09/06/2015

COMO MUDAR O MUNDO COMEÇANDO JÁ

Pode não ser grandioso como pomposas ideologias, ou atraente como imaginar-se o líder das massas, mas todos possuímos o poder para mudar o mundo - e já. É uma questão de reconhecê-lo e de aprender a usá-lo.

Todos conhecemos a famosa frase “Só se pode mudar a si mesmos, não aos outros”. É uma grande verdade, mas não é toda a verdade.

Este modo de pensar nasce de cultura que separa sujeito e objeito, eu e o outro. Toda a psicologia que não é profunda – ou seja que não vem da psicanálise – promove essa visão. Cada um de nós estaria trancado em seu crânio e só poderia mudar a si mesmo. Portanto, tentar fazer o outro mudar – qual casal não passou por isso? – está fadada ao fracassada.

Isso tudo é certamente verdade mas é muitas vezes também deprimente. É uma forma de pensar que se de um lado nos obriga a nos melhorar, o que é essencial, também nos tira poder.

Numa perspectiva dialética, porém, ambos os aspectos são válidas, na verdade um não existe sem o outro: só podemos provocar mudanças nos outros se mudarmos nós mesmos. Mantendo o respeito pelo outro, sua personalidade e sentido de vida, nós temos como criar mudanças: através de nosso comportamento, palavras, escolhas, atitudes, posturas. Cada nosso ato endossa alguma coisa e tira valor de outra. Estamos conscientes disso? Parece que a maior parte das pessoas não está. Essas pessoas estão perdendo poder por pura falta de conhecimento e de auto-conhecimento.

Ninguém de nós existe num espaço separado, isolado dos outros. Cada um é o resultado de um conjunto de relações e de experiências. Ao saber mexer nesse “conjunto”, compreendendo do que é feito e suas consequências, temos condições de modificar nossa atuação no mundo e portanto estimular mudanças ou até mesmo forçá-las.

Quando nos concentramos em nós mesmos para nos melhorar mas o fazemos nessa perspectiva que se abre sobre o mundo, eis que toda transformação interna real atinge inevitavelmente os outros. Quando alguém muda de verdade todos à sua volta são influenciados.

Vemos isso constantemente ao negativo, por exemplo um sujeito que se entrega ao alcoolismo irá transformar (para pior) a vida de todos os que convivem com ele. O oposto também é valido, mas infelizmente muito menos comum: podemos exercer uma profunda transformação positiva no ambiente à nossa volta, estimulando as pessoas para evoluirem e crescerem.

Cada indivíduo é o centro de uma imaginária rede de contatos, cada qual é por sua vez o centro de outras redes de contatos e assim em diante. Logo, a ação nova, a postura diferente, a idéia questionadora, a escolha coerente irá atingir como uma onda a todos que pertencem à rede do indivíduo, e possivemente se extender além dela.

A mudança interna que não castra é aquela que inclui as relações com o mundo. Qualquer trabalho psicoterapeutico ou psicanalítico que não implica uma ação diferente do indivíduo no mundo é impotente, e todo auto-conhecimento que não gera consequências externas é incompleto. Tomar consciência é um movimento psicológico que provoca por necessidade interna uma correspondente ação externa. Se assim não for, não é consciência, é provavelmente mera racionalização.

Todos temos faca e queijo na mão para modificarmos a realidade na qual estamos inseridos para que ela se aproxime do que está em nosso coração. É uma questão de aceitar o desafio, saindo da posição de consumidores de estilos de vida prontos, para aquela menos confortável talvez mas enormemente mais entusiasmante e engajante, de criadores.

Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta transpessoal, life coach, educadora.
www.adrianatanesenogueira.org

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