16/01/2017

CRIANÇAS DESORIENTADAS, CRIANÇAS AGRESSIVAS

Kim John Payne diz que em décadas de carreira como school conselour nunca encontrou uma criança ou um adolescente agressivo. Encontrou jovens desorientados.

Essa perspectiva faz uma grande diferença. Nos diz que a agressividade vem do sentimento de estar desorientados, confusos, perdidos. Estamos desorientados quando não sabemos o que fazer, por onde ir, como entender e se entender. O que está nos acontecendo? O que é isso que eu sinto? Como lidar com uma situação nova, inesperada, difícil? Sem orientação nos sentimos perdidos. As crianças precisam de líderes. Sem a direção sentem medo. E têm raiva. E dirigem sua raiva para os adultos que delas deveriam cuidar, os pais em primeiro lugar.

Agora, os pais, por sua vez, podem nem saberem o que está acontecendo com eles mesmos! Pouquíssimos tiveram uma criação que gostariam de repassar aos filhos, e muitos não tem sequer tempo para parar e pensar no que diabo suas crianças precisam – além de tudo o que já dão. Entretanto, cabe a  nós adultos arregaçarmos as mangas e fazermos espaço em nossa agenda para nossos filhos, cujas necessidades mudam a cada fase do desenvolvimento e a cada mudança na vida familiar, na escola, entre os amigos, etc. Se não nos darmos esse trabalho, o boomerang retornará contra nós, sem a nossa guia, as crianças irão buscá-la junto aos amigos. E podemos, um dia, descobrir que temos em casa um estranho que nos trata com o mesma falta de consideração com a qual ele se sentiu tratado por nós.

Voltamos então a Payne, autor de diversos livros voltados para ajudar os pais a criar crianças resilientes e famílias mais unidas e fortes. A direção que as crianças precisam de direção deve ser dada de forma firme mas tranquila, sem críticas e sem fazer a criança se sentir errada ou inferior. É normal que ela não saiba, que precise de ajuda e que nem sabe que precisa de ajuda. Cabe-nos ir-lhes ao encontro e, metaforicamente ou não, pegá-las pela mão.

E nisso entram os limites, que muitas vezes os pais não sabem dar. Existe um pudor em dar limites, o que é errado. A negação deve ser encarada, diz Payne, como uma definição de valores. Dizemos “não” a atitudes, linguagem, modos, gestos que não pertencem aos valores da nossa família. O que remete por sua vez à questão da identidade: quem somos? O que queremos ser? Os pais precisam se perguntar isso e definir sua identidade como família. A partir dela, certos comportamentos serão incluídos e outros excluídos. Simples.

Agora, é importante prestar atenção num detalhe. Quando a criança está “acting out”, ou seja está se comportando mal, ela está comunicando algo aos seus pais em primeiro lugar, isto é que ela está se sentindo desorientada, e que por isso está como medo, e que do medo vem a agressividade, e ela está pedindo ajuda. A tarefa dos pais é compreender o que ela precisa. E aqui está o ponto: cada um olha o mundo a partir de seu horizonte. Se não abrirmos um pouco mais a cabeça, não só em largura como em profundidade, continuaremos sem entender nosso filhos. Não basta usar uma linguagem educada e controlada quando as crianças são malcriadas, se por dentro nos sentimos explodir. A criança vai perceber e se ligar na explosão. Tenhamos cuidado para não cair na “educação politicamente correta” que teme olhar de frente para o furacão. Educação funciona com amor e honestidade.

John Payne dará a palestra "Exclusion: So Hurtful, So Subtle", nesta sexta, 20/01, em Delray Beach, no  Duncan Center Chapel, na 15820 Military Trail. Interessandos contatem: Paula Betancur no 561.654.4037.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, WhatsApp, telefone. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

09/01/2017

NEM TODOS GOSTAM DE VOCÊ, E DAÍ?

Todos queremos amor. Amor se expressa na união. Em família, entre amigos, com o/a esposo/a, com os colegas. É da natureza humana querer estarmos juntos. Para que isso aconteça, porém é preciso que gostemos e sobretudo sejamos gostados. Assim como buscamos a união, buscamos ardorosamente ser amados, aceitos, gostados pelos outros. E aqui começam os problemas.

Nem todos gostam da gente, assim como nem de todos nós gostamos. Por mais esforços que façamos, não é possível gostar de todo mundo. Somente pela hipocrisia conseguimos fingir uma simpatia e interesse que não temos. O que interefere é nossa diversidade. Somos diferentes uns dos outros, e não só nas coisas mais simples, como diferentes gostos de comida ou torcida de time, somos diferentes nas escolhas de vida, na visão de mundo, na ética e prioridades. É aqui que os problemas se fazem mais dolorosos.

Muitos confundem união com fechar os olhos, outros confundem ser a si mesmos como isolar-se e “mandar todos àquele lugar”. Todos sofrem. Não temos como estarmos bem com os outros sem antes estarmos bem conosco, precisamos sentir um mínimo de coerência e integridade interior, porque viver na hipocrisia não se sustenta por muito tempo. Por outro lado, o rancor que o não se sentir aceitos produz machuca a alma de cada um.

A solução para esse dilema muito humano começa por um processo interior de se aceitar. Naturalmente a aceitação do outro vem primeiro, pois tudo começou lá na primeiríssima infância, quando a aceitação dos pais era indispensável e o primeiro passo para todos os outros na vida. nem sempre aquele primeiro passo foi dado, como se diz, como o pé direito. Mas qualquer que tenha sido nossa história pregressa, uma certa hora o problema é nosso. Todos nos defrontamos com a questão de nos aceitarmos, ou seja, precisamente: aceitarmos como diferentes dos outros. Aceitar nossa diferença, nossos desafios, nossas dores, nossa sensibilidade, nossa angústia, nossos anseios, nossas vozes internas que não calam, nunca. Aceitar-se e somente então começarmos a nos amar.

Está aqui o fundamento da real possibilidade de conviver pacificamente com os outros. Aceitar-se e amar-se faz toda a diferença. Somente nessa condição é possível aceitar o não amor do outro, a não preferência do outro. Somente assim é possível “viver e deixar viver”. Sem precisar de hipocrisia.

Se trata de um gigantesco passo ético e responsável de cada indivíduo e do grupo como um todo. Muitos dos conflitos familiares e sociais nascem justamente porque uma pessoa não se sente aceita. A dor da rejeição escala numa angústia interna que se torna insuportável e leva a medidas drásticas que não resolvem de fato nada, só aprofundam a ferida. E todos sofremos.

Frequentemente, a situação é mais fácil de se consertar do que parece, mas a dor tende a nublar a visão, rende cegos. A ferida precisa ser curada e isso ocorre quando, após o primeiro passo dito acima, nos comprometemos na criação de uma dimensão de unidade na qual o diferente seja realmente possível, na qual não precisamos nos sentir amados por todos. Na verdade, que algumas pessoas não gostem da gente é um sinal de que estamos no caminho certo! No nosso. O importante é respeitar-se e aceitar que há uma variedade enorme de possibilidades de ser, e sobretudo de sentir e interpretar o mundo.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

02/01/2017

SER PAIS PODE SER MAIS SIMPLES DO QUE PARECE

Criar filhos não é mais uma coisa “óbvia” e “natural”; ao contrário, um dos maiores desafios atuais é a educação dos filhos. Vemos, por todo lado, inúmeras dificuldades com as crianças e das crianças. Vivemos num mundo que exige demais delas e de seus pais, um mundo em constante e rápida mudança, que concede pouco tempo para as relações ou mesmo para si mesmos. Na roda-vida diária as crianças hão de crescer e de “se comportar”. Queremos crianças comportadas que não incomodem ou felizes e criativas? Haverá uma “fórmula” para termos ambas?
Podemos começar com refletir um momento sobre um autor interessante que trabalha com crianças e adolescentes há décadas e que tem uma visão mais sutil e profunda das correntes tradicionais comportamentais e regulatórias que encontramos tão facilmente em escolas e consultórios psicológicos da main stream.
Kim John Payne, consultor para escolas, educador de adultos e pesquisador, dá voz ao sentimento coletivo de que há algo errado com esse excesso de estímulos e “coisas” e “compromissos” que temos e damos às crianças. Será por um acaso que ele mora com sua esposa e dois filhos numa fazenda no Hampshire? Como educador ele tem dois objetivos: por um lado ajudar os pais a implementar valores e princípios tidos como  referência, por outro fortalecer e aprofundar os vínculos. O resultado é: famílias resilientes e alegria genuina correndo pelas veias de todos.
Payne é o autor do best seller Simplicity Parenting. Using the Extraordinary Power of Less to Raise Calmer, Happier and More Secure Kid, publicado pela Random House Penguin em 2009. Nesse livro, ele oferece um caminho praticável e efetivo para simplificar quatro áreas da vida familiar com o objetivo de reduzir o estresss nas crianças e nos pais, dando espaço para mais relação, criatividade e relaxamento.
As quatro áreas a serem simplificadas são:
1. O ambiente físico: esvaziar as casas. Casas lotadas de objetos, móveis e coisas estressam. Casas não são depósitos, precisam conter o essencial para a vida de seus habitantes. Nada demais.
2. Ritmo: aumentar a previsibilidade introduzindo momentos rítmicos para conexão e calma. São os famosos rituais: passar de uma atividade para a outra via transições repetidas e suaves (nada de mecânico e artificial) que marquem a passagem e literalmente introduzam o momento seguinte com seu novo estado de espírito e perspectiva.
3. Programação: aleviar as programações que ele chama de “violentas”, termo forte que aponta para o efeito violento na alma das crianças, seres em desenvolvimento que acabam vezes demais por não terem tempo por respirar e se localizar entre uma atividade e a outra. Colocar o Ser acima do Fazer.
4. Desligar: reduzir a influência das preocupações dos adultos, da mídia e do consumismo sobre crianças e famílias para aumentar sua resiliência e inteligência social e emocional.
Payne garante que dando passos nessa direção, que é a de literalmente simplificar o espaço físico, emocional e mental de casas e famílias, as crianças serão mais calmas e felizes, serão mais capacidade de se inserir de forma positiva no social, terão mais concentração na escola, serão mais obedientes em casa e terão menos problemas com alimentação.
Obviamente, isso exercitará uma reação boomerang positiva sobre seus pais que terão mais claro o que querem como pais, estarão mais unidos entre si e disporão de mais energia para a construção do vínculo, de momentos de relaxamento e diversão.
Para os interessados, John Payne estará em Delray Beach dando a palestra "Exclusion: So Hurtful, So Subtle" no dia 20 de janeiro, no  Duncan Center – Chapel, na 15820 Military Trail. Nos vemos lá!

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

30/12/2016

MEDITAÇÃO PARA UM NOVO COMEÇO

Eis que termina mais um ano. Vamos fazer uma metidação. Parem tudo por cinco minutos. Sentem num lugar tranquilo, relaxem. Se certifiquem que os celulares estão desligados e que ninguém poderá interferir em seu espaço energético por cinco minutinhos.

Agora, se imaginem entrando num belo jardim. A grama é verde e perfumada, há muitas flores coloridas em volta, o céu está azul e lá, mais para frente, está uma árvore, grande e frondosa. Dirijam-se para para ela e se sentem sob seus galhos. Olhem para o alto, além das folhas, o céu azul. Observem as núvens, seu movimento lento, impessoal e suave.

Revisitem então o ano que está terminando. O que aconteceu? Muitas coisas com certezas, algumas repetidas, conhecidas, cansativas. Outras novas, diferentes, desafiadoras ou encantadoras. Com os olhos da mente, foquem em cada uma delas, sem se deixar levar por sentimentos, tantos de prazer como de dor, somente olhem, prestem atenção. Deixem que os eventos falem com vocês.

Em seguida, visualizem em suas mentes o novo ano começando. 2017 está aí, em sua frente. O que vêem nele? O que gostariam de ver?

Finalmente, foquem seus sentimentos, suas pessoas após anos de luta, de busca, de conquistas e sonhos. Quem se tornaram? Gostam do que vêem? E agora, projetem-se adiante no tempo e permitam que sua voz mais profunda se expresse. O que aparece no cenário imaginário de 2017?

Agora só falta você. Você alcançar seus desejos, materializar os projetos, abrir os caminhos. Mas antes, é preciso fechar as portas de 2016, deixar uma parte da bagagem, arejar a casa interior e abrir espaço para novas coisas aparecerem. Dirigindo seu pensamento para o que deseja, você atrairá o que está neles. Pensando corretamente você realizará seus sonhos. Enfrentando os inevitáveis desafios do caminho, você ganhará a força e a determinação necessárias para criar o futuro. Tudo é processo, tudo é crescimento. Nos cabe parar para refletir sobre nós, nossa trajetória e o que queremos ser. É como o artista que se afasta um pouco da obra para observá-la e conferir como está indo.

A virada do novo ano é um moderno rito de passagem. Ritos de passagem servem para demarcar uma transição, passa-se de uma condição para a outra, de um estágio da vida para outro. O reveillon é um resquício do que antigamente era  parte da vida normal de todas as pessoas, algo muito valorizado e respeitado. É a pausa entre dois tempos, o que dá o ritmo ao passo, a introversão antes do novo ciclo de expansão. A vida é feita de momentos e de passagens, reconhecê-los ajuda a psique a se recompor, a fazer a necessária revisão do antigo para a chegada do novo.

Espansão é a palavra chave da vida. Expandir os conhecimentos, fazer experiências e ampliar a percepção. Do futuro nada podemos saber com certeza. Mas uma certeza devemos manter conosco: a certeza de que qualquer coisa acontecer, iremos transformar o que for em novos conhecimentos e lições, confiar em nosso taco e manter acesa aquela luz milagrosa chamada consciência.

Um Feliz Ano Novo a todos!


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.