero dizer concretamente: emoções, pensamentos, sentimentos, sensações físicas (por exemplo, todos os tipos de desconforto físico que podem surgir no final da vida). Esses aspectos formam um “sistema energético”: vibrações, energia de uma certa qualidade.

Essa qualidade energética irá gravitar para o que lhe é parecido. Pessoas preocupadas com dinheiro e sobrevivência, comida, culpa, raiva, irão gravitar para um ambiente familiar que carregue padrões semelhantes. Isso tudo pode gerar aquela sensação que muitos têm na adolescência de se sentirem “sufocados” pela família, presos à ela, amarrados e impossibilitados a se expressar, ser e fazer seu caminho.

Como os mais velhos sabem, fugir da família aos 18 anos não resolve o problema, o reencontramos mais tarde na vida. Aquela família nos pertence e nós pertencemos a ela: todos partilhamos um padrão (entre vários e em meio às diferenças pessoais) que precisamos quebrar. Os padrões kármicos são mais de um, cada filho carrega um ou um aspecto de um, como se pode observar ao analisar a personalidade de cada filho e a realidade psico-emocional-espiritual dos pais no momento de sua concepção.

A tendência natural do ser é o desenvolvimento livre e pleno. Para conseguir isso, é preciso romper com o karma familiar que herdamos. E, repito, o herdamos porque tem a ver com nossa história de alma e não simplesmente porque nascemos daqueles pais. Temos que compreender esse processo como um grande aprendizado coletivo no qual ser pais ou filhos é simplesmente circunstancial. Cada um tem sua história de alma, com feridas e necessidades. Às vezes para realizar um talento é preciso antes quebrar um padrão repetitivo e é por isso que nascemos numa determinada família: para viver e enxergar de perto esse padrão a fim de rompê-lo e assim realizar o que temos a dar e a ser nesse mundo.

Como se quebra o padrão repetitivo? Pelo auto-conhecimento.

Precisamos nos entender no lugar de ficar batendo a cabeça contra as paredes até encontrar uma que quebre (antes de quebrarmos a cabeça!) e nos deixe passar. Não se aprende a usar um computador apertando todas as teclas até acontecer o que desejamos: temos que compreender seu funcionamento. 

Algumas perguntas de orientação: Qual é sua característica na família em que nasceu? O que dizem de você? Como é visto? Como se vê? Indague seu nascimento, quem eram seus pais naquela época? O que acontecia? Observe como sua família o faz sentir, como está sua autoestima? O que mais o prende? Do que tentou se libertar até hoje?

Em seguida, foque no que quer para si, onde quer chegar que não consegue ou está difícil? Como queria ser visto e reconhecido? Suas dores mais íntimas dizem respeito ao quê?

Enfim: Qual é seu mais íntimo desafio? O que está sendo chamado a superar?
Esta reflexão é muito importante para os pais, começando pelas mães que são geralmente as mais sensíveis e as que mais ficam com os filhos: é super essencial entender que o que nós não resolvemos o passamos adianteaos nossos amados filhos. Não tem escapatóia. 

Um karma é como uma repetição cega da mesma coisa, não tem consciência e intenção. É bestial, estúpida e poderosa. O único jeito de romper o círculo vicioso é pelo seu trabalho interior de libertação e transformação.

Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

20/02/2017

A TRANSIÇÃO DOS BEBÊS NAS CRECHES

É normal um bebê de 12 meses chorar o dia inteiro no processo de adaptação na escola? Seria normal você chorar o dia inteiro? Não, claro. O mesmo vale para os bebês, eles não são uma espécie diferente. São humanos como nós, só que “em miniatura”.

O que não está, porém “em miniatura” neles é o grau de sensibilidade. Neles, a sensibilidade está à flor da pele, sem mediações, sem proteção. O bebê reage ao que sente, e sente visceralmente. Ele ainda não tem racionalidade, não pensa como o adulto, mas sente e reage. E se ele berra é porque alguma coisa de sério está acontecendo.

Para o adulto pode não parecer nada de sério, mas para o bebê é. Se jogarmos uma pessoa que não sabe nadar numa piscina, ela vai ficar apavorada. Se Michael Phelps passar e rir dela porque para ele a água não representa perigo algum, o que vamos achar do caráter dele?

Portanto, cada problema, para ser comprendido, deve ser encarado do ponto de vista de quem o tem. Por isso, o que para o adulto é uma brincadeira, para o bebê pode ser um problema sério. Ambos têm razão, mas o adulto não tem razão em desvalorizar a reação do bebê só porque ele não a entende. Para o bebê faz. Se eu não entendo a física quântica não é porque ela não vale nada, mas porque eu tenho um limite, certo? Então, para começarmos a construir um mundo mais solidário e justo, precisamos reconhecer que há vários pontos de vista, um deles é o do bebê.

E para o bebê, sua mãe é o mundo. É Deusa, é casa, é comida, é proteção, é segurança, é Tudo. Para ele não existe vizinho, colega, amigo, política, religião, planeta, férias, carro, livro, escola, diversão. Existe a Mãe e tudo o que ela carrega consigo. O mundo (emocional) da mãe é seu mundo.

Se na casa do bebê houver um pai, ele também fará parte do mundo do bebê, mas a mãe por um bom tempo continuará sendo A Deusa Toda Poderosa do bebê. Na medida em que o pai for presente e ativo, o ajudará a ampliar seu mundo, e assim a ganhar mais autonomia.

A mãe do bebê é o manda-chuva, dela depende a maior parte das emoções do bebê, a outra depende de suas necessidades fisiológicas. Bebês são pessoas que sentem, rastreiam, percebem tudo o que está em volta deles e sobretudo dentro das pessoas que deles cuidam.

Portanto, a Deusa Toda Poderosa, sua mãe, pode estar se sentindo sozinha, abandonada, cansada, assustada, preocupada... e cuidar bem de seu bebê – do ponto de vista físico. Mas seu bebê poderá ter cólicas, ser chorão, não conseguir ficar longe dela e se desesperar e ela se perguntará por que...

Uma adaptação para a escola que faça sentido precisa ser feita levando em consideração: a relação que a mãe tem com seu bebê; a realidade da mãe (solteira, casada, feliz, profissional, realizada, depressiva, sozinha, ansiosa...); e a personalidade do bebê.

Com base nisso, criar um plano de adaptação: meia hora, uma hora, duas horas, três horas... Para cada bebê pode ser um pouco diferente, mas todos precisarão de uma adaptação gradual. G R A D U A L.

Nisso, é preciso atentar para como a mãe se sente nesse processo, no sentido do que realmente vive dentro, por trás da racionalidade. Ela pode se ajudar e ajudar seu bebê trabalhando seus sentimentos reais, encarando-os e processando-os. O bebê é como se fosse um pequeno pedaço dela. Se eles estão passando mal, precisamos olhar para ela para encontrar a solução.  


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

13/02/2017

A CRIANÇA DIFÍCIL

Consideramos uma criança difícil quando não responde aos nossos pedidos ou conversas. Ela reage de formas agressivas, se opondo ao que queremos, perturbando o ambiente, falando alto demais ou mostrando excessiva agitação. Diante desta criança, o adulto, pai e professora, geralmente não sabe o que fazer. Há uma dificuldade de até mesmo “acessar” a criança, ser por ela ouvidos. Castigos podem ser completamento inúteis e só aumentar na verdade o comportamento negativo.

Uma criança difícil é uma pessoa presa em sua própria teia emocional interna que a sufoca em dor, frustração e medos que ela não sabe expressar. Faltam-lhe palavras, mas antes mesmo dessas, faltam-me meios para compreender o que está acontecendo com ela.

Algo a está impedindo de viver sua vida plena, de crescer, explorar o mundo, conhecer a si própria, seus talentos, tendências, preferências, e aos outros à sua volta. Algo está bloqueando seu desenvolvimento e ela está desesperada. Sente-se amarrada.

Pré-condições para lidar com uma criança difícil:

1. Como diante de qualquer tarefa empenhativa, o primeiro passo é aceitar que com este filho, este aluno, será necessário ter mais paciência e se esforçar para decodificar sua personalidade.

2. Não cair na própria armadilha dos sentimentos de culpa. Não olhar para a situação em termos de culpa: de quem é a culpa? Minha ou da criança? Ou dois dois? Deixemos a culpa de lado, pois esta não ajuda a resolver problema nenhum.

3. Tenhamos coragem porém para questionar-nos a fim de encontrar a melhor postura e atitude para lidar com a criança, porque se ela não nos escuta, evidentemente o que temos feito e falada não funciona.

4. A criança difícil em nossa vida nos coloca um desafio: se ela está lá é porque tem a ver conosco, com nossa história e necessidade de crescimento. Abracemos o desafio, estejamos dispostos a mudar algo em nós. Vamos?

Passos para lidar com uma criança difícil:

1. Desista por um momento de qualquer exigência. É preciso começar de novo. Pause as cobranças por um instante.

2. Observe a criança: quando está mais irritada? Quando está mais tranquila? Observe como ela fica, quais reações principais tem nesses momentos.

3. Preste atenção no que aconteceu antes desses momentos (positivos e negativos). Busque o gatilho que os desparou. Pode ser uma situação no ambiente, mesmo indireta. Por ambiente se entende tanto o físico como o humano. Portanto é preciso atentar também para como estão as pessoas em volta da criança, em particular você. Se você for a mãe ou o pai, sua influência é poderosíssima. Mesmo o que não falar ou agir pode se refletir na criança.

4. Se nada disso for o caso, quais são os meios que a criança precisa para ser acalmada? Tente perguntar a ela do que ela precisa. Qualquer que seja a resposta. O que ela quer naquele momento? O objetivo aqui é dublo: por um lado, oferecer uma válvula de escape, por outro, dar à criança a oportunidade de expressar (e se conscientizar de) sua necessidade.

5. Outra pergunta importante é: O que eu posso fazer por você? O que você quer que eu faça? Mais uma oportunidade para a criança se expressar e estabelecer uma relação. A partir de sua resposta é possível começar um dialogo. Não necessariamente o adulto tem que fazer o que a criança quer, mas pelo menos temos aqui um ponto de partida.

Enquanto todos esses passos são dados, o adulto deve constantemente prestar atenção no que sente e em como se sente. Fingir estar bem, não funciona. Fazer o que não se quer, também. As crianças sentem nossa verdade interior e respondem a ela.

Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.


06/02/2017

AS PESSOAS SOFREM POR FALTA DE AMOR

Quantas curtidas teve seu post? Quantos likes tem sua página? Quantos amigos tem? Tem namorado/a?

Qual é a medida do ser amado?

Vivemos numa época estranha: mais no que nunca o que conta é ser visto, notado e reconhecido. Facilmente se confunde a quantidade de amigos e curtidas com o amor do qual se sente vertiginosamente falta.

Este amor é, porém, desta forma inalcançável.

Quanto mais olharmos para fora de nós em busca de confirmação mais denunciamos a nós mesmos e ao mundo que não gostamos de nós, que precisamos da aprovação do outro para nos aprovar, para acharmos que somos pessoas legais.

Essa busca pela validação externa nos coloca numa posição desconfortável nos levando até o limite da prostituição da alma: você topa tudo, segue a onda.

Mais você fizer isso, menos individualidade terá, menos cabeça poderá usar e mais não-amado irá se sentir no fundo da alma.

É preciso nos perguntar o que é que em nós queremos que seja amado. Afinal das contas, o que é que nos faz realmente sentir que somos amados? Esta é a verdadeira pergunta, a que interessa. Só os bobos não se dão conta que são “amados” somente porque compactuaram com qualquer que seja o pensamento e o comportamento dominantes, o vestido, a maquiagem, as escolhas de seu grupo de referência. Isso pode fazer sentir aceitos, não necessariamente amados, se não todos os que vestem farda haveriam se se sentir imensamente amados por pertencer a tão grande e socialmente valorizado grupo como o dos militares!

Então, o que é que, em nós, precisamos que seja amado para que de fato possamos sentir que há amor pela nossa pessoa?

A resposta é: nossa individualidade. Exatamente o que nos torna diferentes dos outros, únicos.

É por isso que quanto mais tentamos nos igualar para conseguirmos likes e amigos mais nos sentiremos só.

Segue a segunda pergunta: você se ama naquilo que o torna diferente e que provavelmente causou-lhe atritos e desentendimento com seus pais e familiares?

Se você conseguir amar esta pessoa é possível que encontre aqueles que lhe pertencem, que são de fato seu grupo. E nesse caso, a qualidade irá substituir a quantidade.

Mas a esse lugar não é fácil de se chegar porque o desamor pelo diferente em nós, que corresponde muitas vezes à essência mais íntima do que somos, foi instalado na nossa infância. Pois é, tudo volta lá. As origens são importantes. É porque nossos pais foram incapazes, por “n” razões, de acolher a nossa originalidade, o nosso diferencial é que nós aprendemos a fazer o mesmo.

Cada um de nós é um desafio para seus pais. Para acolher esse desafio os pais deveriam ter autoconhecimento e disponbilidade de mudar, de ser desafiados justamente. Sabemos que pouquíssimos pais têm essa disponibilidade, a maioria reprime o desafio que o filho representa porque lhe é desconfortável – e esse movimento é geralmente inconsciente, até porque nenhum pai e mãe gosta de se sentir “malvado” com seu filho.

O que podemos fazer uma vez adultos e já “prejudicados” pelo passado?

Precisamos quebrar o paradigma que nossos pais nos deram: questionando todos os julgamentos negativos que temos a respeito de nós mesmos! Questionando a atitude que adotamos com os nossos sentimentos mais íntimos, com as nossas necessidades e verdades. Questione! Acorde do transe.

Autoconhecimento é a chave: entender por que somos do jeito que somos nos permite mudar o jeito que somos. Mas não mudar de acordo com um código de normas, mas de acordo com o que realmente somos, como nossas exigências profundas, com nosso verdadeiro Eu.

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.