13/06/16

O QUE FAZER COM UM MARIDO ALCOÓLATRA 2

Esta página segue a primeira, O que fazer com um marido alcoólatra. Este artigo ganhou tantos comentários que, quando eu abro a página para responder, o Blogger não me mostra mais diretamente o comentário mas a página inteira com seus mais de 250 comentários. E como vou achar aquele que está aguardando resposta? Daí criei esta outra página, o que também me permite algumas reflexões, alguns anos após ter escrito aquele artigo.

Em primeiro lugar, todos vocês que comentaram e viram a página, sabem o quanto é comum este cenário, o quanto a vida das famílias dos alcoolicos é parecida uma com a outra, se não completamente idêntica. Igual, de fato, é a violência, a dor, o ressentimento, a culpa, o sofrimento. Igual também é o apego. Apego do viciado à bebida e apego de suas esposas (ou maridos) ao viciado/a. 

Quantas vezes, já li comentários de mulheres desesperadas perguntando o que fazer. Já escrevi com todas as letras o que fazer, mas mesmo assim elas titubeam, a ficha não cai. Sentem-se culpadas em deixar, ir embora, fazer suas vidas. Mas também têm medo de enfrentar suas vidas, de enxergar o tamanho do buraco que têm dentro e que as brigas e o outro lhe cobrem. Ao serem entretidas com os problemas que ele cria, elas deixam de ver o estado dramático no qual se encontram, o vazio interior, a dor. E quando, vocês, mulheres vão se curar?

Quando vão tomar em suas mãos suas vidas e criar um centro de paz e harmonia para vocês e seus filhos? Quando vocês, mães, vão priorizar seus filhos acima do marido viciado, doente, descontrolado, impotente diante do álcool? Quem é mais saudável é quem tem que tomar uma atitude. Como diz a aeromoça na hora da decolagem: se tiver qualquer problema coloque antes a máscara de oxigênio em você e depois em seu filho. Ou seja: se você não se salvar, não se ajudar, como poderá ajudar a ele?

Tem o problema do dinheiro. Em geral, são mulheres sem meios de sustento. Entretanto, algo há de ser feito, família, amigos, qualquer um que possa ajudar. Pedir ajuda é importante. Assumir o controle do dinheiro também: por que manter o timão do navio nas mãos de uma pessoa inconfiável?

E têm as crianças, as quais, obviamente, gostam dos pais, os amam. São crianças pequenas, porque quando adolescentes, estas mesmas crianças em geral detestam os pais viciados. E sabem porque as criancinhas amam os pais alcoólatras? Porque já foi criado lá um vínculo de cumplicidade/pena/omissão. O mesmo que o alcoólatra tem consigo, a esposa dele tem ela mesma e os dois entre si. As crianças criadas nesse ambiente absorveram e assumiram a mesma postura interior e... mantêm a mãe ligada ao pai doente! Mulheres, vamos acordar, o que faz mal, faz mal. Toda criança gosta de pirulito, e daí? Vamos lhe dar pirulito toda vez que ela quer? Seria responsável?

O ambiente que o alcoolico cria é danoso e perigoso para todos, e sobretudo para as crianças. É responsabilidade do mais saudáveld os dois tomar alguma atitude.

Não, o alcoolismo não some sozinho.
Não, o alcoolismo não se cura rapidamente, é um projeto de uma vida inteira.
Sim, o alcoolismo mata, mata nas ruas mas sobretudo mata sonhos, esperanças, amor, alegria, positividade. MATA.
Não, rezar não é suficiente.
Sim, você precisa fazer alguma coisa.
E, sim, deve ser JÁ.
Pare de chorar, venha pra luta.

Se quiser orientação, ajuda, acompanhamento, suporte, dicas: entre em contato. Mas além desses artigos e comentários não posso trabalhar de graça. Eu percorri esse caminho antes de você. Se eu consegui, você também pode. Minha solidariedade se realiza com esses artigos e minhas respostas a seus comentários, depois disso, é trabalho, amoroso e generoso, mas trabalho. Querendo falar comigo: atnhumanize@gmail.com.

Abraço
Adriana Tanese Nogueira

CARREIRA OU FILHOS?

Há mulheres hoje que renunciam às suas carreiras para cuidar dos filhos. Seria essa uma loucura? Uma volta ao passado?

Antes de responder, vejamos quem são essas mulheres.

Como integrante e ativista do movimento pela humanização do parto e nascimento, eu partilho de uma visão que se chama “maternidade ativa”.
O que significa isso? 

Significa exercer a maternidade desde o início, hoje seja desde a gravidez, se dando o direito de ter um papel de protagonista. O que leva necessariamente a desafiar muitos estereótipos, e a decidir com relação a como quero ser tratada, a como quero parir, a como quero que meu filho seja tratado no nascimento, a como quero criá-lo, educá-lo, que valores e prioridade passar-lhe, etc.

Qual é a diferença com relação a antes?

A diferença consiste na minha consciência que me faz pensar criticamente. Assim, a palavra do médico não é a palavra de Deus e as orientações tradicionais não serão assumidas sem antes serem criteriosamente analisadas. Irei me informar, perguntar, obter uma, duas, várias opiniões. Deixarei de bancar a menina ingênua para virar adulta, reconhecendo que a medicina hoje está baseada em lucro mais do que no amor ao outro, portanto exames e remédios podem ser úteis mas também são sempre e com certeza lucrativos. Logo, será mesmo que eu preciso?

Irei me antenar com relação ao parto e às consequências para mim e meu filho. Se eu o amo tanto quanto digo então tenho a obrigação de saber exatamente o que é melhor para ele, incluindo a ideia que segurança não pode significar abandono, violência, insensibilidade. Me sintonizarei com o meu bebê para compreender o que de verdade lhe faz bem e do que ele precisa para crescer de forma equilíbrada, tanto física quanto psicologicamente.

É graças a esse movimento de auto-transformação da nossa identidade de mulheres tradicionalmente passivas e dóceis que muitas escolhem continuarem a ter seu papel ativo como mães no lugar de terceirizar os cuidados de seus filhos. Esta não é uma tarefa nem fácil nem leviana, pois ser mãe hoje é geralmente estar só.

Quais são os benefícios disso?

Em primeiro lugar, poder exercer o papel de mãe de forma plena, evitando aqueles sentimentos amargos de culpa, que se enterram no fundo do peito. Significa reavaliar as prioridades, sendo o dinheiro e as aparências os principais, portanto significa ir na contra-mão da cultura materialista e superficial.

Em segundo lugar, permite conhecer de fato nosso filho. Como todos nós sabemos, qualquer relação para dar certo precisa de tempo. E como toda mãe sabe, o bebê chega e não entendemos nada dele! Somente aos poucos iremos decifrar cada modalide de choro e expressão. E as mudanças são tantas que assim que pensamo termos entendido tudo, nosso filho já mudou, está em outra fase do desenvolvimento! O tempo passado junto é o tempo de construção da relação e de co-criação de duas pessoas em constante mutação, mãe e filho.

Em terceiro lugar, uma mulher que dá um passo nessa direção, após ter tido uma carreira e estudos e dentro desse contexto da humanização, está conscientemente ou não sendo co-criadora de uma nova humanidade. Ela está semeando valores. Ser mãe deixou para estas mulheres de ser uma mera função biológica. Ser mãe é fazer história, é educação, é política.

Enfim, não ter uma carreira formal não significa não ser ativa socialmente e profissionalmente. Mulheres mães ativas reinventam o conceito de trabalho.


Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com