30/09/2010

O DIREITO DE DIZER NÃO

Adriana Tanese Nogueira

Por não saber que elas têm o direito de dizer “não”, muitas pessoas, jovens e menos jovens, acatam o que recebem, sem discriminar e sem escolher. Uma das razões que justificam a “dificuldade” de dizer “não” é que não se acredita que se tenha o direito de dizer não. Talvez este seja o nó mais doloroso no qual cada um se amarra: por um lado tem-se dó de negar ao outro nosso “sim”, por outro, não nos autorgamos o direito ao não.


Mas a verdade é que somente quem sabe dizer “não” é senhor de si mesmo, está no domínio de sua vida, aliás, objetivamente tem uma vida. Os que só dizem “sim” são como os sem-tetos, não possuem um espaço individual que eles podem organizar e mobiliar conforme preferirem, onde convidar os amigos e viver do jeito que quiserem. Os sem-teto incapazes de dizer “não” prostituem-se para ter um abrigo da solidão e do abandono no qual eles mesmos se jogaram, pois quem só diz “sim” é inimigos de si próprio.
Quem se nega o direito de dizer “não”, perdeu a vida digna e amputou-se o direito inalienável à uma existência individualizadaa. Ser uma pessoa significa ter preferências e portanto excluir outras pessoas, coisas, assuntos e opções da própria vida. Somente o Todo topa tudo. O indivíduo topa só o que lhe diz respeito e o resto fica fora. Sem essa atitude corajosa de distinção e discriminação não há individualidade, mas mera e banal neurose.

Muita gente tem vergonha por não caber nos estereótipos populares e na ânsia de esconderem de si e do mundo essa suposta mancha dizem “sim” com um sorriso de orelha a orelha. Estas pessoas estão sempre disponíveis, a custa de seus próprios interesses. O que parece ser amizade é na verdade disfarce (do qual os outros “corretamente” aproveitam) para despistar o olhar estranho de sua verdade interior: elas são diferentes, ou seja elas são pecadoras. Elas têm preferência diferente das dos outros com quem convivem, tem gostos e opiniões diferentes.

Indivíduos assim não atinaram, e ninguém nunca lhes disse, que há um direito básico universal: aquele de dizer “não”. Tem-se o direito a escolher diferente do pai, do amigo, da mãe e do irmão. Tem-se o direito a não gostar do que muitos gostam, tem-se o direito de preferir outros passeios na vida e pensar de outras maneiras. A verdadeira e saudável diversidade só se alcança após ter conseguido dizer, forte e alto, NÃO.

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