16/08/2010

Como acabar com a pobreza

The End of Poverty? é um fantástico filme realizado em 2008 (para uma breve apresentação em português clique aqui). Nele é tratada a origem da pobreza no mundo, suas causas atuais e perspectivas futuras. São entrevistados personagens de vários países, inclusive brasileiros, seja os quem sofrem a pobreza (os pobres) que os estudiosos que têm algo a dizer sobre ela. Vê-se representantes da Tanzania à Bélgica, da Venezuela ao Kenia, e todos unânimes no panorama traçado.
          A pobreza é uma expressão da injustica social e se tornou um problema mundial que atinge a todos: aos pobres, pois a pobreza aumentou enormemente de 1970 para cá, e ao "mercado", pois pessoas pobres não pode consumir os bens que este produz, portanto, quem vende vai ganhar menos ou não ganhar nada. O sistema econômico no qual vivemos hoje é definido no filme como "falido". Chama-se "neoliberalismo", versão avançada do capitalismo.
          Vale a pena assistir o filme. Talvez, seja a primeira vez que publicamente num filme divulgado pelo mundo afora, representantes e professores de tantos países converjam na avaliação da situação e na sua explicação. A solução é a mesma que foi apontada na época dos anos revolucionários da América Latina, é a mesma que Marx preconizou. Hoje, uns duzentos anos depois, o prognóstico e a diágnose continuam idênticos.
          Conforme o entrevistado Clifford Cobb, um dos diretores executivos da Robert Schalkenbach Foundation editora dos trabalhos de Henry George e promotora da justiça econômica  para debelar a pobreza é preciso que:
1) os pobres digam “Basta!”, recusem a caridade e exijam justiça social;
2) seja realizada uma reforma agrária;
3) seja modificado o sistema fiscal que passa a cobrar mais pelas propriedades do que pelos salários;
4) os povos se reapropriem dos bens naturais, como, diz Cobb, ocorreu na Bolívia na luta pela água.
          Esses quatro pontos levam a reafirmar um dos marcos do comunismo: que os lucro excedente seja redistribuido entre a população e reinvestido no bem público. Marx aprofundou o conceito já existente em sua época de mais-valia, ou seja o lucro que “sobra” uma vez que são deduzidos custos e salários. Este “lucro grosso” é o que  Marx argumentou ser a base primária da acumulação capitalista e é o que Clifford Cobb sustenta ter de ser redistribuído à população.
          No social como no psicológico vale a mesma lei: quem está desconfortável é quem precisa se dar ao trabalho de mudar a situação. Nenhum reizinho descerá do trono para cedê-lo, assim totalmente de graça, a outrem. Como na luta da borboleta para sair de seu casulo, somente fazendo aquele esforço sobrenatural é que ela, a borboleta, ganha o direito à liberdade porque é agora que ela tem as condições para ser livre. Graças à luta, suas asas se tornaram fortes e podem levantá-la, sem a luta ela estaria caída no chão sem saber voar.
          A caridade social e a impunidade individual incrementam a fraqueza e a baixa-autoestima. Tudo o que se conquista na luta direta e pessoal tem outro sabor, abre horizontes. É por esse movimento individual e concreto que tanto a palavra “justiça” quanto a palavra “amor” saem do mundo das idéias abstratas e entram gloriosamente e de verdade na vida humana.

2 comentários:

  1. Quer você queira ou não, todos nós estamos envolvidos no que acontece no mundo. Qualquer que seja nosso padrão de vida, todos nós vemos um grande número de pessoas que tem um padrão de vida que ultrapassa qualquer proporção. Como se a pobreza não existisse. Entretanto, o fato de que a maioria dos habitantes deste planeta vivem na pobreza e que milhões estão sofrendo de fome, isto é nossa responsabilidade. Talvez seja necessário prestar atenção às causas reais para este desequilíbrio, a tomar consciência da grande necessidade de tomar ações que possam ser um encorajamento para uma melhor distribuição de riqueza entre as pessoas. "Cada consciência individual pode, por si só, tornar-se um incentivo para outros seguirem o bom exemplo e, desta forma, contribuir para uma visão coletiva, capaz de mudar o mundo inteiro." (Alex Mero)

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  2. Concordo com vc, Alex. A paz somente eh possivel na justica (equanimidade).

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