Pular para o conteúdo principal

Invasão nuturna espiritual: uma possível razão paras suas noites mal dormidas


Adriana Tanese Nogueira

Há noites nas quais não se consegue dormir. Inquietos nos reviramos  na cama e nos sentimos agitados. Desesperadamente cansados, sequer conseguimos abrir os olhos; tudo o que desejamos é dormir, afundar naquela inconsciência que nos abençoa com sua ação revigorante.


          Pensamentos confusos vão e vêm, idéias e sentimentos, pessoas e eventos do dia anterior. Você não quer pensar neles, não tem interesse, eles não são realmente importantes. Por que, então, essas coisas estão incomodando? Por que fazem tanto barulho? E você continua virando à direita e à esquerda, e se tornando exausto.
          Há várias razões para ter noites ruins, da mais banal, tipo um estômago sobrecarregado que está tendo dificuldade em digerir comida demais, até a preocupação a respeito do aluguel do mês que vem. Você também pode não estar dormindo porque precisa acordar para certas partes da sua vida e se dar conta do que está em jogo. Se durante o dia você evita a consciência de algo, estará sendo perseguido à noite. Mas há alguma outra coisa que poderia estar acontecendo: você está sendo espiritualmente invadido pela presença invisível de alguém.
          Invasões espirituais por pessoas vivas são responsáveis por noites ansiosas quando você não consegue superar o relaxamento superficial para, de fato, dormir. Pensamentos e sentimentos desordenados misturam-se em sua cabeça e você não chega a entender o que está acontecendo. Sente-se distraído e, ao mesmo tempo, concentrado em algo do qual não tem realmente consciência. Isso porque você pode não estar sozinho. Pensa: você conseguiria dormir tendo uma pessoa ao lado que o observa intensamente? Acho que não. Apesar da pessoa não lhe tocar, sua presença, isto é sua energia vai interferir com seu sistema.
          Se as pessoas têm esse efeito não-material umas sobre as outras, por que a mesma coisa não aconteceria sem a presença física? Pode parecer estranho pensar assim por causa da visão materialística à qual estamos acostumados, entretanto, qualquer um reconhece a influência positiva ou negativa que as pessoas espalham à sua volta pelo simples fato de estar por perto. Percebe-se a diferença entre uma casa cuidada com amor onde vive gente em harmonia, e um lugar cheio da raiva e do desespero de seus habitantes. Tem-se uma sensação completamente diversa em cada um desses lugares.
          Vamos, agora, imaginar alguém que intensamente odéia, ama, quer ou precisa de você. Esta pessoa não está dormindo ao seu lado, talvez ela nem mesmo viva em sua casa ou cidade. Não importa onde ela esteja. A presença material de seu corpo é irrelevante nesse contexto, o que importa é a intensidade de seu pensamento para cima de você.
          Não se trata de um simples, “pensamento”, não é uma sequência de palavras logicamente organizadas. Se você prestar atenção, um pensamento para ser poderoso deve estar impregnato de afetividade. Os pensamentos que se fazem presentes são aqueles embebidos de sentimento e emoção, eles são vivos. Mais forte o sentimento for mais forte a presença da pessoa perto da sua cama, e pior sua noite.
          Estariam essas pessoas conscientes do que fazem? Não sempre. Vamos imaginar um casal que está apaixonado e feliz, eles sem dúvida vão sentir um ao outro mesmo a quilômetros de distância. A conexão pode na verdade fazer suas noites melhores. Mas aqui estamos falando de noites mal dormidas. Pedintes e carentes têm potencial para incomodar suas noites (e também seus dias). Mas os piores de todos são os que lhe amam, odeiam, querem, etc., mas os fazem negando seu verdadeiro sentir, elas reprimem e vivem um faz de conta. Os que mentem para si mesmos são o problema.
          Visto que qualquer coisa que é recalcada no inconsciente cresce até ficar fora de controle, essa atitude corresponde a alimentar uma cisão interna à la Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Essas simpáticas pessoas, divididas e inconscientes, que perturbam suas noites têm repudiado o que sentem dentro, fato que facilmente leva à obsessão. Por uma série de diferente razões (ego, orgulho, moral, hipocrisia, vergonha, etc.) elas estão vinculadas à fachada que as obriga a sentir e pensar de uma forma diferente daquela verdadeira. Do nosso lado, pouco nos importa como essas pessoas administram suas vidas, se tivessemos a agradável chance de passar noites de sono restaurador e independente.

Comentários

  1. É POSSIVEL BLOCKEAR ISTO?

    ResponderExcluir
  2. Sim, claro. Há de se fazer um trabalho psicológico e espiritual conjunto.

    ResponderExcluir
  3. Nossa! tenho varias noites assim por mais q me concentre em dormir. os pensamentos são sempre refletindo sobre um relacionamento com alguem que não expressa q eesta apaixoado por mim, por mais q suas atitudes digam o inverso.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O que fazer com um marido alcóolatra?

NOTA: Pessoal, estou com dificuldade em responder às suas perguntas porque a página está ficando "longa" demais, por isso criei esta outra página (O que fazer com um marido alcoólatra 2) para conversarmos por lá, ok? O Blogger está "em crise": comentários demais! O problema é graaaande, certo? Abraço, A.


"Bom dia Adriana,
Gostaria muito de um conselho, se é que isso é possível.
Em uma das minhas inúmeras buscas na internet por uma luz, um consolo para essa minha vida miserável de esposa de alcoólatra, estava lendo um texto seu "O que fazer com um pai alcoólatra" e resolvi lhe escrever.
Acho que eu e meus filhos é que estamos no fundo do poço. Meu casamento de 19 anos, um casal de filhos e a cada dia que passa fico mais perdida e desiludida. Já perdi a esperança de um dia viver em paz com meus filhos. Tenho aguentado tudo isso por eles. Meu filho mais novo (12 anos) gosta muito do pai e acho que não suportaria se eu o abandonasse. Fico nesse dilema: será q…

O que fazer com um pai alcóolatra

Adriana Tanese Nogueira 
Um leitor, após ler meu texto "Obsessores: quem como e por quê" me escreveu pedindo aconselhamento a respeito de seu pai. Infelizmente, o email acabou sendo deletado pelo sistema e respondarei a S.L. por aqui.
Em primeiro lugar, alcoolismo é alcoolismo mesmo quando a crise, resultado da bebida, acontece uma vez por ano. Que a pessoa beba todos os dias ou de vez em quando (como muitos gostam de chamar com um eufemismo, "socialmente") não importa. Deve-se atentar para o desfecho. O não-alcoólatra quando bebe muito passa mal, o alcoólatra tem uma crise violenta, exagerada, "possessa".

Alcoólatras agridem verbalmente as pessoas que mais amam, quanto mais próxima for a pessoa mais esta sofrerá. A agressão pode ser física ou verbal, mas é sempre de nível extremamente baixo. Parece que o objetivo do alcoólatra é acabar com o outro, frantumar sua auto-estima, afogá-lo na culpa, rasgar-lhe qualquer dignidade. Após ter vomitado violentemente t…

POR QUE ESQUECEMOS DA INFÂNCIA

Adriana Tanese Nogueira

Em minha opinião, aceitamos com demasiada indiferença o fato da amnésia infantil - isto é, a perda das lembranças dos primeiros anos de vida - e deixamos de encará-lo como um estranho enigma. S. Freud, Sobre a psicopatologia da vida cotidiana

Um dos motivos que, com certeza, provocam o apagamento de grandes partes da infância é o estresse vivido naquela época. No conto de fada que os adultos gostam de tecer a respeito das crianças consta que a delas seria uma época dourada, sem preocupações, contas para pagar, tensões, trânsito e relacionamentos difíceis. Balufas. As crianças sofrem e podem sofrer muito, e muitas delas têm uma vida do cão (estou falando de crianças "normais" vindas de famílias “normais”).
O fato delas não terem a consciência e o conhecimento de um adulto só piora as coisas, porque elas não podem dar nome ao que as machuca. Isto as confunde, as deixando ainda mais assustadas. Para pior as coisas e aumentar a perplexidade e confusão da crianç…