15/02/2010

Alcoolismo, entre vítimas e carrascos

Adriana Tanese Nogueira




"Como você pôde deixar teu filho nas mãos de uma drogada???"


Esta é a pergunta que Anne Hathaway (a do Diario de uma Princesa) personificando Kim faz à mãe no filme “Rachel Getting Married“ (Rachel está se casando).


“Mas você era boa com ele…”, responde perdida a mãe.


“Eu era uma fodida drogada!!“ Responde Anne/Kim, elecando todos os sinais de dependência claros já na época. Agora, em reabilitação e no processo de assumir suas responsabilidades, está na hora de interrogar a mãe. Esta foge da raia, não quer encarar, termina dando um soco no olho da filha (o que abriu e viu!), a qual retruca dando um tapa na mãe. E sai.


É assim que, entra a drogadição da filha e a omissão da mãe, o filho menor encontra a morte. Anne/Kim, deixada a cuidar do irmãozinho, pega o carro bêbada e drogada, acaba capotando no lago, se salva mas não consegue salvar o irmão e o vê afogar.


O álcool é responsável por 60% dos acidentes de trânsito e é um elemento em 70% dos laudos cadavéricos de mortes violentas. Fora o tabagismo, parece que o alcoolismo custa ao país mais do que todos os outros problemas de drogas juntos.



E o que custa a uma família?


Conforme a Wikipedia em português:

- O alcoolismo é uma doença.


- O alcoólico pode apresentar prejuízos relacionados com o uso de álcool em todas as áreas da vida (prejuízos físicos, mentais, morais, profissionais, sociais, entre outros).


- O alcoólico perde a capacidade de controlar a quantidade de bebida que ingere, uma vez que vence a ingestão (dependência química).


O problema do alcoolismo cresce na proporção do fingimento que se mantém em torno dele. Ninguém gosta de abordar o assunto e são muito poucas as famílias que encaram o problema. Aliás, geralmente é no lar que se aprende a fechar os olhos e a jogar o jogo da conivência.


Além da vergonha e da ignorância - as quais de qualquer forma não são justificativas para nada - muitas vezes encontramos outra realidade por baixo dos panos.


É sempre útil ter um bode expiatório em casa. Usar o alcóol para explicar as falhas do alcólatra é a mesma coisa que usar o alcólatra para esconder as falhas da família. Os desastres que o dependente cria fazem tanto barulho que obliteram as “pequenas” outras malandragens de cada um.


Ser “vítimas” é um método muito usado e para isso precisa-se de um responsável que carrega “todos os pecados do mundo” e é demonizado. Enquanto isso, os demais familiares, esposa, filhos e quem quer que seja, têm seu ganho lateral. Há quem se aproveita do salário do alcoolico, outros do nome, do status, e até das crises, porque as maluquices dele escondem as nossas próprias e falar dele evita as olhar-se no espelho - nós, os que somos tão bonzinhos…


Convive com um alcoólico? Precisa de ajuda?
Veja o link à sua esquerda: Grupo de suporte a famílias de alcoólicos. Participe!

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