02/06/2010

Pão e Tulipas - o filme (2000)

Adriana Tanese Nogueira

Este delicioso e divertido filme italiano conta a história de uma dona de casa que é esquecida pela família durante umas férias de grupo. O ônibus dá uma parada num posto de gasolina ao longo da estrada, todos vão à lanchonete e ela vai ao banheiro. Para sua surpresa, a aliança escorrega do dedo e cai no vaso sanitário. Ela pega a pinça para tentar resgatar o anel, a pinça também cai no vaso. No final, ela consegue recuperar o precioso objeto, mas nessa altura, marido e filhos adolescentes estão longe. Ela espera, se pergunta como é que eles não se deram conta que ela não está no ônibus. Finalmente, do altofalante chamam seu nome, o marido ligou e está berrando, “Tava dormindo na privada?? Fique parada aí que estamos voltando.”
          Sentada nos degraus na entrada da lanchonete, ela aguarda… Passa uma mulher interessante, as duas trocam umas palavras divertidas e a próxima cena mostra a dona de casa pegando carona com ela com a intenção de voltar para casa. Do carro da mulher, ela passa para o de um moço. Puxando assunto ela descobre que ele vai à Veneza (bem mais longe de sua casa). “Puxa, nunca estive em Veneza…” diz ela, com olhar sonhante… E lá a vemos, chegando na cidade que bóia sobre as águas.
          Daí em diante, o filme mostra uma cadeia de eventos fortúitos e simpáticos que têm como protagonista essa mulher simples e amável que saboreia pela primeira vez na vida sua liberdade. Seguindo seu sentir interior ela vai aos poucos traçando um novo rumo para sua vida, suave e levemente, sem se importar com o marido que está uma fera. Ela lhe diz que quer tirar umas férias, todo mundo tira férias de vez em quando… E arranja um trabalho e… Não vou contar o resto. Vale a pena assistir.
          Este é um filme que tece harmoniosamente verdades profundas com a graciosidade de uma história contada com alegria. A atriz, Licia Maglietta é fantástica. Ela conseguiu personificar belamente a ingenuidade de uma dona de casa, com senso prático e generosidade, com uma feminilidade sofisticada, que como um luz mágica dá vida às vidas que ela encontra em sua jornada e, por final, à sua própria.

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