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Mostrando postagens de Julho, 2010

Mentir em terapia

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Adriana Tanese Nogueira
          Não são muitas, mas há pessoas que mentem em terapia. Mentem para quem? Para si mesmas, com certeza. Mas quem o terapeuta representa exatamente que é “preciso” mentir para ele?
          Na melhor das hipóteses, o terapeuta representa a consciência do paciente. Na pior, a mãe (ou o pai). Como a figura parental sempre foi uma referência de bom comportamento para a criança, revelar a verdade ao pai ou à mãe é como assumir e conscientizar-se do que se tem feito. Logo, a terapeuta é a vicária da mãe e o terapeuta do pai.

Sonhos rosados da infância

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Adriana Tanese Nogueira
          Quando se é criança, vive-se mergulhados no ambiente familiar. Para os que tiveram sorte, este ambiente emana calor humano. Apesar dos momentos de tensões, das brigas e desentendimentos, a família preenche a necessidade básica de sentir-se parte de uma comunidade; é o pequeno grupo no qual se está “em casa”, no qual somos conhecidos e conhecemos.
          Cada família tem seu estilo característico que é como uma marca de sua existência, estilo este construído

SEMPRE AMAMOS A PESSOA CERTA

Adriana Tanese Nogueira
Sempre amamos a pessoa certa, apesar dela ser a pessoa errada para a nossa vida, ou para o resto de nossa vida, ou ainda para fazer aflorar o melhor da gente. 
Amamos sempre a pessoa certa, e ele ou ela é sempre o príncipe encantado ou a bela princesa, apesar de poder sê-lo somente por uma hora, um dia ou um ano. O resto do tempo junto é ganho pela renda gerada naquele momento nutriente de amor.
Há sempre uma razão importante pela qual amamos uma pessoa, e entendo “amar” em

Intersubjetividade: a terra prometida

Adriana Tanese Nogueira
          “Amo você e não quero que nos separemos nunca”, disseram os amantes uma para o outro.
          Anos depois, uma argola de aço prende as ações dos dois, uma série de “não pode” faz parte do cotidiano de ambos. Eles ainda se amam, mas permaneceram juntos graças à muita concessão e meio termos. Passam mais anos e os dois ainda estão juntos, sua alma tão grisalha quanto seus cabelos. Sua vida é monotona, a gama das opções e vivências possíveis, com o passar do tempo, restringiu-se sempre mais. Eles estão cansados, seus emoções e pensamentos parcialmente anestesiados. Enxergam da vida somente uma pequena fatia. Ainda dizem amar-se, dentro do que é possível para uma alma em liberdade vigiada.           A relação desses amantes funda-se na fidelidade a um dogma, não questionável por princípio: a promessa/obrigação de não mudar. Suas  almas devem manter inalterada a configuração que está na base do encaixe original, até o final dos tempos. Esta é a conditio …

O que é interdependência

Adriana Tanese Nogueira
Dois pombos bicam o grão no chão quando um deles infla as penas do pescoço, vocalizza um hu-hu hu-hu hu-hu e anda em círculo em volta do segundo pombo que continua olhando para o chão aparentemente indiferente. Na verdade, seu comportamento é instintivo e finalizado, o segundo pombo vai andando com ar desinteressado e procurando comida, enquanto o primeiro continua atrás e em volta dele. Sua função é “testá-lo”, não é qualquer um que pode dar continuidade à espécie.           Esta é uma cena de um macho fazendo a corte à fêmea. Ambos têm inscrito geneticamente o próprio comportamento e o do outro, suas expectativas se casam antes mesmo de haver um acasalamento. Não há surpresas, dúvidas ou escolha, eles estão projetados há milhões de anos para a cena que assistimos e tudo o que devem fazer é deixar desenrolar o que está inscrito, ativando a mensagem e a resposta.           Interdependência é ter a própria identidade decorrente da do outro. Numa relação interde…

Por que algumas crianças não crescem

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Adriana Tanese Nogueira
Nadia, Mariana e Ricardo (nomes fictícios) são três crianças normais em todos os sentidos, se não fosse a estrutura óssea miúda e a estatura que melhor combinaria com uma criança de 5 anos, não de 10, que é a idade dos três. Mais interessante ainda, Nadia e Mariana têm irmãos mais velhos cujo tamanho físico é congruente com o dos pais.

Casa de Areia (2005), uma metáfora da vida

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Adriana Tanese Nogueira
Casa de Areia é um filme espetacular girado inteiramente nos Lençóis Maranhenses entre céu, areia e um punhado de atores. Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, mãe e filha na vida real e no filme, atuaram esplendidamente nessa história que captura um dos aspectos mais cruciais da vida: as circunstâncias.

QUANDO PENSAR FAZ MAL À SAÚDE

Observando as muitas idéias que me vêm na cabeça e seu desenvolvimento em longo pensamentos e raciocínios interessantes, percebo que se não as botar em prática na hora que chegam, ou muito perto disso, acabo por perder o ímpeto que levaria à realização. Parece que mais se pensa mais fica difícil agir.
De fato, pensar demais é nocivo e produz uma perturbação psicológica digna de muitas sessões de psicoterapia. O pensamento excessivo revela, na verdade, uma deficiência. As pessoas dotadas de pensamento ágil, as “inteligentes”, facilmente inflacionam esse dote e o transformam em algo tão prejudicial quanto a própria falta dele. O calcanhar de Aquiles de muitos “pensadores” é justamante sua falta de ação.
Quando os raciocínios funcionam e correm fáceis, acontece uma espécie de encantamento psíquico. Tem-se a sensação de que pensar seja suficiente, meio que se “esquece” de agir, tudo tende a ficar “na cabeça”. O “pensador” justifica sua “exuberância” de várias formas: ele quer “ter certeza”,…