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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Consciência

Adriana Tanese Nogueira
Consciência é discernimento. Ter consciência é sair da visão borrada, do entendimento confuso e do sentimento embaçado. Ter consciência é enxergar com clareza pelos olhos da mente, destrinchando, dividindo e unindo. É orientar-se e encontrar o caminho.

As “bobagens” que sonhamos

Adriana Tanese Nogueira
Imagine que um indivíduo desconhecido venha falar com você. Sons esquisitos saem da boca dele e você fica a pensar o que será ele está querendo lhe dizer. O indivíduo está vestido de uma forma estranha que você nunca havia visto. Você não está a fim de novos contatos agora e este demanda esforço demais. Há outras coisas em sua cabeça e você não tem vontade de parar para pensar mais do que já deve. E começa a ficar impaciente.

TOMADA DE CONSCIÊNCIA

Você vive nessa casa chamada Eu há muito tempo. Nela há vários cômodos e você tem seus espaços favoritos. Alguns cantos da casa estão constantemente iluminados, porque você passa muito tempo lá e conhece cada detalhe do local. Há quartos onde você vai só de vez em quando, se trata de experiências saltuárias que dependem da oportunidade e da companhia. Cada um desses cômodos, com sua mobilia, seus sons, cores e objetos, fala de você. E você está acostumado a eles.
Um dia, andando pela casa, você nota uma porta fechada. Por baixo dela só vê escuridão. A porta lhe é desconhecida e você, de repente, sente-se desconfortável. Quando passar por perto você não pára, mas segue em frente, como se nada estivesse lá. Porém, com o andar dos dias, aquela porta lhe chama a atenção. Você não vai conseguir evitar de ficar fantasiando a respeito do que tem lá dentro. E um dia começará a ouvir barulhos. Coisas estranhas e arrepiantes. Ou coisas intrigantes. Mas o medo continua, aliás cresce com a desesta…

Por que é tão difícil ser “si mesmo”? A problemática da individuação

Adriana Tanese Nogueira
          Ser “si mesmo” e ser “diferente” é uma idéia que ganhou espaço na cultura geral. É ofensivo acusar alguém de ser estereotipado, pois isso significa banalizar sua personalidade e é, basicamente, chamar a pessoa de estúpida. Estereótipos sempre são triviais.
          Entretanto, quem sair dos discursos fáceis e se venturar no caminho do ser “si mesmo”, irá logo descobrir que não é tão simples como as palavras fazem crer. Esta questão é o cerne da maior parte das problemáticas individuais, do sofrimento e desajuste social.

Primaveras raquíticas e crianças que não florescem

Adriana Tanese Nogueira
          Eu tinha uma bela primavera. Comprei-a toda florida, aliás, comprei duas, uma que dava flores cor de rosa intenso e a outra brancas. Elas começaram a trepar pelas grades da minha varanda, era lindo de ver, mas não chegaram a cobri-la por inteiro, como eu esperava. Após um tempo, as flores cairam, ficaram as folhas, depois estas também começaram a mostrar sinais de cansaço.

Pessoas Bidimensionais

Adriana Tanese Nogueira
Todos sabem que temos a geometria plana e a sólida. Na plana contam-se somente com duas grandezas: altura e largura. Na sólida, acrescentar-se a profundidade, que é justamente o que dá consistência tornando um objeto aparente e superficial num corpo firme, maciço, robusto.
          No mundo humano a altura representa o pensamento com seus ideais, sejam eles o da igreja ou os da mídia, sejam eles o carro novo ou o corpo perfeito. Deus e o demônio

Paixão, será utopia?

Adriana Tanese Nogueira
          É comum ver relações que começaram no calor moderado do entusiasmo imaturo da juventude se arrastarem mornas por anos afora. É do jovem ter visão curta da vida, por simples falta de experiência e de conhecimento, apesar dele em teoria ter mais fácil acesso à paixão. Entretanto, a paixão requer maturidade.
          Como fogo de palha, ralo e fraco, encantos juvenis se esvaem para deixar lugar ao “querer-se bem” do dia-a-dia, ao afeto recíproco e ao hábito. Muitas vezes mais hábito do que querer bem verdadeiro, pois quandos se quer o bem de alguém pode haver conflito com os interesses mais trivias. Barganha, eis no que se resumem muitas relações.

Como acabar com a pobreza

The End of Poverty? é um fantástico filme realizado em 2008 (para uma breve apresentação em português clique aqui). Nele é tratada a origem da pobreza no mundo, suas causas atuais e perspectivas futuras. São entrevistados personagens de vários países, inclusive brasileiros, seja os quem sofrem a pobreza (os pobres) que os estudiosos que têm algo a dizer sobre ela. Vê-se representantes da Tanzania à Bélgica, da Venezuela ao Kenia, e todos unânimes no panorama traçado.

Elsa, nascida livre, mas com um porém…

Adriana Tanese Nogueira
          “Elsa, Nascida Livre”, é um fantástico filme de 1966 que ganhou 2 Oscars, cuja história é ainda tão fascinante quanto na época em que foi lançado. É a história de uma leoazinha criada por um casal, com o qual desenvolve um forte vínculo.
          A leoa cresce tão afetuosa e presente quanto qualquer cadela bem tratada. Entretanto, com o tempo, Elsa começa a criar alguns “problemas”,

A IMPUNIDADE DO COITADINHO

Adriana Tanese Nogueira


“Coitadinho” é quem não tem condições, quem sofre de uma deficiência ou carência da qual não é diretamente responsável e, portanto, não tem poder sobre ela. Padece-a como uma necessidade, uma realidade inevitável. A limitação que atravanca a vida do coitadinho está além de seu controle. Logo, ele há de suportá-la e… os outros hão de tolerá-la.

Psicologia da impunidade social

Adriana Tanese Nogueira
          Traço da personalidade e da cultura, a impunidade é uma exceção ética que virou regra na sociedade em geral e na vida de mais pessoas do que imaginamos. Ela se define pela ausência das consequências que objetivamente seguiriam aos atos individuais, e aos coletivos.
          A impunidade é confortável porque, como um grande guardachuva que se estica indefinitamente, proteje a todos que nela desejarem encontrar abrigo para suas irresponsabilidades.

É um conceito inclusivo e tolerante porque quantas mais pessoas nela entrarem, maior será o ganho para todos. A impunidade é persuasiva, fortalecendo-se no número e na abrangência; sua dimensão psicológica é facilmente exportável, como um virus que se espalha em meio a uma população com sistema imunológico enfraquecido.            Pela impunidade temos dupla vida e dupla psicologia interna. Uma parte de nós, a que gosta de saber-se “séria” e “ética” professa valores e brande grandes conceitos, mas por trás…