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Dilma Rousseff. Uma mulher na presidência do Brasil

Adriana Tanese Nogueira

Não é notícia que se lê a toda hora. Estamos vivendo um momento histórico de proporções ainda não completamente avaliadas, porque o tempo é que vai mostrar a extensão do significado da eleição da primeira mulher à presidência do Brasil. É certamente um sinal dos tempos (na acepção de Frei Clodovis Boff).
Muitas mudanças são necessárias para tornar o Brasil um país avançado cultural, economica e socialmente. Mas é por passos pequenos e frequentemente criticáveis do ponto de vista da totalidade que se faz o caminho.
Acredito que o Brasil está indo adiante, se muitos objetivos estão ainda longe é porque os problemas envolvidos são complexos e têm raízes históricas. Se tudo parece complicado demais é pela miopia da mirada. Histórias sofridas e com repercussões que ainda se arrastam no presente pedem tempo para serem "resolvidas".

É importante sublinhar o profundo sentido simbólico dessa eleição: é uma mulher que está no posto mais alto da sociedade e se trata de uma mulher que entrou na luta armada contra a ditadura militar. É grandioso.

As mulheres conscientes deste país estão todas de olho na Dilma esperando dela que faça justiça à condição feminina brasileira e que apresente uma referência de mulher forte, atrevida e inteligente.

A esquerda e todos os anti-ditadura, todos os que prezam a democracia e que não se acomodam em papeis convenientes e com o dinheiro no bolso, olham para esta eleição com orgulho. É a prova de que a resistência armada, por "horrorosa" e "indesejável" que tenha sido foi necessária. Nem tudo o que é necessário é agradável, mas é preciso fazer o que os tempos requerem. O fato de Dilma Roussef com o passado que tem ter sido eleita presidenta do Brasil testemunha pela direção geral da população brasileira.

Há com certeza mulheres melhores do que Dilma Rousseff, mais inteligentes, carismáticas e corajosas. Mas é a Dilma quem estava no lugar certo na hora certa. Coube a ela pegar a tocha oferecida por Lula e levá-la adiante. Agora, cabe à sociedade fazer seu papel complementar: apoiar Dilma, criticá-la quando preciso, propor alternativas e, enfim, co-governar como um povo democrático haveria de fazer. Mudar o mundo para melhor (ou para pior) é um trabalho coletivo. Mãos à obra, então. O Brasil precisa de seus cidadãos.



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