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O conceito junguiano de Persona no mundo de hoje

Adriana Tanese Nogueira




A Persona é um conceito junguiano muito útil e prático, e facilmente compreensível.


A adaptação ao mundo nos exige determinado "formato", ou seja um conjunto de atitudes, escolhas, crenças, sentimentos e pensamentos. Esta “configuração” é necessária para nos encaixarmos no ambiente no qual nascemos e vivemos.


Desde crianças há uma cobrança sutil mas firme por parte de muitos pais, do ambiente e da escola na direção de um determinado “modo de ser“. É considerado “normal” esperar que os filhos se adaptem à imagem que seus pais têm
em suas cabeças e que existe, provavelmente, desde muitos antes do nascimento dos filhos. Essa imagem tem a ver com a identidade dos próprios pais, suas história, seus desejos não realizados e etc.


A criança terá esta “armadura” de uma tonelada sobre seu ser em desenvolvimento, tendo muitas vezes algumas compreensíveis dificuldades respiratórias (simbólicas ou físicas), sobretudo quando o modelo proposto pelos pais está muito longe do que ela carrega em si de forma inata.


Na escola irão encontrar a segunda série de modelos - templates :-) - para ter seu ser formatado. É evidente que irão instintivamente escolher os modelos que levam adiante o que aprenderam em casa ou, ao contrário, que estão em direta oposição aos familiares, no caso em que seu ser lá no fundo do peito ainda berre para ser ouvido.


Uma vez crescidas, já domadas e moldadas, irão escolher as profissões que personificam o modelo ou parte dele, ou ainda as aspirações inerentes ao modelo - sendo a derradeira tentativa de auto-compreender-se a escolha de fazer psicologia na faculdade.


A Persona é o produto final de uma série de adaptações entre o que o mundo de fora exige, começando pelos pais, e o que temos dentro de nós. O resultado não é sempre dos melhores. Por exemplo, a pessoa que sofreu uma grande repressão em casa terminará identificando-se com o modelo repressor, ou então tornando-se um rebelde, e desperdiçando boa parte de sua juventude até ter que dobrar a cabeça e encaixar-se no sistema, ou ainda parecerá um “desadaptado”, uma pessoa de pouco sucesso que não se dá bem na escola, que demora para encontrar seu caminho profissional e que mantém uma atitude infantil perante o mundo.


A Persona tem sempre base em algumas características de nossa personalidade, nem sempre porém reveladas em sua melhor forma. Um ingrediente que numa comida é formidável em outra ou em dose excessiva ganha um sabor horroroso. Por isso, precisamos sempre considerar o contexto tendo uma perspectiva maior onde inserir a realidade de cada um para fazer jus à sua verdade (nem por isso ser indulgentes).


É claro, agora, que a Persona é a máscara com a qual penetramos no teatro do mundo. Sua mais poderosa justificativa de ser é que precisamos ser aceitos para pertencer ao grupo, desde o que temos na nossa frente, a família, até a sociedade. Queremos também ser amados e quem sabe termos sucesso. Todos desejos legítimos. Mas o preço que pagamos é termos partes pequenas ou grandes de nós amputadas.


A parcial verdade que a Persona incarna é destruída pela própria parcialidade. E é então que perdemos “a alma do negócio”, nós mesmos.

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