30/04/2015

EGO E INCONSCIENTE

Adriana Tanese Nogueira


Na visão junguiana, o Ego é como uma ilha rodeada pelo mar. Nos identificamos com a ilha, somos a ilha: ela é a parte visível de nossa personalidade, o mar é a parte submersa, o que não se vê. Chamamos a essa parte de inconsciente. O inconsciente não é uma entidade, uma “coisa”. Inconsciente significa simplesmente aquilo que não é consciente, ou seja, o desconhecido, aquilo do qual não temos conhecimento e, muitas vezes, nem sequer imaginamos existir.

O Ego é formado pelos traços da nossa personalidade com a qual nos identificamos, seja porque gostamos deles seja porque os outros nos educaram/treinaram/influenciaram a que fosse assim (no bem e no mal).

O sistema psíquico é como qualquer sistema natural: ele tende ao equilíbrio. Um ecosistema pode estar poluído mas, a menos que sua situação esteja realmente catastrófica, ele encontrará um equilíbrio interno para sobreviver. Alguns elementos serão sacrificados, outros se desenvolverão mutilados ou doentes, mas o todo continuará a existir. Assim é a psique, assim é o Ego. Ele, como uma construção, pode ser torto e doente, mas ficará de pé, ou seja levará adiante as funções normais da vida, apesar de a poluir as coisas à sua volta com seus aspectos doentios.

Mas nós não somos somente o que achamos/pensamos/queremos ser. Há outras coisas em nós que não sempre percebemos e muito menos controlamos. E esses elementos também fazem parte do equilíbrio psíquico interno, mesmo que o Ego não se aperceba disso. E esses elementos também vão participar das escolhas que o Ego faz, que ele saiba ou não.

Finalizando, o que sabemos de nós (nosso Ego) nunca é o todo de nossa pessoa. Há um “resto” que está na sombra. Logo, se querermos ser honestos conosco precisamos enxergar essa condição total que corresponde a uma equação das muitas variáveis. Nós somos essa equação. Uma escolha honesta é aquela que lida com todas as possíveis variáveis e deixa ainda assim espaço para o imprevisível.

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