20/06/2017

UM CASO DE ABUSO INFANTIL

Estava numa sessão com uma criança realizando um jogo de associação de palavras, quando ouço em associação à  palavra “child” a palavra “abuse” em resposta. Controlando minha surpresa/espanto/tristeza, termino o “jogo” e passo a conversamos sobre as associações. Chegando na de child-abuse, indago sobre tal combinação. A criança responde imediatamente, sem pensar muito, que “elas vão juntas”, como se fossem uma só palavra e como se fosse óbvio. 

Pobre criança! Pobre ser que acha que ser maltratado faz parte do ser criança.

Como todos sabemos, abuso/maltrato e criança/infância não são palavras que têm qualquer vínculo natural e normal (fora a patologia e a criminalidade), portanto se uma criança as associa e justifica a ligação dizendo que “andam juntas” é porque na experiência desta criança, ser criança e ser maltratada são praticamente sinônimos.

Segundo a Wikipedia em português, “O abuso infantil, ou maltrato infantil, é o abuso físico e/ou psicológico de uma criança, por parte de seus pais - sejam biológicos, padrastos ou adotivos - por outro adulto que possui a guarda da criança, ou mesmo por outros adultos próximos da criança...” A violência doméstica e física é uma das formas de abuso infantil mais comum. “Segundo Azevedo & Guerra (2007) [ela] corresponde ao emprego de força física no processo disciplinador de uma criança ou adolescente por parte de seus pais (ou quem exercer tal papel no âmbito familiar...).”

Pergunto: bater uma criança com o cinto é abuso infantil? Ameaçá-la, sempre com o cinto na mão, de que se não fizer o dever de casa ou não se comportar como lhe é pedido ela será espancada, é abuso infantil? Deixo a resposta à consciência de cada um.

O genitor que, ao tomar conhecimento da associação de sua criança entre child e abuse tenta instrui-la de que “bater com o cinto” não é child abuse, está ainda por cima exercendo violência psicológica, pois este genitor está fazendo uma lavagem cerebral no filho para que aceite a violência como normal.

Quem educa seus filhos na violência, tanto física quanto psicológica (pressão, xingamento, depreciação) pode ter crescido assim e estar repetindo um modelo aprendido em sua própria infância. Mas a criança maltratada vive no século XXI, e como todos nós está submetida a uma avalanche de informações e estímulos que trazem valores diferentes. Segundo a Wikipedia em inglês: “Definir o que é maltrato infatil depende dos valores culturais prevalecente com relação a crianças, desenvolvimento infantil e genitorialidade.”  

Entretanto, se para o genitor bater com o cinto é normal, certamente para sua criança não é, porque apesar dela comentar a associação como se fosse óbvia, ela está de fato denunciando sua realidade e pedindo ajuda. Pede ajuda da única forma que conhece: nas entrelinhas. Uma criança maltratada é uma criança que tem medo.

O maltrato infantil implica dois aspectos: tanto o ato de agir sobre a criança quanto o ato de se omitir com respeito às necessidades da criança. É o pai ou a mãe que não dão comida ou proteção, mas também que omitem acolhimento, afeto, vínculo. Vamos além.

Assim como quem comente a violência prejudicando o desenvolvimento e equilíbrio psico-físico de uma criança estão comentendo um crime, também os que se omitem são responsáveis pelo sofrimento e pelas possíveis trágicas consequências que essa criança poderá sofrer: distanciamento emocional e falta de concentração, notas baixas hiperatividade, medo social, doença, dificuldade de encontrar um caminho na vida e desenvolver habilidades, morte.

Segundo o Florida Department of Children and Family, “Qualquer um que saiba ou tenha uma boa razão para suspeitar que uma criança está sendo abusada, abandonada ou neglicenciada [....] é obrigada a  denunciar o fato § 39.201(1)(a).”


Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Orientação Pais, Terapeuta Floral, Consultora, Palestrante e Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente. Consultoria em empresas e serviços de saúde. Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

O QUE É INTELIGÊNCIA

A partir de sua raíz latim, entendemos que inteligência significa "ler entre as linhas". O verbo “intelligere” (de onde vem "inteligência) é formado por “inter” (tra) e “legere” (ler, captar, “sacar” e também “ligar”). Então, inteligência é a capacidade de ler por entre as linhas e de interligar idéias não explicitamente relacionadas. A pessoa inteligente colhe os pensamentos, é capaz de raciocínios abstratos, sabe planejar e criar estratégias.

Por este motivo, inteligência não equivale a saber muitas coisas. Para isso basta ter uma boa memória. Ter ido à faculdade não é sinônimo de ter inteligência. O conhecimento adquirido pode aguçar a inteligência, fazê-la trabalhar e desenvolver mas não é suficiente. Ingurgitar texto não torna ninguém inteligente. Com inteligência se nasce e é possível desenvolver o que mãe natureza nos deu. É preciso de exercício.

Nascemos todos com um corpo belo e saudável, pronto para o uso. Se, ao invés de exercitá-lo, o deixarmos mofando na frente de uma TV ou jogando joguinhos, aquela agradável forma inicial irá se deformando, e logo temos crianças obesas e preguiçosas. Com a inteligência acontece o mesmo. O potencial está lá, bonito e lustro, precisa ser exercitado e treinado para obtermos aquela maravilhosa coisa que se chama inteligência. As piroetas e acrobacias que vemos uma habilidosa ginasta executar são fruto de anos de treinamento feito com dedicação e seriedade. O mesmo vale para a inteligência.

O exercício para fortalecer a inteligência é o estudo crítico e o pensamento reflexivo. O estudo crítico é aquela forma de estudar que não se limita a engolir informações mas que as religa, elabora, aprofunda e pergunta. Pensamento reflexivo é a capacidade de re-considerar o já pensado, isto é de questionar o que pensamos por hábito, as crenças, as tradições, as repetições que afogam o espírito. Significa entreter-se com as ideias sem assumi-las ou aceitá-las de imediato. O pensamento reflexivo é dialético, está animado pela vontade de enteder “de verdade”, de penetrar sempre mais fundo mas coisas e dar um sentido ao todo (a vida, um episódio, um drama familiar, um desafio profissional, um projeto social, uma vontade inexplicável).

A inteligência necessita de leituras variadas. Assim como é preciso variar o cardápio alimentar, o intelecto também precisa de diversidade para se desenvolver. A inteligência tem espírito investigador, curiosidade, interesse. Faz perguntas. Gosta de saber das coisas e é honesta, não dobra os pensamentos aos seus interesses. A inteligência percebe o preconceito e o desconstrói. Cada novo texto ou nova situação de vida coloca a pessoa inteligente à frente de onde estava antes.

Conforme as análises feitas por Jung em “Tipos Psicológicos”, a função Pensamento (da qual deriva a inteligência da qual estamos falando) pode estar em sua forma desenvolvida ou primitiva, dependendo da personalidade da pessoa e do treino que ela tem. Para reconhecer em que estágio ela está, basta observar seus frutos. Se seus raciocínios terminam sempre no mesmo ponto, se vira e mexe o que a pessoa ler ou supostamente aprende “confirma” o que ela já “sabia” seu pensamento é subdesenvolvido. É como uma pessoa que em qualquer coisa coma encontre sempre o antigo e familiar sabor do arroz com feijão.

A inteligência é creativa, de tudo sabe extrair novo conhecimento. Assim como da análise das fezes se produz informações importantes sobre o paciente, a inteligência verdadeira não olha nada com desdém. Pensamento que se preze é um dialogo infinito seja com o real fora de nós que com aquele dentro de nós.


Adriana Tanese Nogueira
Life Coach, Psicanalista, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto Ser&Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org


SER COMO TODO MUNDO: PRÓS E CONTRAS DO ESTEREÓTIPO

Quem alguma vez não desejou não ter certos sentimentos e pensamentos? Quem já não fingiu que não tinha aquelas dúvidas que surgem sem permissão? Quem já não evitou, a custo do ridículo, questionar coisas que se quer deixar quieto porque difíceis de se lidar? Há momentos em que se daria tudo para poder dizer que, sim, gostamos de fazer tal coisa, de ir a tal lugar, de parecer ser feliz…

Há momentos em que ser nós mesmos é sentido como um azar, ou uma maldição ou um esforço danado! Seria tão mais simples se pudéssemos simplesmente eliminar aquelas características, pensamentos e sensibilidade que nos tornam diferentes!

A diferença gera desconforto. Muitas vezes produz puro e simples sofrimento, bullying, maus-tratos, rejeição. Muitas vezes, basta um singelo grão de diferença para estragar tudo, um olhar oblíquo, um sorriso amarelo, um gesto descontrolado que nossa máscara cai atraindo olhares constrangedores. Pia e ingenuamente lutamos para ser como achamos que os outros nos querem e assim nos enfiamos à força no estereótipo, sufocando a rebelião interior.

E se acontecer de decepcionarmos as expectativas, fazemos de tudo para apagar a marca da “desonra” e convencer aos outros (e a nós mesmos) que houve um engano, que foi tudo um mal entendido. Asseguramos, assim, nossa fidelidade ao modelinho, ao papel assumido e prometemos sua eterna repetição como se fosse uma questão de vida ou de morte.

Estereótipos são confortáveis, macios e acolhedores. Induzem o sono da consciência e por isso permitem um trânsito pela vida sem grandes sacudidas... porque se vive adormecidos. A pequena variedade de comportamentos e escolhas que um estereótipo oferece é nada comparada à infinita variedade psicológica e à unicidade de cada ser humano e não só: à sua tendência natural para uma evolução infinita! Estar no estereótipos evita as responsabilidades de quem assume o que pensa e o que é. Evita ter que fazer escolhas que podem gerar conflitos e dificuldades porque exprimem nossas verdades.

Estereótipos atendem às mais diversas fraquezas humanas: o medo de dizer o que se pensa, o medo de sentir o que se sente, o medo de expressar a própria visão das coisas, o medo de não ser amado e aquele de estar só. Mas também a ignorância, o orgulho e a preguiça. Sobretudo, os estereótipos nos poupam do esfoço de ter uma vida interior, de pensar com a própria cabeça e criar nossa própria realidade. Vestindo estereótipos entramos no fluxo da vida sem ter que parar para pensar. Tudo é “bom”, todos são “amigos” e de todos “gostamos”, e se não gostamos, fingimos, e está “tudo bem”.

No embalo dos estereótipos, esquemos de quem somos e nos deixamos moldar conforme as situações requerem. Passeamos descontraídos e alienados pela vida. E tudo seria realmente perfeito se não fossem aquelas coisinhas que fogem ao nosso controle: uma gastrite e uma dor de cabeça, uma ansiedade “incompreensível”, um filho agressivo, um pesadêlo recorrente, um corpo que engorda, aquelas lágrimas que inexplicavelmente escorrem enquanto se afirma que “se está bem”, as notas medíocre na escola e incapacidade de se concentrar no trabalho e assim vai...

Tão confortáveis são os estereótipos que nos fazem esquecer que somos Seres Humanos. Os seres humanos se diferenciam das demais criaturas por seu altíssimo grau de criatividade. Um ser humano possui um potencial imprevisível e riquíssimo de possibilidade que precisam e devem ser realizadas. Seres humanos sem autorealização são seres infelizes. A felicidade é diretamente proporcional à capacidade de liberdade de ser que cada um consegue expressar. Logo, jogue fora os estereótipos e descubra quem você realmente é. Faça amizade consigo mesmo e se abra para novos caminhos e novas soluções.

Adriana Tanese NogueiraLife Coach, Psicanalista, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser&Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org

 

SER COMPLEXADO: O QUE SIGNIFICA E COMO FUNCIONA


Imaginem São Paulo, ou Rio de Janeiro, ou muitas outras cidades brasileiras, mas vamos falar do Rio. Todos sabemos que está construída entre o oceano e os montes, o que a torna particularmente charmosa. Sabemos também que ela está pontuada por favelas nos lugares menos esperados, entremeando a cidade “normal”. Um turista inocente, passeando admirado e desprevenido, pode, de repente, deparar-se num lugar pouco seguro, ou até mesmo muito perigoso. Quem não conhece bem a cidade não tem nunca certeza do que vai encontrar. Há áreas seguras, onde se pode razoavelmente ter uma certa expectativa positiva, há áreas incertas, onde é preciso andar com cuidado e manter os olhos bem abertos, e há lugares em que decididamente não deveríamos pisar.

Essa acima é a realidade física e social da cidade mas é também uma metáfora da realidade psíquica interior da subjetividade humana. Uma pessoa psicologicamente saudável é como uma cidade limpa pela qual podemos passear à vontade sem medo de sermos agredidos de repente, virando a esquina errada ou ao entardecer. Ou seja: uma pessoa confiável é aquela com a qual se pode discutir uma série de assuntos e situações sem sermos esbofeteados por reações incoerentes que nos deixam perplexos ou mesmo assustados.

Reações assim todos nós já temos vividos com uns e outros e até mesmo exibido nós mesmos (quem é suficientemente honesto para se enxergar saberá reconhecer). Elas correspondem à acabar, de repente, numa área urbana perigosa, e sentir-se vulneráveis e em perigo. Quantas vezes já não aconteceu de estarmos conversando ou mesmo discutindo um assunto com tal pessoa e ela explodir numa reação insensata e agressiva? Quantas vezes já não vimos pessoas reagirem de forma exagerada, sem que elas mesmas o percebam, a situações ou tópicos que nos parecem simples e inócuos?

Lidar com uma pessoa complexada é como caminhar num terreno minado. Você não sabe onde está a bomba, só saberá quando explodir. Quantas bombas há depende de quanto a pessoa é complexada. Mais complexada a pessoa, mais vulneráveis somos nós. Mais complexada, mais insegura ela é. Mais complexada, mais agressiva e/ou ilógica ela será.

Os complexos são como uma área psíquica interditada: a pessoa não quer ir lá e todos os conteúdos que lá estão ou que se relacionam à área são evitados, rejeitados, negados.

Complexos possuem um núcleo: a rejeição, por exemplo. Complexos têm sempre raízes no passado e até mesmo em vidas passadas – mas não se pode pular para elas sem antes ter resolvido o problema dessa. Complexos nascem porque a pessoa não aguentou enfrentar determinada situação e dela fugiu, no sentido mesmo de enfiar a cabeça na areia. Se apavorou e reprimiu, gerando no tempo o complexo, camada após camada de negação, repressão e camuflagem.

Quanto maior o alvoroço causado pela situação/reação, mais forte o complexo, o que significa maior sua área de atuação porque complexos são como imãs. Tudo o que têm alguma ligação com eles os ativam. Uma pessoa com um complexo de rejeição vai ter reações desproporcionadas todas as vezes em que o sentimento de rejeição for ativado até chegar a situações ridículas. Os eventos serão interpretados nessa ótica: querem me rejeitar, estou sendo rejeitado.

O problema com os complexos é que a pessoa não quer se tornar consciente deles, logo você não será ouvido quando tentar dizer: Olha, não é bem assim... Complexos são inconscientes. A pessoa complexada tem pavor de enxergá-los e, exatamente por isso, se tornam sempre mais invadentes. Isso leva a pessoa ao limite da paranóia sem entretanto querer acordar do pesadêlo, criando um círculo vicioso.

Resolver um complexo requer afinado autoconhecimento e strategia psicológica.

Adriana Tanese NogueiraLife Coach com training psicanalítico, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org