Adriana Tanese Nogueira
Confirmando, como dizem Jung e Montefoschi, que há uma evolução do Self ou do Ser que atravessa indistintamente fulano e sicrano, vindo lá das profundezas e nada tendo a ver com o ego, está surgindo um movimento interessante entre as mulheres, e acredito eu (espero eu) entre os homens também.
Mulheres não particularmente instruídas e que nunca fizeram terapia ou análise, mulheres que vivem em algum tipo de condição de submissão a seus maridos (física, econômica, mental e/ou emocional), ou seja, mulheres representando o papel tradicional da mãe e da esposa, com suas inseguranças, vulnerabilidades e sentimento de desamparo - qual mulher não conhece essas coisas? -, pois bem, essas mulheres estão se questionando a respeito da criação de seus filhos. Elas não querem que seus filhos cresçam referindo-se a um modelo de masculinidade ou de feminilidade que é retrógrado e prejudicial. Elas gostariam de evitar que seus filhos reproduzam o estilo de vida no qual elas e eles (os filhos) estão vivendo.
O interessante desse novo olhar feminino é que para salvar seus filhos de um destino que seria pela lei da inércia inevitável, as mulheres hão de se salvar primeiro. Eis que a maternidade se torna uma alavança no processo de libertação da mulher.
As relações familiares centralizam-se nos dois adultos, pai e mãe. Espelhando-se neles e na forma como eles se relacionam é que os filhos crescem, reproduzindo qualidades e vícios, hipocrisias, injustiças, e assim vai. Se a mulher quiser dar a seus filhos um futuro melhor, ela terá que modificar a forma como atua dentro de casa. Isto significa, em primeiro lugar, mudar sua própria forma de se relacionar com o papel de mãe e esposa, isto é interrogar o que parece "normal". Desse modelo social e psicológico abstrato que ela introjetou precisa distanciar-se e libertar-se para abrir espaço a um novo modo de ser mulher e mãe. Em segundo lugar e por consequência, ela estará modificando a relação com seu marido, ou seja questionando papeis, o dela como o dele, e vice versa, no caso em que haja um marido e pai mais consciente.
O que esta mulher (ou este homem) estará realizando é definir uma nova identidade para si própria, com novos valores, prioridades e atitudes. Qualquer seja o grau de evolução consciente que ela alcançar, estará sempre trilhando o caminho da libertação feminina (e masculino) porque a mudança implica romper com os modelos estanques de relaciomento de genêro, acerca do que é ser mulher, ser homem, e estar casados. O ganho é garantido.
O trabalho interior necessário é proporcional ao estágio a partir do qual a mulher começa seu processo. Há mulheres (e homens) que não aguentam, preferem manter os olhos entreabertos, evitar enxergar demais e ir levando, pois o caminho que deveriam tomar é percebido como grande demais para elas (ou são elas que se sentem pequenas demais?). Outras mulheres, talvez, são encorajadas pela sua ingenuidade e coração. Apesar do comodismo ao qual estão acostumadas, sua sensibilidade grita socorro e a voz de mãe em seu peito clama por salvar seus filhos.

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