22/05/2010

O peso da existência


Adriana Tanese Nogueira

O peso da existência recai como uma carga enfadonha sobre os ombros do viajante solitário. Ele olha dos lados, deseja o que os outros têm. A grama do vizinho parece sempre mais verde. Não pode, porém, ele se enganar, muito bem sabe que em meio a sorrisos e festas há muitos outros viajantes solitários - só que estão mascarados.

           O viajante avança, duvidoso do que irá encontrar, temeroso de ver repetir-se as mesmas conhecidas dificuldade: falta de abrigo e sustento, falta de acolhimento e amizade. A carga do viver sacode suas certezas. Muito já andou e sofreu, muitos lares e pessoas já encontrou. Agora, pergunta-se ele, será desta vez diferente? Há de ser. O chamado no peito pulsa sua concordância, mas o viajante está cansado desejoso de um copo de água.
           Quer parar e tomar fôlego. Avista uma fonte debaixo de uma árvore e para lá vai. Enquanto bebe a fresca água reflete sobre o inarredável peso da existência. Nada pode fazer a respeito, a não ser tornar suas pernas mais fortes para aguentar a caminhada, aconchegar seu coração para manter-se firme e seguir adiante. O destino como necessidade, a esperança como baluarte, a fé como guia.

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