15/10/2017

ORIGEM DA BAIXA AUTOESTIMA

Tudo começa lá no passado, tanto desta como de outras vidas. E isso porque quando nos damos conta – ou seja, quando conseguimos reconhecer que nossa autoestima está baixa é porque, evidentemente, ela já está instalada no nosso sistema há muito tempo, como um vírus de computador que, por ter estragado vários programas, denuncia sua presença. E, assim como o vírus, a baixa autoestima altera o funcionamento de nosso sistema. Uma vez que se torna um fato interior, ela vira uma maneira de perceber a si próprios e de viver a vida, uma forma de interpretar os fatos pessoais e sociais, uma forma de fazer escolhas (ou de não fazê-las), um modo de se relacionar e de definir o próprio futuro profissional.

Aconteceu que, em algum momento, você foi aprendendo que o que você tinha a dizer e o que você sentia não era importante. Essa foi sua conclusão, pelo menos, ao ver as reações dos outros à sua volta. Esta foi a interpretação que sua alma deu aos comportamentos alheios. A baixa autoestima começou quando ninguém lhe prestava atenção, o motivo não importa. O que marca e deixa rastros é a experiência. Quando as pessoas próximas, familiares e queridas, de cuja validação precisamos para nos sentirmos aceitos e amados, se importam com o que pensamos e sentimos perdemos valor próprio. Podem nos mandarem calar a boca ou simplesmente nos ignoram, mudam de assunto, desconsideram e minimizam: dá no mesmo porque nos fazem duvidar de nós.

Às vezes, isso acontece porque essas pessoas queridas estão tomadas por seus próprios problemas e não se dão conta de nos machucarem. Outras, porque essas mesmas pessoas repetem conosco o que elas mesmas viveram e aprenderam – ou seja, replicam em nós sua baixa autoestima. Outras vezes, enfim, porque não gostam da gente, de como somos, de nossa personalidade, de nosso cabelo ou sorriso, de nossas ideias ou alegria, ou perguntas. Algo em nós incomoda. Gostar não se controla, se gosta ou não se gosta e nem sempre depende do que fazemos (ou não fazemos).

Assim, numa situação de dependência afetiva, ou seja, de depender da aprovação alheia para nos sentirmos bem conosco, não recebendo essa “benção” nos sentimos desvalidados. Concluímos que não merecemos. Não merecemos porque, portanto, não temos valor. Se quem amamos não nos dá valor... “é porque não temos mesmo”, certo? Assim raciocina uma criança, e todos fomos crianças. Essa é a conclusão imediata que afunda a estima que temos de nós.

Quando nossas verdades hão de ser caladas é inevitável que nossa autoestima seja diretamente afetada. Assim, aprendemos que só podemos expressar o que os outros vão aceitar, o que o contexto no qual vivemos considera válido. Fingimos concordar, queremos poder concordar.

Já que as pessoas queridas de nossa vida (por exemplo, os pais) não dão valor a certas coisas deve ser que elas não têm... Mas, então, por que continuam a aparecer em nossa mente querendo ser pensadas? Nasce o conflito interno, que aumenta a dúvida interna: quem tem razão? Por que somos diferentes? Por que sentimos o que sentimos? O que significa? Sem respostas, mas com a angústia aumentada tentamos esquecer e levar adiante a vida. Assumimos o lado “dos outros”, e colocamos num baú nossas verdades.


Adriana Tanese Nogueira


Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

08/10/2017

SABER SOFRER E AMADURECER

Ninguém gosta de sofrer. Entretanto, às vezes é essencial saber viver o pathos, ou seja, receber o golpe, admitir a dor e ficar com ela. “Pathos” vem do grego antigo e significa sentir, ou melhor padecer. Para os gregos, mesmo as emoções positivas são “sofridas” porque emoção é algo que não controlamos, nos pega à nossa revelia, nos tira da zona de conforto, de controle e da razão. Sentir por si só é con-sentir, aceitar sentir, aceitar experimentar algo que nos atinge sem pedir licença, descambalhando nossa rotina. Mas, pior do que sentir é sentir o sofrimento.  

Por isso muita gente foge. É possível fugir da dor antes mesmo de senti-la. Existe uma espécie de sensor psíquico (a resistência freudiana), um radar que registra sinais mínimos abaixo do limiar da consciência e prontamente reage a eles. Eventos desagradáveis, verdades que não se queriam que existissem, descobertas amargas e outros fenômenos do tipo são captados numa fração de segundo e promovem a fuga imediata do ego, que finge então que "não sente, não sabe, não vê"... A pessoa retrai sua percepção para não encarar a visão emergente, foge o dar-se conta. Evitar a tomada consciência tem a função fundamental de manter o status quo, porque depois que nos tornamos conscientes de algo não podemos mais fingir. A tomada de consciência é a única forma efetiva para promover um movimento progressivo que não tem retorno.

Para esquivar-se do impacto do que dói, o ego deve criar distrações. Estamos cheios de oportunidades para isso: TV, música, amigos, festas, compras, esportes, trabalho... Tudo pode se tornar uma forma de escape de si mesmo. Mas como nem sempre a distração funciona e a angústia se faz mais forte, outra estratégia é posta em ação: deslocar a ansiedade que está logo abaixo do limiar da consciência para outros lugares e situações, menos comprometedoras (estratégia psíquica apontada pela primeira vez por Freud no seu Interpretação dos Sonhos de 1899). Por exemplo, brigamos, criamos um alvoroço do nada ou exagerado, ou seja, despistamos nossa consciência para evitar perceber o que temos medo de encarar. Simples, não? Basta um pouco de honestidade e prática para perceber a dinâmica.

Saber sofrer significa então deixar cair o telão e descortinar o está por trás dele, atrás das aparências. Sofrer, às vezes, é como tomar um remédio amargo. É desagradável, pode ser intragável, mas uma vez que o aceitamos temos uma chance real de cura. E então podemos fazer planos reais para nossa vida. Este é o passo que marca o amadurecimento pessoal

Dói enxergar que o pai que amamos nos prejudicou, sem saber, sem querer, mas fez. Dói se dar conta que a mãe nos traiu, sem saber, sem querer, mas fez. Dói encarar que a promessa implícita foi quebrada porque a vida mudou e levou. Dói identificar a insensibilidade e a inveja onde se acreditava estar pisando em terreno seguro. Dói se dar conta que as pessoas que amamos ou que consideramos amigas não são exatamente como imaginávamos, ou melhor não o são mesmo. E dói descobrir que as escolhas de vida que fizemos 10, 20 ou o ano passado não significam mais nada para nós hoje, pelo contrário nos desviam do que somos.

Saber sofrer é aceitar a desfeita de crenças que não mais se sustentam, meras fantasias infantis. Saber sofrer é lembrar-se de que somos também pequenos e não sabemos muita coisa. É reconhecer que o mundo, a verdade e o todo são maiores do que nós e que algo foi vencido. Algo precisa ficar para trás, a criança que foge do dodói - para o adulto nascer.


Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org

02/10/2017

O QUE SUA CASA REVELA DE VOCÊ: 6 SINTOMAS, 6 CURAS

As condições da casa em que vivemos espelham nossos sintomas psicológicos, dando a temperatura do bem-estar de quem nela mora. Vamos ver 6 sintomas:
1. Uma casa bagunçada reflete a confusão interna de quem a habita. A confusão relacionada à falta de prioridades claras e de direção: Para onde estou indo? Para onde quero ir?
2. Uma casa ordenada demais revela que seu habitante está preocupadíssimo em conseguir esconder ou controlar alguma coisa dentro dele que iria colocar as escolhas que fez até agora de cabeça para baixo.
3. Uma casa com onde há roupa velha e objetos não em uso estocados é o lar de quem tem energia estagnada em si. A pessoa está presa ao passado. Aparentemente ela vai adiante, mas muita energia está bloqueada, ou seja, ela não superou questões do passado que tem profunda relevância para ela.
4. Mas também a pessoa que se desfaz com muita rapidez de coisas e roupas é alguém que acha que pode cortar impunemente suas raízes e recomeçar do zero, como novo, no lugar de passar pelo difícil, mas importante, processo de digestão e superação. Aqui também perde-se energias. Estocar coisa velha ou jogá-las fora antes do tempo dá no mesmo: o resultado é energia presa, cansaço, falta de disponibilidade para novas experiências e, no final, depressão.
5. A casa com a televisão sempre ligada é o lar de quem se sente só... e foge de sua solidão. Preencher o silêncio com conteúdo qualquer nos distrai do que sentimos, mas também nos afasta da possibilidade de encontrarmos atividades que nos façam sentir mais felizes e realizados, inclusive da possibilidade de fazer novas amizades.
6. A casa barulhenta, onde muitas pessoas falam alto e ao mesmo tempo é o lugar onde o encontro é difícil. A proximidade cria ruído porque há uma dificuldade de se ouvir de verdade, de prestar atenção ao que temos para dizer e ao que o outro tem para dizer. Quando se fala muito alto é para sermos ouvidos. Geralmente a pessoa dominante da casa fala alto (cobrindo a voz dos outros) e quem quer conseguir ser ouvido tem que chegar a gritar. Isso é bem visível nas crianças: nem sempre sua gritaria é “normal”.
Queremos de uma casa que ela seja o espaço de renovação das energias, de encontro, harmonia, descanso e paz. Vejamos 6 passos para isso:
1. É importante que você pode as mãos na massa. Uma casa precisa da nossa energia, isso significa que precisamos limpá-la, mexer com as coisas, tocá-las, cuidá-las... amá-las.
2. Uma casa precisa prover renovação no corpo na forma de comida de qualidade, novamente: se você cozinhar é melhor do que comprar qualquer coisa para encher a barriga e se precisar comprar tenha critérios.
3. Uma casa precisa promover abrigo e segurança para que o corpo se renove. Portanto, precisamos de lares sem tensão e negatividade. O barulho excessivo e as brigas produzem adrenalina. Um lar deveria promove a liberação de ocitocina, o hormônio do amor.
4. Preparar as refeições juntos e partilhá-las é uma excelente forma de promover a comunhão (e a liberação de ocitocina).
5. Escolha conscientemente as cores e os cheiros de sua casa. Todos os sentidos precisam estar envolvidos.
6. Enfim, saiba quem entra e quem fica de fora de sua casa. A deusa da mitologia grega, Héstia, guardava o lar dos indesejados e estranhos para quem fosse o centro de união e força de seus membros.
Se quiser vivenciar a serenidade dessa energia centradora e apaziguadora marque na sua agenda: HESTIA Workshop, nessa quinta-feira, 5/10/2017, 6h30-8h30pm, Holistic Organic Wellness, Boca Raton, FL - USA. 561-3055321.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, inteprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org