13/07/2015

POR QUE ESQUECEMOS DA INFÂNCIA

Adriana Tanese Nogueira

Em minha opinião, aceitamos com demasiada indiferença o fato da amnésia infantil
- isto é, a perda das lembranças dos primeiros anos de vida -
e deixamos de encará-lo como um estranho enigma.
S. Freud, Sobre a psicopatologia da vida cotidiana


Um dos motivos que, com certeza, provocam o apagamento de grandes partes da infância é o estresse vivido naquela época. No conto de fada que os adultos gostam de tecer a respeito das crianças consta que a delas seria uma época dourada, sem preocupações, contas para pagar, tensões, trânsito e relacionamentos difíceis. Balufas. As crianças sofrem e podem sofrer muito, e muitas delas têm uma vida do cão (estou falando de crianças "normais" vindas de famílias “normais”).

O fato delas não terem a consciência e o conhecimento de um adulto só piora as coisas, porque elas não podem dar nome ao que as machuca. Isto as confunde, as deixando ainda mais assustadas. Para pior as coisas e aumentar a perplexidade e confusão da criança há o fato dela experimentar que a mesma pessoa que lhe dá amor, ou no mínimo nutrimento e abrigo, pode ser aquela com a qual tomar mais cuidado, da qual se precaver.

Coloquemo-nos na posição de uma criança. Ela é impotente e dependente. Se é batida não pode revidar – coisa que geralmente um adulto faria, de uma forma ou de outra. Se é maltratada não pode ir embora – coisa que um adulto psicologicamente saudável faria. A criança vive à mercê dos adultos que dela cuidam. Pode ter a sorte de estar no meio de pessoas sensatas, honestas e conscientes… ou não. Neste caso, só lhe resta engolir e ir adiante. O que a norteia será seu instinto de sobrevivência, ela fará o que for preciso para manter-se viva e pertencer a alguma coisa. Adaptar-se-á a qualquer situação se assim for preciso, pode se tornar burra, sonsa, malandra, indiferente, insensível, raivosa, mentirosa… Sua psicologia irá se moldando à situação. É tudo o que tem, os pais são seu mundo. Não há outro.

Por que lembrar da dor? A tristeza da realidade, que o adulto acha que somente ele saboreia, é conhecida de muitas crianças. Que elas ainda saibam rir não é prova de que sejam felizes, mas da enorme força da vida que em seus pequenos corpos as sustentam. Chama-se resiliência, a capacidade de superar, refazer-se, ir adiante. Mas, o acumulo gradativo e constante da mesma meleca todos os santos dias não tem como não deixar suas marcas na alma infantil. E assim a criança esquece, e assim a criança é moldada no padrão mental e emocional que sua família lhe impõe.

Para lembrar dos fatos é preciso ter estado presente a si mesmos. Para estar presente a si mesmos é preciso ter tranquilidade de espírito, isto é: não se sentir em perigo, em estado de alerta e com medo. A tranquilidade de espírito não quer dizer ter dinheiro no banco, casa bonita, quarto de grife cheio de brinquedos. Se trata de um estado interior de serenidade e presença. É a verdadeira paz (mesmo quando há problemas). O estresse, como bem sabemos, é a reação ao perigo. Muitas crianças, perfeitamente conscientes de sua fragilidade física, chegam a sentir-se em perigo de vida. Elas não têm condições de entender a raiva de um adulto frustrado, não sabem lidar com isso. O que importa se este adulto se chama “mãe” ou “pai” quando são pessoas com comportamentos violentos, abruptos e irracionais? Ou simplesmente insensíveis? Ser crianças é muitas vezes viver sob imprevisíveis tiranos.

Nossos neurônios estão disponíveis para impregnar-se de informação quando a alma está sintonizada com o dentro e o fora, ao mesmo tempo. Isso é estar presentes. Se temos que calar o nosso interior é porque o que está fora requer um estado de alerta constante. Então, já deixamos de viver, estamos sobrevivendo. E isso, não vale ser lembrado.

37 comentários:

  1. Belo texto...infelizmente muitas vezes é assim mesmo que acontece.
    Eu não tenho muitas lembranças da infância. E não gosto do que lembro.

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  2. Me identifico totalmente. Se eu pudesse, voltava no passado e me roubava do ambiente em que vivia e eu mesmo me criava hahaha pois hoje sofro bastante mas luto com todas forças pra vencer na vida.
    O único de bom q essas experiências me deram foi o cuidado q terei para criar meus futuros filhos pra q não tenham q passar pelo mesmo.

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    1. Tomara! Mas lembre-se que um passado não totalmente resolvido = digerido, processado, superado, sempre volta...

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  3. Comecei a me lembrar da minha infância à pouco tempo. Não gosto do que lembro. Eu fui indiferente, fria e nervosa, ouvia da minha mãe que deveria me levar ao psicologo, em um tom de "Você tem problemas", mas ela nunca o fez. Percebi o quanto foi difícil desenvolver sentimento comuns, como saudade por exemplo. Aconteceram a muito custo com analise interna/externa. Encontro muitas dificuldades dentro de mim, principalmente a ansiedade e baixa auto-estima que desenvolvi desde a infância. Meu desejo é superar para não transferi-los aos meu filhos futuros.

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    1. É preciso acessar aquela criança que você foi e ouvi-la. Acolhê-la sem qualquer julgamente, deixar que fale tudo o que tem a dizer da forma como sai. Isso se faz num lugar seguro, dentro de você ou numa sessão. Somente assim é possível curar essa ferida. Se precisar, entre em contato: + 156 3055321.

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  4. Eu lembro de pelo menos 25% da minha infância...por exenplo o nome do meu 1° cachorro Spike eu tinha 3 anos e assistia os anjinhos que o próprio personagem tinha esse nome...a música que ela mais gostava etc...difícil colocar td aki mais lembro de parte da minha infância, irmãos, pessoas que amamos, amigos isso é muito importante.

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  5. Tenho lembrado muito da minha infância ultimamente.Mas hoje com alívio. Fiquei em um orfanato durante 10 anos
    sem contato com minha mãe.Nem preciso descrever as consequências de toda esta carência. Através da psicoterapia fui acolhendo minha criança interior com toda a sua dor, a ama-la ,atentando para seus sentimentos;dando a ela toda atenção que lhe faltou.
    Um dia escrevi esta cartinha pra ela :
    Querida Ritoca

    Lembra querida, quando ainda pequena ,sonhava em ser adotada,em ter um lar,uma família que te amasse ,te acolhesse? Então ,só agora entendi esta sua necessidade;como vc buscou pela vida este lar.Mas fique tranquila:
    Lembra da minha promessa que foi, cuidar sempre de vc? Eu já te adotei e o meu coração será o seu eterno lar;Te amarei como sempre quis ser amada.

    Sua mãe e amiga Rita

    Hoje,tenho sessenta e um anos; de vez em quando a dor vem; e tenho que dar colo ,atenção; tudo que lhe faltou .

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    1. Lindíssimo, Rita! Parabéns e que você tenha sempre todo o carinho dobrado e triplicado que lhe faltou. Que você seja a fonte de seu próprio amor por vc mesma, eternamente. :-)

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    2. Eu não lembro dá minha infância quase completamente, só lembro de alguns flashes, algumas pequenas partes felizes, não lembro do meu pai que morreu há 9 anos, só lembro de uns 3 lugares q ele me levou, e lembro tbm dele falecido, só lembro dele no caixão e eu chorando, não lembro de qm estava lá, não lembro de quem estava lá, eu só queria lembrar dá minha infância. Adriana vc sabe algum jeito?
      Meu whatsapp: +553399873138
      E-mail: wilssonespanhol@gmail.com
      Facebook: Wilson Hespanhol Reykon

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    3. Wilsson, tem como recuperar alguma coisa do passado. É um trabalho terapêutico e de regressão. Se tiver interesse, entre em contato (veja ao lado dessa página).

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  6. Não consigo lembrar direito do que vivi até meus 19 anos. As memórias que tenho são apenas informações, como se tivesse lido ou ouvi alguém contar. Não tenho imagens e sentimentos. Sei que gostava de ler, mas não lembro os livros que li, não lembro das brincadeiras. Recentemente lembrei de algumas frases faladas em um jogo que joguei, mas não lembro do jogo. É tão estranho, me sinto vazia, as vezes sinto que estou transferindo este vazio para meu filho de 6 anos. O que faço?

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    1. Precisa resgar seu passado, que na verdade está presente nesse vazio que sente e que pede para ser decifrado, descoberto, integrado. Precisa voltar-se para dentro, iniciar sua jornada de auto-conhecimento para se possuir, para se entender e se preencher. Caso contrário, certamente estará passando adiante o vazio e tentará preenchê-lo de coisas que não irão nunca gerar uma verdadeira sensação de plenitude.

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  7. O que mais me dói é que estou repetindo o mesmo comportamento com meu filho. Grito muito e estouro em segundos. Despejo nele minhas angústias, fraqueza e decepções. Estou orando para eu ter sabedoria e fazer diferente, mas na hora H que algo ou ele me tira do sério, é tudo tão rápido que nem raciocino. Não bato, não agrido fisicamente, mas grito, e é gerado aquele stress horrível...

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    1. Não é com oraçãoq que vc vai resolver isso. Vc precisa mudar o padrão que introjetou desde pequeno e criar um novo. Este é trabalho de auto-conhecimento, engajamento, enfrentamento do que perpetua, tomada de consciência. É um trabalho pró-ativo.

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  8. Tem um burraco na minha memória !
    Tive traumas na minha infancia e nem lembrava da miha antiga casa.

    P.S faz 5 anos que meus pais se separaram e não lembro de 75% das coisas.
    O que faço ? Devo procurar um psicólogo ?

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    1. Seria ótimo e também fazer regressões. Duas coisas diferentes: terapia ou análsie e regressão. Procure no site: http://dmpbrasil.com/profissionais-graduados-em-dmp/ por um profissional para regressão.

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  9. Eu não consigo me lembrar de nada do que eu passei nada da minha infância não sei o que passei não sei como eu era e eu tento todos os dias lembrar quem eu era quando era criança mas não consigo não sei se foi traumas que pode ter causado algo e por isso não me lembro.

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    1. Você não estava presente completamente. Uma parte de você estava como que "dopada", alheia, distraída de você mesmo, olhando para fora e só para aquilo que "podia". O que dói, o que não se compreende e causa tensão ou que os outros nos ensinam com olhares, gestos, atitudes que não se deve falar é pela criança "negado". E assim se passa pela vida sem saber do que se vive...

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  10. Não me lembro de nada. O que me deixa triste porque todo mundo que conheco se lembra. Tenho tendência a mentir quando me sinto em apuros. Quero muito saber como fui. Por mim na primeira pessoa... E não ouvindo histórias sobre me. Não lembro nada...e até hoje não lembro de momentos recentes em 5anos atrás por exemplo.. ��

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    1. Você está muito alienado de si. Muito longe de si mesmo, dividido internamente. Precisa voltar-se para si e retomar o contato.

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  11. Hoje estive com amigas de infancia e me senti completamente fora das lembranças das historias que contavam , parecia que falavam de outra pessoa que eu nao estivesse lá. Nao lembro de nomes de brincadeiras de causos, me senti totalmente a parte, o que acontece comigo. Fingia que lembrava tambem de algumas coisas, concordava, ria ..mas por dentro de mim havia um ponto de interrogacao. Será importante resgatar esse passado ou melhor deixa-lo enterrado como está. Tambem apaguei outras fases da minha vida, adolescente, vida adulta, parece que vivo apenas o hoje e o restante se apaga da minha memoria. Sinto que reencarno a cada dia e os demais ficaram pata tras, entregue ao grande reservatorio cosmico. Sulla

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    1. Você não se assusta diante do que escreveu? É sério. Me faz pensar ao Alzheimer. Não fuja de si, de sua história, o que somos sem nossa história? Uma planta sem raízes morre. Uma pessoa sem história vive uma vida sem sentido... Busque se conhecer. Faça uma análise. Solução tem. É só querer!

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  12. Não consigo lembrar quade nada da minha infancia e até mesmo da adolesencia só tenho vagas lembranças é uma situaçao muito ruim quando os amigos comentam fatos eu nunca lembro de nada parece que nem estive junto a eles.

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  13. Olá Adriana, ótimo texto!

    Sempre me senti diferente, sensível, chorão, tímido, medroso, isolado... desde que me entendo por gente meus pensamentos e emoções são uma grande confusão.

    Ultimamente passei por uma situação intensa! Uma série de coisas vinham acontecendo ao mesmo tempo: brigas em família, problemas amorosos, dificuldades na faculdade, isolamento social... problemas pelos quais sempre passei com muitos conflitos internos. Cansado disso, decidi que iria mudar, foi na época do meu aniversário de 27 anos. Comecei a perguntar coisas da infância pra minha mãe, à escrever memórias antigas num caderno, fui me intrigando... não sabia onde iria chegar, só estava tentando me entender. Acordava da cama chorando, dizendo que sentia falta de minha babá, coisas estranhas. Num momento que tentava lembrar da babá, acabei tendo sensações muito fortes, difíceis de definir (respiração ofegante, gana oral, estado mental alterado), situação que me fez intuitivamente acreditar que tinha sido abusado sexualmente por ela. Não tive lembranças claras, apenas flashs que não tenho ctz se aconteceram mesmo. Dias depois, quando estava sozinho em casa, tive um outro momento estranho (novamente sem lembranças visuais), em que me parece ter sido revelado que fui abusado pelo meu pai... Minha cabeçou começou a girar e eu tapava os ouvidos e chorava. Entrei em estado de choque, contei pra minha mãe e ela foi indiferente, como se eu tivesse relatando um pesadelo ou algo assim... Vou ter que resumir a história, mas os dias se passaram e em um momento tive medo de casa, daí fiz as malas e fui pra casa do meu tio.

    Eu não tive lembranças de fato, apenas revelações intuitivas e bastante intensas emocionalmente. Isso me causa muita perturbação, pois não sei o que realmente aconteceu. Faço terapia pelo SUS, mas só as conversas com a psicóloga não me confortam. Gostaria de saber se há algum método confiável de acessar essas possíveis memórias. Perguntei pra minha psicóloga e ela disse que hipnose não é muito confiável, e pra ela é mais importante o que sinto ao que de fato ocorreu. Mas não é suficiente pra mim, parece que é a coisa mais significativa da minha vida... Poderia me dar alguma orientação?

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    1. Olá, há muitas formas de fazer terapia. O que está fazendo não ajuda no que quer, só isso. Precisa de outro tipo de terapia e de outro tipo de psicóloga. A sua lembra de sua infância? Se lembra, como é que lembra? Por que ela acha que lembra? Do que lembra? Do que não lembra? ...

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  14. Eu vim do Brasil com 3 anos de idade e tenho muitas lembranças da minha infância, por isso não percebo porque os pesquisadores dizem eu isso não é possível ou normal.

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    1. Minha filha também lembra de muita coisa, inclusive de quando nasceu! Não somos todos iguais, há pessoas mais evoluídas e que tiveram a oportunidade de manter sua consciência desperta. Outras (muitas) que não tiveram condições e esqueceram...

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  15. Existe algum tratamento para isso?
    Por que para mim é a mesma coisa que não ter vivido minha infância, não ter tido infância.

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    1. Existe: análise comigo e regressão. Ou análise com alguém muito bom de formação junguiano ou pós + regressão.

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  16. Me identifico muito com o texto e sei que meus irmão também, tivemos uma infância psicologicamente difícil, mas há algum meio de eu me lembrar das coisas, algum tratamento? hoje tenho 21 anos e sofro com ansiedade e depressão muito forte.

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    1. Com certeza, psicoterapia. Psicologia profunda: vc precisa conseguir acessar conscientemente camadas em sua psique que vc reprimiu (inconscientemente) por serem muito dolorosas.

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  17. Boa noite, eu não lembro muito da minha infância não sei o motivo disso, sei que o pouco que lembro não gosto de lembrar..
    Até mesmo coisas de 5 anos atrás ou
    2 anos ou no dia a dia tenho esse problema de esquecimento, isso é grave tem tratamento para isso??
    Tenho mente boa ou não?
    Tem foto minha que não lembro quantos anos eu tinha? Isso tem solução?
    Isso pode piorar lá na frente?

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    1. Aline, parece que vc está em seu corpo mas tenta ficar o mais longe possível dele - da sua vida concreta, real, que é o que vc dentro de vc, não o que faz, mas o que vive. Longe do que vive, como quem não quer se molhar (sentir) e pisa na água com a pontinha do dedinho do pé... Claro que não fica lembrança... (pelo menos consciente)

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  18. Tbm não lembro muita coisas boas de minha infância. Lembro q eu e minha irmã colávamos figurinhas dos Simpsons e da família dinossauro na parede. A casa era de madeira e as vezes caía alguns objetos pelas frestas do piso de madeira e abaixo tinha um galinheiro. Lembro q meu pai bebia muito. Chegava muito bebedo, ligava um som bem alto,mandava minha mãe fazer comida e batia no prato. A comida caía toda no chão. Ela limpava sem falar nada...ele dizia q ia esquartejar ela.ele dormia...mas se baixasse o volume do som ele acordava e aumentava de novo. A mãe ia p igreja e quando ela voltava ele trancava a casa p ela não entrar... eu esperava ele dormir ...pegava minha irmã, e pela janela a entregava para minha mãe. E depois pulava.. dormiamos em um colchão Velho no fundo do quintal.. ele dava cerveja p cachorro q ficava doidão...eu tinha uma mochila no formato de tartaruga e no casco tinha um relógio.ia p escola cantando...

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  19. Não lembro de quase nada da minha infância, e geralmente quando lembro, sinto vergonha.
    Vergonha por ter chorado, por ter sido melindrosa, por ter feito alguma maldade, por estar descobrindo a minha sexualidade... Medo e vergonha são sentimentos muito fortes, e acho que eles podem estar afetando a forma como crio as crianças ao meu redor (enteados, sobrinhos). Sou muito fria e objetiva com eles, o melindre, as mentiras e a birra me desesperam. Chego a sentir que não gosto da presença de crianças, e algo me diz que está relacionado ao fato de eu não gostar de mim criança.
    Meu pai sempre foi frio e distante e minha mãe extremamente carente, vivo no limbo entre esses dois estados e é claustrofóbico.

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