Adriana Tanese Nogueira
Geralmente, uma mulher é vítima do homem a quem ela chama de “companheiro” ou “marido”. Entretanto, pode sê-lo também de várias outras pessoas, desde empregadores a pais, amigas/os e vizinhos. A “vítima” é quem vive uma relação de poder na qual ela ocupa o lugar fraco. O desequilíbrio de forças pode ser tanto físico quanto emocional, tanto financeiro quanto sentimental. Habitualmente, esses aspectos andam juntos, apesar que há sempre um que se sobressai.
Após um certo período de tempo, que pode ser de 1 a 20 anos (ou mais!), ela vai ter que cair na real. Saber que as coisas não estavam boas, isso ela com certeza já o sabia, e fazia tempo. A questão é tomar uma atitude. Ela “cai na real” quando não pode mais iludir-se de que “não é tão ruim assim”, “vai mudar” ou “preciso ter paciência”.
Ela foge da tomada de consciência porque:
1) pressente que o problema é “enorme”;
2) acha que é assim mesmo e não tem jeito.
Quando o “assim mesmo” chegar ao ponto de ser insuportável, ela irá ter que olhar na cara o “problema enorme”. Vai tentar manter-se de pé apesar da angústia terrível que está sentindo, ela irá procurar ajuda specialized, uma terapia por exemplo. É interessante observar que muitas vezes, na hora do despertar aparece uma pessoa para ajudar.
Aqui estão os passos para uma mulher vítima que quer libertar-se:
1. Agarre a oportunidade de ajuda que lhe se apresentar no momento em que tomar uma atitude.
2. Não tenha vergonha de contar por inteiro sua situação. Exponha-se.
3. Assim que dividir com essa outra pessoa, que muitas vezes é uma terapeuta e portanto não irá camuflar-lhe a verdade, você vai ter a impressão que seu fardo é maior do que antes. Isso acontece porque ao extravasar um problema você o enxerga com mais clareza e a conversa com uma pessoa consciente aumenta sua própria consciência. Logo, ao enxergar melhor o que vemos parece maior e, neste caso, pior.
4. Não deixe que o susto e o medo bloqueiem o movimento que acabou de começar. Continue, marque uma próxima sessão.
5. Enfrente um problema de cada vez. O susto pode contribuir para a bola de neve aumentar, mas nessa altura, enfiar a cabeça na areia não é a melhor opção.
6. Confie em você mesma e siga em frente. Caminhando vai crescer em força e segurança, e isso vai redimensionar o problema “enorme”.
7. Desconfie de todos os pensamentos e sentimentos que levam à conclusão de que precisa adiar o enfrentamento da situação ou a terapia. Geralmente, essas tentações são: medo (covardia), dinheiro, tempo e outras sereias.
8. Foque e use a ajuda que encontrou como muleta até poder ficar de pé sozinha. Você pode conseguir, não é a primeira e não será a última.
9. Seja honesta consigo (e com seus filhos, se tiver). Páre com mentiras, meias verdades e fingimentos. É assim que chegou na situação em que se encontra.
10. Não tenha dó de ninguém, nem de si mesma. Não pode haver amor onde há medo, manipulação e abuso. Ponto.

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