18/07/16

A PERFEITA SIMBIOSE MÃE-BEBÊ

O bebê humano nasce num estado de total vulnerabilidade. Por causa do maior tamanho de seu cérebro e do fato de o tecido nervoso necessitar, mais do que qualquer outro, de mais calorias para se manter, grande parte do alimento ingerido é gasto para prover nutrição e calor para as células nervosas. Fortemente significativo é o fato de que nós humanos precisamos nascer antes de nosso cérebro estar totalmente desenvolvido, porque se esperássemos pelo seu desenvolvimento completo do sistema nervoso não teríamos condição de passar pela pelve materna no momento do parto. Não só, ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para isso. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

Fala-se portanto em “exterogestação”. Este é o tempo, geralmente no mínimo 9 meses, de vida fora do útero durante o qual o bebê humano amadurece neurologicamente e se prepara a dar o saldo evolutivo para a fase na qual consegue se alimentar e andar sozinho. Durante este período, e aliás, pelos primeiros 12 meses de vida, o crescimento do cérebro é gigantesco. O primeiro ano humano é o mais complexo, inovador, rico e desafiador na inteira existência individual.

E quem está com o bebê nesse período de tempo? A mãe. A mãe que será lembrada pelo resto da vida como o berço suave, o amparo, a acolhedora, a segurança e proteção. E quando não o for na realidade, se sonhará com este arquétipo materno que todos conhecemos no fundo de nossos corações. Sem essa mãe não teríamos sobrevivido....
A natureza dessa relação mãe-bebê está baseada na simbiose: dois seres que vivem um pelo outro. Queira-se ou não, este é o cerne da maternidade nos primeiros tempos de vida do bebê. Simbiose é uma condição de dependência mútua entre dois seres vivos. É profunda e radical, não tem a ver com o ego da mãe, nem com o seu querer. A mãe precisa, quase por um ditado biológico, depender do bebê porque é por este sentimento que ela volta a ele, o acude, o alimenta, o protege.

Não critiquem as recém-mães que não querem deixar seus filhos em creches, com parentes e babás. Não reprovem as mães que chora após a volta ao trabalho. Não desabonem uma mulher por preferir seu bebê ao trabalho e à carreira. A natureza manda. A natureza exige. O futuro da humanidade também pois, “a prevenção à violência não está em aumentar o policiamento nas ruas... mas em trabalhar na primeira infância onde começa a delinquência. ... A personalidade se forma da concepção aos seis anos de idade...” (Laurista, 2006) “...a falta de mãe ou o vínculo ruim com a figura materna ou a ausência do pai, são fatores determinantes nos distúrbios da personalidade consequentemente no aumento da violência.” (Lisboa, 2006).

É por este laço poderoso de simbiose que a mãe, uma mulher adulta que já desenvolveu outros códigos e hábitos, consegue se sintonizar com o mundo de seu filho e decodificá-lo. Lenta mas inexoravelmente, uma mãe irá entender seu bebê, decifrar as mínimas nuanças, atender, acudir, ajudar.

Mães precisam ser dependentes de seus bebês como estes precisam sê-lo de suas mães. Falhar esta etapa da relação mãe-filho deixa nas mulheres um profundo vazio e sentimento de culpa que não poderão ser aplacados facilmente. Somos mamíferos humanos: precisamos uns dos outros. Bebês e mães são feitos para estarem juntos até a natureza apontar para uma nova etapa da vida.

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com

13/07/16

FECUNDAÇÃO CONSCIENTE E "PSICO-FISIOLOGIA"


Com a fecondação, uma grande revolução acontece no corpo e na psique da mulher. Um terremoto interno que mexe com todo o sistema, tanto fisiológico quanto emocional, mesmo que na maioria das vezes permanece inconsciente, mas os sonhos podem registrá-lo.
Exemplo desse “terremoto” é, de fato, o sonho de uma mulher de 30 anos. Ela teve esse sonho no dia em que deveria menstruar, na expectativa porém de não menstruar porque desejava estar grávida. Entretanto, no dia anterior havia saído um pouco de sangue e portanto ela achava que a menstruação estava por vir.
Irei inserir no corpo do sonho em azul os meus comentários explicativos. O sonho relata a vivência interior, que é física e emocional ao mesmo tempo. Segundo Carl Gustav Jung, o afeto é aquela espécie de emoção que está enraizada no corpo e se torna emocional quando a consciência a capta. Diríamos portanto que esse sonho reflete a vivência afetiva do corpo que está engravidando e do corpo que está sendo concebido.
Sonhei que era noite e estavam caindo meteóros do céu a uma distância de uns 100 ou 200km mais ou menos, o terreno era plano então viamos os meteoros cor de fogo caindo no horizonte e atingindo uma cidade. Eu estava com mais 2 ou 3 pessoas em um terreno sem construções ou plantas, parecia um deserto.
Se Imagine sendo o próprio óvulo feminino, os meteóros chegando, atacando, os espermatozóides.... Imagine a força da vida vermelha como o fogo, penetrando na terra escura, macia, grande... Imagine você óvulo fecundado nesse grande espaço vazio, o útero...


Ficamos preocupados dos meteoros cairem aí.. era o fim do mundo.
É certamente o fim do mundo – do mundo conhecido até então. A sonhadora, inclusiva, apesar de desejar muito tinha medo de engravidar. Havia medos inconscientes ancestrais e medos relativos a todas as mudanças que se tornar mãe implica. Daí sua dificuldades para engravidar. Esteve tentando por dois anos sem resultado, até que teve a oportunidade de iniciar por este e outros motivos, como sua vontade de se entender, um processo analítico durante o qual várias questões extremamente significativas relacionadas ao engravidar e ser mãe surgiram e foram trabalhadas... E ela engravidou, de forma totalmente consciente e livre.
Termina assim um mundo.
Derrepente alguém gritou, “Olha a água!”, e olhamos para o chão. A água invadia nossos pés, era o aviso de um tsunami que se aproximava,
Sim, o útero está sendo invadido pela água... o líquido amniótico chega como um tsunami para o minúsculo embrião... De fato, é na segunda semana de gravidez que se forma a bolsa com o líquido amniótico.
eles correram e eu fui subindo uma corda que dava pro alto de uma construção que me pertencia.



A “construção que lhe pertence” é esse gigantesco magnífico edifício – o útero, o corpo da mãe, no qual o pequeno embrião se enraiza, fixando-se. E eis que veio o golpe, a onda gigantesca.....


Quando cheguei no alto veio o golpe da onda gigante, mas muito gigante, do tamanho do World Trade Center, e foi engolindo a cidade.  O golpe que levei do topo da onda me lançou e eu me vi caindo prédio a baixo como uma bola lançada. A queda era incompatível com a vida. 
A implantação está “trabalhando” para acontecer...
Entao fui observando a cena, outras pessoas sendo atingidas e engolidas pela onda, algumas tentavam nadar e eu achei nao nao ia sobram ninguém. 
Mas o pequeno embrião sobreviveu, conseguiu “construir” uma pequena casina para si. A presença de “outras pessoas anônimas ou desconhecidas”, neste como em todos os sonhos representa os diferentes elementos do sonhos, aspectos da pessoa, conteúdos psíquicos, dimensões da consciência, diferentes pontos de vista ou possibilidades, etc.



Então amanheceu e eu estava dentro de um apartamento atingido, estava meio inclinado, eu e mais um homem e uma mulher, conclui que eramos sobreviventes e começamos a sair do quarto e nosso movimento fez o predio se mexer...
Ainda há instabilidade, mas o processo deslanchou. Estão ele, o embrião, mais mamãe e papai... ou a “sombra” deles, o “imprinting” imaginal que sobrou após a fecundação.
...quando saímos entramos num corredor que dava pra uma parte quebrada e tinha um homem magro pálido que era o  invasor do nosso planeta e disse que o predio era dele e que invasores morreriam, ele inclinou o prédio de uma forma que os dois que estavam comigo cairam e morreram, e eu fugi para o outro lado, achei as escadas e desci e sai do prédio. No chão tinha mais pessoas que tinha sobrevivido.
Esta última parte do sonho remete ao conflito emocional da sonhadora. Representa, por assim dizer, a cauda final de seu processo de superação de algo que estava impedindo que engravidasse. Ao mesmo tempo, completa o processo: mamãe e papai “morrem”, pois deles só fica sua herança genética. O novo projeto bio-existencial começa sua nova vida. Os sobreviventes testemunham que o fim do mundo passou e um novo início começou.


Como é possível observar, o inconsciente da mãe captou o processo de seu corpo e aquele do novo ser que está nela. Sua consciência desliza entre dar voz ao próprio corpo e dar voz ao embrião. Já podemos perceber como a vivência corpórea é uma coisa só com aquela psicológica: as duas formando uma interface do ser. Essa é a simbiose mãe-filho que começa agora e ir durar por muitos e muitos anos...


Adriana Tanese Nogueira
Psicanalista, educadora perinatal, mãe, autora e várias outras coisinhas...
+5613055321