26/03/2017

EMOÇÕES: COMO FUNCIONAM

As emoções influenciam tudo em nossa vida. Acredito seja de conhecimento comum que existe uma relação entre como nos sentimos e o que acontece dentro da gente e nas relações da gente. Certo?

Agora, isso não significa que há sempre uma linha direta, causal, entre uma emoção reprimida (ou não) e nossos sintomas físicos e relacionais. Pensar assim é usar a mentalidade causalista que é simplória e miope diante da complexidade e profundidade de nossa realidade psíquica. Pior do que a ignorância é o conhecimento distorcido e banalizado.

Para entender como funcionam as emoções pensem no sistema hidráulico de sua casa. Para funcionar, precisa que os canos estejam vazios para que a água passe, certo? Se houver um entupimento, há congestação e eventualmente o cano poderá rachar, quebrar ou até explodir. Agora, não importa se o que entuipiu o cano é lixo ou ouro. Se está entupido o sistema inteiro não funcionará. A água, com todo seu peso, irá gravitar na direção de qualquer ponto fraco do sistema para vazar. Porque vazar precisa. Ou explodir.

A água são suas emoções, o sistema hidráulico seu sistema psíquico. Observe se não é assim mesmo que acontece em você: ocorre algo, você armazena tensão, positiva ou negativa, ansiedade, medo, raiva, um impulso de qualquer natureza e, no lugar de expressá-lo, o reprime. Se cala, se distrai com outra coisa, muitas vezes nega o que sente sem nem perceber. E vive assim um dia atrás do outro, engolindo muito mais daquilo que se dá conta de estar fazendo, porque uma certa hora se para até de perceber...

Esses conteúdos “energéticos” não sumiram, estão em algum lugar de seu sistema e, exatamente como a água parada, vão criar problemas. Com a água o segredo é: nunca deixá-la parada, certo? Com as emoções é a mesmíssima coisa. Mais paradas, mais problemas. Problemas que vão vazar por toda brecha possível, em sintomas, atos falhos, sonhos, momentos de “fraqueza”, quando se está desavisados... Certeza maior não tem: uma hora a coisa vai vir à tona e exatamente no lugar onde existe uma brecha – a brecha sendo o ponto mais vulnerável. Afinal, ninguém pode manter a guarda alta o tempo todo, certo?

E aí, um dia, se tem medo do que há do outro lado do muro interno... Muita pressão se acumulou (e tensão alta, ansiedade, depressão). É preciso abrir uma porta, mas... e se o portão for na verdade uma represa? O risco é chegar uma mortífera onda tsunami o que a consciência justamente teme porque significa a sua “morte”, um assustador perder a cabeça. Instintivamente, todos sabem. E por isso todos preferem tomar remédios no lugar de abrir a porta interna quando a tensão aumenta. Mas remédios não vão resolver.

O que fazemos então? Ampliamos (num trabalho terapêutico qualificado – porque precisa competência para isso) o aquário um pouco de cada vez. Melhoramos a comunicação entre as duas realidades, ajudamos o Eu da pessoa a reconhecer, aceitar e aprender a lidar com o oceano dentro dela. Nem todo o mar vai entrar ou mesmo precisa ou quer entrar em seu pequeno aquário, mas compreendam que um aquario minúsculo irá perceber uma poçinha de água como um oceano. Tudo depende da perspectiva! Qualquer seja o caso, precisamos ampliar as fronteiras e esclarecer a mente. Alternativas não conheço.

Por que isso é tão difícil? Por que as pessoas estão geralmente tão reprimidas?

1) Porque vivemos numa cultura repressora do nosso Eu interior, o que significa que é preciso engolir muito cocô para fazer parte, ser aceito, fingir de se sentir com autoestima alta, levar a vida adiante na selva social, sobreviver à família, escola, relações e quem sabe mais ao quê.

2) Porque vivemos numa cultura cartesiana que valoriza a razão em detrimento das emoções, não se dando conta, estupidamente, que todas as razões do mundo são destronadas por emoções irracionais, baixas e violentas. A história é testemunha, o presente é testemunha.

3) Porque, consequentemente, não se ensina a lidar com as emoções. Não existe o processo de ouvi-las, prestar atenção nelas, abrir a cabeça para algo novo. No lugar disso, se racionaliza, ou seja se aplica uma etiqueta conveniente (que não nos dê trabalho) por cima de uma emoção, nos iludindo de que a temos “compreendido” e “resolvido”. Tudo de mentira. Um tiro no pé. Colocar um durex para tapar uma brecha aqui, não vai frear a água de encontrar outra saída, outro sintoma.

4) E isso é super importante, ouvir nossas emoções significa se disponibilizar para as mudanças. E é aí é que o bicho pega. Emoções não são neutras. Elas têm conteúdo, nos comunicam alguma coisa. É como se você recebesse a informação de que teu marido está te traindo, foi visto e fotografado. Uma vez que você tem essa informação não tem como voltar atrás, terá que tomar uma atitude, certo? Pode ser um engano, e terá que descobri-lo; pode ser real, e terá que por em discussão a relação; poderá fingir que nada aconteceu, se convencer que é mentira de quem te falou e não querer mais saber nada... Mas quem é tão bobo para acreditar que esta estratégia vai dar certo?

5) Enfim, gente: unificar a mente e as emoções num todo holístico, funcional e harmonioso é a tarefa humana para o século XXI. Não se trata de culpar os pais ou a sociedade mas, reconhecendo os limites passados e presentes, assumir as rédeas do verdadeiro protagonismo que começa com a coragem de entrar de fato dentro da gente, para além da cultura de massa, e encontrar nossas verdades, no silêncio, na humildade, na tempestade e no amor que existe em cada um de nós. Aceitar que estamos aqui para ser transformadores e não clones de estereótipos. Desta vez, não são novas terras e ciências a serem desvendadas mas um novo si mesmo. As profundezas psíquicas precisam entrar a fazer parte da nossa vida consciente.

Emoções induzem à atitudes, ações, escolhas, dilemas, desafios. Emoções induzem mudanças. Em você, nas tuas relações, nas tuas escolhas de vida. Onde quer que seja.

No fundo, o Eu percebe isso e é por isso que as reprime. não só porque seus pais lhe ensinaram assim. Virou tanto um hábito como uma fuga.

Agora, se prepare, porém. Um dia o sistema hidráulico irá falhar e quando você menos espera.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Orientação Pais, Terapeuta Floral, Consultora, Palestrante e Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente. Consultoria em empresas e serviços de saúde. Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

19/03/2017

CRIANÇAS E TAREFAS DOMÉSTICAS

Descobri que as crianças podiam fazer tarefas domésticas quando tinha cerca de 10 anos. Morava na Itália, em Milão, e nossos vizinhos de apartamento, num bairro de classe média-baixa, tinham dois filhos, uma menina de 7 anos e seu irmão de 5. Lembro do dia em que estava na varanda, ao lado da delas e devo ter visto ou ouvido alguma coisa. Foi uma revelação! Refleti, admirada, sobre o fato que ambos faziam sua cama, ambos, incluindo o menino de 5 anos! Aquilo ficou gravado na minha mente.

Naquela época eu não fazia nada em casa, e muito menos meus irmãos de um e três anos mais novos. Repensando hoje acho triste. Mas entendo o porque daquilo. Minha mãe nasceu no sul da Itália, numa família pobre e por isso rigidíssima em termos de trabalho: era labuta cotidiana, sem piar. Acredito que ela não quisesse o mesmo para nós, afinal ela foi quase uma escrava, trabalhando sem folga pelo simples objetivo de contribuir para a existência e manutenção da família. Meu pai vinha de uma família de bens, do interior de São Paulo, onde casa e comida estavam sob os cuidados de uma empregada, como é esperado numa família “de classe”.

Ambos representam um quadro realista da atualidade brasileira. Há os pais que tiveram de menos na infância e que tendem a dar demais aos filhos; e há os que sempre tiveram uma mulher (empregada ou mãe) que fez por eles e que portanto acham que ser servidos é o jeito normal de viver. E há os que tiveram vida difícil e poupam os filhos das dificuldades. Todos estragam seus filhos.

Vivemos num tempo de enorme alienação da vida real, da vida ao vivo. As crianças não sabem mais que ovos vêm de galinhas e que galinhas são bichos com bico e penas que um tempo eram vivos antes de se tornarem nuggets. Crianças afogam seus neurônios em vídeo-games e são incapazes de enfrentar o mundo, conquistar seu espaço, saber lidar com a realidade do jeito que ela é. Crianças estão sempre mais gordas, mais preguiçosas, mais prepotentes, mais insensíveis. Vivem num mundo irreal envolto em fantasias e desejos, seus, de seus pais, da mídia de massa. Crianças estão desconectadas de si próprias, com os sentidos embotados sofrem e são medicadas perdendo a esperança de se encontrar novamente e serem um dia felizes.

Precisamos todos voltar ao básico da vída. Precisamos todos de mais simplicidade e humildade. Começa-se com as atividades domésticas. Sim, porque elas representam o pão de cada dia em termos de moradia. Todos precisamos de um teto, todos precisamos de um lar limpo, organizado, arrumado e por isso gostoso de se ficar. Todos começamos nossa vida num grupo. A família é a nossa primeira sociedade. Sentir-se parte ativa dela é motivo de orgulho para uma criança, lhe dá chão e ajuda a desenvolver maturidade. Lhe permite se situar, lhe ensina “como se faz”, a faz sentir parte do mundo de seus amados pais. Cuidar da vida material tem seu lado chato porque é repetitivo, mas isso é estar encarnados. Temos um corpo e precisamos comer, nos proteger, etc.

A boa pedagoga italiana, Maria Montessori, pensou numa educação que começa botando as mãos na massa, se sujando mesmo, aprendendo o básico e indispensável da vida. Não estamos num vídeo-game e não existem pais superpoderosos que podem providenciar ao infinito mimos e mordomias. Se queremos adultos conscientes, responsáveis e gentis, vamos começar a introduzi-los à realidade da vida, com amor mas também com sem dó. Lavar os pratos não é coisa de coitado, é coisa de gente independente e autônoma. Gente GRANDE.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Orientação Pais, Terapeuta Floral, Consultora, Palestrante e Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente. Consultoria em empresas e serviços de saúde. Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

15/03/2017

AMOR TROGLODITA OU A LOUCURA NO AMOR

Há pessoas que só conhecem o amor troglodita*. Elas podem ter doutorado e ser executivas, ser muito sociáveis e ter dinheiro no banco, mas isso nada tem a ver com a forma como amam. O amor troglodita é aquele que, entre outras tristezas, promove “brigas preventivas” e preenche os espaços da relação de fantasmas imaginários e argumentos ficíticios toda vez que uma potencial ameaça surge no horizonte.

No amor saudável se espera um relacionamento feito de afeto e carinho, com algumas brigas de vez em quando. Estas brigas variam de, digamos, civilizadas a irracionais, motivadas por ciúmes, insegurança, controle do outro, enfim uma série de fatores. Mas há mais.

O amor troglodita fomenta brigas por razões imaginárias. A pessoa, homem ou mulher, fantasia e ataca o outro. Quando este tenta explicar que aquilo é fantasia, a pessoa então muda a acusação. Ou seja, você desmascarar um argumento, a pessoa arranja outro, outra fantasia. Mudando o foco da briga, começa uma nova sequência de ataques. Quando a pessoa se vê sem saída, altera sua atitude, se faz de ofendida, magoada, “desrespeitada”. Ou seja, quer te faz sentir em culpa.

Enlouquecedor, não é? E totalmente real.

O amor troglodita é tão vítima de si mesmo quanto é carrasco. A pessoa em questão é extremamente hábil em manipular todas as suas relações. Ela tem raciocínio rápido e resposta pronta, os erros são dificilmente reconhecidos. É praticamente impossível discutir com uma pessoa dessas de forma lógica e racional.

O que fazer?

Primeiro, compreender. Tecnicamente, as características expostas acima refletem como acontece uma relação amorosa com um dependente químico, ou seja, alguém viciado em álcool ou drogas. Mas quem cresceu em meio a pais alcoólicos acaba do mesmo jeito. O vício é emocional.

A pessoa do amor troglodita é tomada por “algo” que a domina, e busca pretextos externos para explodir. Quando um não funciona passa para outro, não importando o conteúdo específico do problema levantado ou da situação apontada. O "manobrista" desse teatro está no inconsciente e a pessoa, convenientemente, evita tomar consciência. Toda desculpa é boa para desviar a atenção de si e colocá-la no outro. O dedo está sempre apontado para o outro, para atacá-lo ou para acusá-lo de estar atacando.

Há um marasmo de elementos que atuam e se perpetuam graças à manutenção da inconsciência. Este "manobrista" interior busca as brechas todas as vezes que acumula uma tensão interna que precisa descarregar. Projetando para fora de si os próprios fantasmas, os “gruda” no outro e assim se mantém cego de si mesmo. Estas válvulas de escape são periodicamente necessárias.

Segundo, agir. Quando a conversa democrática e racional não funciona, é preciso mudar de tática. A única possibilidade que se tem é de alguma forma tomar o touro pelos cornos ou, melhor seria dizer, pelos testículos. Desta forma o se imobiliza. Isto na prática significa agir de forma a solapar as bases da discussão assumindo atitudes concretas que coloquem a pessoa contra a parede. Com esse golpe visa-se espremer alguma verdade. Assim fazendo, estamos nós também encarando a nossa verdade.

Uma mudança é indispensável. Se a pessoa não está disposta a mudar, a procurar ajuda e terapia, se sua única forma de amor é a troglodita, então nos cabe nos perguntarmos se queremos permanecer no tempo das cavernas ou passar a um estágio mais avançado da evolução humana. E este passo é somente nosso - mesmo amando a outra pessoa e pelo seu bem.

O amor troglodita vive e prospera graças à conivência e cumplicidade de quem aceita baixa sua cabeça. Se essa não é a solução para você, então é você que precisa de ajuda.

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.



* Este artigo foi elaborado a partir de uma troca de emails que tive com meu pai quando ele estava elaborando uma relação terminada. A expressão “amor troglodita” é de autoria dele. Achei-a genial.



13/03/2017

MULHER, LOUCURA É SUA REVOLUÇÃO

No jargão popular machista, quando uma mulher incomoda, recebe dois apelidos: “chata” e “louca”. Ela é “chata” quando “reclama” e “louca” quando se expressa.

Assim como a “manha” da criança, a “reclamação” da mulher nasce de um lugar muito mais profundo do que parece. Um lugar que quer ser ouvido, que precisa de legitimação. Mas a voz verdadeira não sai e o conteúdo interior não reconhecido incomoda e aproveita qualquer brecha para se manifestar, e aí sai como “manha” ou “reclamação”. Por outro lado, quando a mulher fala o que pensa e expressa o que sente é chamada de “louca”.

Dizia Silvia Montefoschi, psicanalista italiana (1926-2011), que os homens amam os homens e transam com as mulheres. Com essa frase paradoxal, ela apontava para o fato que o amor dos homens é pelo masculino, pelos valores, atividades, modo de pensar, de ser, de sentir masculinos. Em seu mundo, a mulher é um alienígena, objeto de desejo mas também ser incompreensível. Alguém que não se sabe como “administrar” e que também não se tem lá tanta vontade de entender porque isso levaria o homem a sair de sua zona de conforto.  E nós sabemos o quanto confortável é esse lugar! Ser homem é nascer com privilégios.

Até os homens não aprenderem a amar as mulheres – isto é, a amar o feminino, os valores femininos, as prioridades, o modo de sentir e de pensar femininos – elas continuarão a ser loucas e chatas. Mas como poderão os homens amar o feminino se as mulheres ainda não o fazem?

A sociedade está pautada sobre valores masculinos diante dos quais a mulher e sua vida são secundários, um empecilho até – como fica claro quando um jogo de futebol vale mais do que a morte (com esquartejamento) de uma mulher pelo goleador que é contratado  aplaudido assumir o homicídio.

Toda mulher, consciente ou inconscientemente, sabe que corre um risco ao se opor à vontade masculina. Seu medo é instintivo e baseado em milhares de gerações de mulheres antes dela. O preço da desobediência ao macho é sempre altíssimo. Teme pagá-lo ou inconsciente das consequências se omite e se faz cúmplice  para conseguir “um lugar ao sol”. Com isso vende sua alma ao diabo. O machismo se sustenta graças a uma ampla base feminina. Nesse 8 de março vamos ser honestas e dizermos que: algumas mulheres conquistarm direitos para todas. Não ganhamos mais porque não somos todas ainda.

Eis o sonho de uma mulher em seu caminho de individuação: “Há uma pedra que os homens precisam e que somente as mulheres podem lhes dar. Essa pedra é a criptonite, que é a pedra do Superman, a que lhe tira os superpoderes. Mas elas dizem que “eles não merecem”. A sonhadora, entretanto, consciente da necessidade de levar adiante essa missão, vai atrás da pedra e a consegue e descobre o quanto isso é difícil.”

As mulheres têm “dó” dos homens, dó de mostrar a eles que são humanos e não superheróis, dó de desmontar a fantasia do Superman. Mas é preciso fazer isso, fazer o herói cair do cavalo, como diz o sonho de um homem em análise: “Ele se vê tendo que carregar para cima e para baixo um boneco inflável do Superman. Sente-se exausto.”

As mulheres maternalmente protegem os homens de suas verdades e assim fazendo se supercarregam e se colocam para baixo. Para desmascarar o rei e mostrar que está nu, e que não é nenhum superhomem, é preciso da coragem que vem da consciência de que só elas podem parir um mundo novo. Um mundo onde ele se livra de seu complexo de superioridade e ela aquele de inferioridade.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.