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AS DUAS CARAS DO ORGULHO

Engula seu orgulho de vez em quando – não engorda. (Anônimo) O orgulho é um sentimento interessante: se relaciona tanto àquela satisfação digna e estável pelos nossos sucessos quanto à obstinada e impenetrável barreira que colocamos entre nós e os outros, que nos torna insensíveis e até mesmo cruéis com as pessoas que amamos. O sentimento de valor pessoal é indispensável para o equilíbrio psicológico, mas o amor próprio é uma realidade complexa que, para que funcione bem, deve estar alicerçada na honestidade interior e na capacidade de não se identificar com o orgulho. Isso significa saber assumir a responsabilidade sobre os resultados de nossas ações, pensamentos e sentimentos, tanto os positivos como os negativos.  Para que o orgulho espelhe o amor próprio e não o egoísmo altivo, é preciso que a pessoa possua um nível adequado de autoestima, porque somente assim ela poderá se questionar e aceitar os próprios erros sem despencar na autoestima. Aqueles que são orgulhosos demais tendem a o…
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AMOR, DESFEITA DO EGO

Numa sessão individual que complementava o trabalho terapêutico que o casal estava fazendo comigo, o marido chegou à conclusão de que amar é o que acabava com ele. Se não amasse não estaria com ela, já que havia tantas brigas, se não amasse estaria mais tranquilo. Pois é, sintetizei: amar é a desfeita do ego. E ele nunca mais apareceu. Não quis “perder”.

A dimensão psicológica do amor é uma função feminina porque como bem identificou Jung, o feminino é Eros, ou seja a função de relação. Relacionar-se quer dizer abrir-se ao outro. As mulheres têm exercido esse papel por milênios. A maternidade treina para esta abertura, mesmo uma mulher sem filhos tem em si a genética e os arquétipos prontos para serem ativados e agir em qualquer idade e situação. Está inscrito em nós. O homens também tem sua dose de feminino, quem mais quem menos (e isso nada tem a ver com homossexualidade), mas sua identidade se colocar em outro lugar, no pensamento, nas ideias (cultura, mentalidade, mente, racionalid…

MULHERES INVISÍVEIS EM FAMÍLIA

Mulheres invisíveis trabalham com afinco dentro e fora de casa, e sustentam a Família. Se não a sustentarem economicamente certamente o fazem do ponto de vista emocional, pois não basta trazer o dinheiro para a casa, é preciso de coesão e vínculo para que haja Casa de verdade, ou seja Lar, Família, Relação.  As mulheres são as que formam os laços familiares, nutrem os afetos, constroem, costuram, curam e nutrem as relações. São ouvintes e compreensivas. Dão o primeiro passo, entendendo logo do que se trata. Colocam-se em segundo lugar porque caso contrário nada funcionaria, porque se não fizessem o sacrifício não haveria jantar ou roupa lavada, ou as crianças estariam ainda mais difíceis do que já estão e suas tarefas de casa não estariam feitas. Dão uma colher de chá ao marido porque assim o relacionamento flui melhor, relevam para ter menos dor de cabeça e manter vivas (para si mesmas) a esperança de chegar um dia onde elas sonham. O que elas sonham? Sonham com companheirismo, partilha…

VIDAS PASSADAS

Que acreditemos ou não na sobrevivência da consciência após a morte, reencarnação e carma, elas têm seríssimas implicações para o nosso comportamento atual.  Stanislav Grof
Temos muitas vidas e, portanto, muitos personagens dentro de nós. Não nascemos almas puras, sem história e sem conhecimentos e defeitos. Nascemos carregados de feridas e traumas, mas também de talentos adquiridos e aperfeiçoados em outras vidas, qualidades, desejos e necessidades. Viemos ao mundo em meio a pessoas que têm a ver com a nossa história pregressa, com as nossas questões em aberto e que viemos para resolver. Nem sempre esses encontros são felizes. A vida é um uma experiência de aprendizagem, acredito que ninguém possa alegar que nasceu em um parque de diversão. Se estamos aqui, nesse lugar difícil com vários desafios e incógnitas, é porque temos que os superar, o que significa temos coisas a aprender, lições importantes para a nossa evolução – evolução da consciência.  Os problemas que encontramos são desafi…

SOCIOPATIA COMO DISTÚRBIO E CULTURA

A sociopatia ou distúrbio antissocial de personalidade é uma condição psicológica ainda pouco compreendida, pois sua realidade é mais complexa do que parece. Só a menção da palavra assusta e se tende a recuar diante de um sociopata, entretanto, por incrível que pareça, o sociopata não necessariamente tem sentimentos malévolos com relação aos outros. Seu problema é que ele tem muito pouco sentimentos verdadeiroscom relação aos outros em geral. O efeito disso é que seu comportamento acaba sendo indubitavelmente malévolo, mas não porque ele teve esta intenção.   As causas da sociopatia são ainda desconhecidas.Parece que uns 50–65% dos casos podem ser atribuídos à hereditariedade, enquanto a percentual restante é relacionada a um complexo e confuso conjunto de fatores ambientais. Note-se, porém, que um histórico de violência e abuso na infância nem sempre está presente entre os sociopatas.  A sociopatia é uma patologia que diz respeito à dimensão social. O indivíduo não sabe conviver em mei…

AMAR E AMOR PRÓPRIO

Aprendi a cuidar de mim. Agora sei escolher quem levar no meu coração. Agora sei decidir quem ter por perto, agora sei entender quem merece e quem não. E sei que apesar de tudo e userei ferida ainda, mas agora sei que vou superar. Silvia Nelli
Numa entrevista uma famosa mulher hoje idosa disse, “O segredo para uma vida longa é não casar.” Infelizmente, isso é muitas vezes verdade. A realidade do relacionamento está longe do ideal que todos sonhos ao buscar sua alma gêmea. Um dos fatores que solapam a possibilidade de uma relação construtiva e de crescimento para os dois é a falta de amor próprio. Não pode haver verdadeiro amor pelo outro sem ter verdadeiro amor por si. Por isso também tantos amores que vemos por aí são tão falhos: quantos de nós se amam? Se sua resposta for sim, você se ama, como demonstra o amor que tem por si? Parei minha vida tentando ‘curar’ meu casamento... Depois de muito tentar e não obter êxito algum, resolvi desistir e tocar a minha vida, mas a decisão de tomar a…

TRAUMAS - COMO FUNCIONAM

Os efeitos dos traumas não superados podem ser devastadores. Podem afetar nossos hábitos e forma de ver a vida, levando à adição e incapacidade de tomar boas decisões. Podem prejudicar nossa vida familiar e relações interpessoais. Podem se manifestar em dores físicas reais, sintomas e doenças. E como levar a uma série de comportamentos auto-destrutivos. Peter A. Levine
Como funcionam os traumas? De acordo com Peter A. Levine, autor de Waking the Tiger. Healing Trauma, traduzido para o português como O Despertar do Tigre. Curando o Trauma, traumas podem e devem ser curados caso contrário irão afetar toda a vida do indivíduo, mesmo que as consequências apareçam anos depois dos fatos que ocasionaram o trauma. Levine analisa os traumas e seus efeitos do ponto de vista bio-fisiológico, antes mesmo que psicológico. Vou dar uma versão simplificada da tese desse autor, só para apresentar algumas ideias importantes para a nossa reflexão. Sendo animais, apesar de racionais (nem sempre!) reagimos di…