14/05/2010

Arquétipos do inconsciente coletivo


Adriana Tanese Nogueira


          Por baixo da singularidade individual há um terreno comum subterrâneo de onde a natureza humana surge e onde ela mantém suas raízes.
          Estas fundamentas profundas e interiores (o inconsciente coletivo) têm áreas de concentração que se desenvolveram ao longo dos muitos séculos de vida humana. Essas regiões psicológicas são organizadas por temas, possuindo um centro circundado por uma periferia. Mais habitantes essas regiões têm, ou seja, maior o tráfico que elas produzem, mais poderosas elas são, o que significa que elas atrem para si muita energia.          O nome técnico para essa áreas de concentração na psique é “arquétipo”. Arquétipos foram identificados pela primeira vez por Carl Gustav Jung (1875-1961) em suas pesquisas empíricas a respeito do funcionamento da psíque. Ele chegou à conclusão que os arquétipos são imagens, mais precisamente são produtos imaginais dos próprios instintos, resultado da experiência humana nos milênios de sua existência.
         Arquétipos se perpetuam de geração em geração e existem porque os seres humanos desde o começo do tempo tiveram que lidar com os mesmos tipos de situação: nascimento e morte, amor, sexo, casamento, guerra, comunidade, sobrevivência, e muitas outras. Se a biologia diz que as creaturas viventes podem desenvolver uma habilidade ou um órgão e passá-lo adiante geneticamente, por que não haveríamos nós de repassar os signifícados essenciais de nossa experiência humana?
         A psicologia que foca sobretudo os arquétipos é chamada de “Psicologia Archetípica” e seu primeiro representante foi o psicólogo James Hillman. Ele afirma que muitas das nossas doenças sociais e neurosis vêm de termos ignorado e reprimido alguns arquétipos básicos sobre os quais nossa saúde e equilíbrio baseam-se.
         Arquétipos são susceptíveis de serem trabalhados de diversas maneiras. Como sua natureza simbólica sugere eles representam pontos de vista e formas de expressar uma verdadeira única. Sendo uma imagem, o arquétipo é facilmente absorvido pela consciência mesmo quando a mente não pode traduzir seus significados. Sua essência não racional reúne uma variedade de aspectos humanos numa figura só.
          Para reconhecer por si mesmo um arquétipo que influência sua psique e as de outras pessoas, preste atenção ao que sente, aos seus sonhos, comportamentos, reações, palavras e desejos. Se você observar de perto, notará um padrão. Indo mais fundo e comparando os fatos psicológicos de diferentes pessoas, você notará modelos de comportamento, uma inteira scena de vida pode estar representada. Se então você se preocupar em distinguir os elementos subjetivos do material comum, dar-se-á conta que está lidando com um tipo de matéria abstrata, como se fosse um rascunho ideal. Como todo rascunho, esse também pode ser transformado numa variedade de objetos de diferentes estilos e cores - tantos quantos as pessoas que há sobre a Terra. Este é um arquétipo.

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