23/05/16

ADOLESCÊNCIA E AUTORIDADE DOS PAIS

Uma das características da contemporaneidade é o questionamento do princípio de autoridade, começando com aquela dos pais. Os critérios do passado não funcionam mais para manter uma relação respeitosa com a nova geração. Muita coisa mudou, muita coisa que não se encaixa nos padrões antigos.

Assim, é sempre mais difícil exercitar a autoridade sobre os filhos adolescentes, o que entretanto é de enorme importância para o desenvolvimento adequeado, equilibrado e saudável dos mesmos. Por outro lado, é justamente nessa fase que os pais se sentem cansados. Já fizeram muito, já trabalharam muito, já lutaram muito para manter a família unida, ou para prover por ela, superar os desafios de cada dia e as mil e uma demanda dos filhos em suas diversas etapas de desenvolvimento. Após 15 anos estão precisando de umas ‘férias” do trabalho de ser pais e eis que as coisas voltam a ficar complicadas, tão complicadas quanto aqueles primeiros meses de vida daquele bebê lindo mas que também colocou suas vida de ponta cabeça.

O que fazer?

Analisemos o conceito de autoridade: há a autoridade e o autoritarismo. Este último é a imposição da autoridade pela simples força: o mais forte manda, ponto, fim de discussão. Quando a criança é pequena quantas vezes não a pegamos pelo braço e a arrastamos para fora da cama ou para ficar de pé e parar de se jogar no chão, ou a mandamos pro quarto “pensar”? Atos baseados no fato que você é mais forte e ela tem medo de você. A criança tem perfeita noção, apesar de forma inconsciente, de que ela depende de você para sua sobrevivência. E você também sabe disso, e... às vezes se aproveita, né?, porque não sabe o que fazer...

Isso cria ressentimento interno que, mesmo quando não for projetado diretamente sobre os pais (porque as crianças os amam) se reflete no desconforto delas diante dessa dependência e vulnerabilidade que todos conhecemos, porque todos fomos crianças.

Aí chega a adolescência e com ela a vontade de quebrar todas as correntes e de ser donos de si. Essa vontade tem raízes biológicas: o ser está caminhando na direção da maior idade, que consiste justamente em “ser dono de si”. Mas o jovem continua sentindo suas limitações, enormes e reais. E isso dói – e dá raiva. Ele quer ser e fazer mas não é objetivamente “ninguém” no mundo. Muitas vezes seus pais continuam tratando-o como uma criança, e ele se ressente disso, não podendo perceber que a criança ainda está nele; enquanto seus pais sem sempre conseguem enxergar o homem ou a mulher querendo desabrochar naquela criança que conhecem desde bebê...

É um processo dolorido e conseguirmos manter a autoridade nos permite ajudá-los, e eles precisam mais do que nunca de nossa ajuda.

É necessário então desenvolver a autoridade, aquela coisa que nasce por causa do respeito e não do medo. O medo afasta, o respeito apromixa. Pais devem ser guias discretos e generosos, mas firmes e perspicazes. Saber reconhecer o antigo e o novo no filho, permitir-lhe suas experiências e seus erros segurando o timão para que não sejam demais e derralhem a carruagem. Cada caso é um caso, por isso é preciso olhar de perto cada realidade para desatar nós e permitir o fluxo do desenvolvimento.

Também, ter autoridade e respeito não é ser amigos dos filhos: a relação não é igual àquela entre pares. Pais são líderes. O estilo da liderança pode e deve ser amoroso, disponível e generoso, mas sobretudo honesto, incluindo reconehcer erros. Entretanto, sua voz precisa ser ouvida por fazer sentido, por fazer diferença em prol do bem maior.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com