11/01/2010

Sherlock Holmes ou a função intuição extrovertida

Adriana Tanese Nogueira


A intuição é a capacidade de enxergar o que não está na superfície e que muitas vezes anuncia sua presença através de detalhes que parecem insignificantes ao olhar comum. O intuitivo deve poder estar desligado o suficiente do julgamento externo porque caso contrário não terá autoestima suficiente para prestar ouvidos ao que sua intuição diz.

E aqui está uma das mais difíceis coisas de se fazer. Geralmente a reação às intuições do intuitivo o consideram um preconceituoso, "interesseiro" ou com visão "não objetiva". Ou seja, tira-se validade de forma rotineira de todo conhecimento que não confirma o status quo. Isso parece um tanto demencial, mas é a pura realidade.

Tem razão de ser, porém. Se cada um fosse chutando o que lhe aparecer de repente na cabeça poderíamos estar num mundo de loucos. Há muitas fantasias soltas nas mentes confusas. Nelas os próprios preconceitos e desejos ocultos misturam-se com embriões de intuições. Mas é preciso de bom senso.

Sherlock Holmes é tudo menos que uma pessoa "normal". No filme que está agora na tela seu principal instrumento de trabalho é a intuição. Ele "enxerga" eventos que ocorreram sustentado no conhecimento e em sua habilidade de relacionar dados diferentes entre si. Sua intuição enraíza-se nesse terreno rico e e dá frutos maravilhosos. Toda intuição precisa de apoio para ser efetiva e confiável. Este suporte vem dos conhecimentos que se possui. Quanto mais profundos num determinado campo, mas a intuição funcionará. 

No caso de Sherlock Holmes, sua intuição é extrovertida. Ela está voltada para fatos externos, não por exemplo para os processos psicológicos próprios ou alheios. Nem por isso parece menos "maluca".

Mais interessante ainda, a intuição sherlockiana é potencializada pelos demais sentidos: visão, paladar, tato, olfato e audição. Os cinco sentidos funcionam ao uníssonos, tendo o sexto, a intuição, como a apoteose da capacidade humana de perceber a realidade. Finalmente, o pensamento é o alquimista que faz a mágica de juntar todos os elementos e fazer surgir a verdade.

Este processo fantástico não é fantasioso. Requer observação, silêncio, estudo e ginástica mental. É o resultado da concentração interna, da curiosidade e dA liberdade interior para seguir os caminhos que a intuição oferece. Não importa onde ela levar. Mais uma vez, é preciso dar-se ao trabalho, ter coragem e encarar.


PS.: Veja também "Sherlock Holmes ou quando os neurônios estão em festa em Neurônios Vivos.

Um comentário:

  1. Opa! Ja achei o que eu perguntei no outro topico! Obrigada!

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