28/06/2016

AMOR É COMPORTAMENTO

Que muitos sintam amor profundo e verdadeiro não duvido. Mas é também verdade que muitos não sabem expressá-lo e o amor que sentem é como o tesouro depositado num cofre do qual se perdeu a chave. Uma vez que não está disponível para o proveito humano, ele “não existe”.

O exercício de encarnar o amor em cada momento, em cada escolha, em cada comportamento - e se não em cada um deles, na maioria - é indispensável para a evolução da espécie humana. De nada adianta amar um filho se não lhe mostrarmos com os fatos o que é amor. Amor é uma experiência viva antes de ser um conceito: primeiro se vive o amor, depois identificamos o sentimento como "amor". 

Vejo pais se queixarem pela falta de amor dos filhos: mas será que estes não estão devolvendo o que receberam? A famosa frase "Mas eu trabalhei tanto para que você tivesse o que você tem" não significa muito aos ouvidos da criança. Nem o fato de a família parecer ter sido tão unida e amorosa: as crianças absorvem sempre a sujeira que foi jogada por baixo do tapete.

Uma criança não sabe entender a razão de seus pais passar a maior parte do tempo longe deles, deixando-as em escolinhas, parentes e amigos. Ela só sabe que não seus pais não estavam com ela. Na cabeça de uma criança não existem conceitos relativos a pagar contas, trânsito, preocupações. Muito menos ela pode compreender que seus pais gostariam de brincar com ela, de ser amáveis e disponíveis mas não conseguem, têm suas próprias travas oriundas de sua infância sofrida ou de seus problemas atuais. Uma criança só sabe que seu pai ou sua mãe não estavam emocionalmente disponíveis quando ela precisava deles. Esta é uma memória que se crava na alma e que se manifesta anos depois na vida.

Amor só existe quando é visível, concreto e palpável. Amor tem sabor, cheiro, textura. Amor é um bilhete, uma ligação, uma lembrança, é tempo e espaço, é um doce, um sorriso, uma festa. Uma escolha difícil para um bem maior. Amor é proteção, atenção, cuidado, educação. Amor precisa de humildade, disponibilidade, dedicação. Fora estas condições, sejamos honestos: não há amor. Pode haver uma intenção de amor, um desejo por aquele amor, um sonho guardado no fundo da alma. Mas, fica para outra vida. Nesta e agora, não há amor. Há sim, outros interesses, conflitos e vantagens que têm a preferência, que são mais fortes e importantes na vida da pessoa do que amar. E cortemos por aqui as conversas patéticas sobre "eu te amo..." quando nada comprova esta afirmação.

Amar é empenho, esforço, investimento. Amor custa caro e requer o mesmo trabalho tanto que se ame um filho como outra pessoa, ou até mesmo um cachorro. Amor exige nossa saída da zona de conforto, sair do ego e suas vantagens. Pode haver simpatia, sonho vago e dourado, mas sem o comportamento apropriado, nada de amor.

A diferença entre o amor entre adultos e aquele de adulto para criança é que no primeiro caso a relação só funciona quando for recíproca, no segundo ela deve partir do adulto. É ele quem dá estabelece o exemplo, "mostra como se faz". É assombrosa a quantidade de pais (e também de mães) que não atinam para o fato que filhos precisam ter tido experiência daquele amor que depois eles querem para si. Gerar, parir e sustentar não basta. Nós humanos de modelos de comportamento  para entender a palavra "amor" e aí sim saberemos amar na prática.

Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com

6 comentários:

  1. Oi Adriana! Passando para dizer que concordo em tudo o que escreveste. E a maioria das pessoas não compreende quando falo isso! Gostei muito!

    Beijo!
    Ana

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  2. Obrigada, Ana Luisa! Parece óbvio mas não é... :-)

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  3. Perfeito! Adorei!
    Olha só o que encontrei:
    Mas não podemos chegar ao amor adulto sem passar pelo infantil. Não podemos amar se não soubermos o que é o amor. Não podemos amar outra pessoa como outra pessoa se não tivermos suficiente amor por nós mesmos, um amor que aprendemos sendo amados na infância. E não podemos falar de amor, de amor infantil ou amadurecido, a não ser que estejamos preparados também para falar de ódio.”


    *Trecho do livro: Perdas Necessárias – Judith Viorst

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  4. Muito bom, Jacqueline, é isso mesmo.
    Sobretudo, quero sublinhar a coragem de arcar com sentimentos negativos para poder desenvolver os positivos.

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  5. Estou lendo seu site pela primeira vez e quero elogiar seus escritos e agradecer por eles. Este texto em especial me lembrou meu ex-marido, que dizia a frase demasiadamente (inclusive levianamente, como réplica aos meus "obrigada", por alguma coisa que ele me fazia, coisas simlpes como passar o sal na hora do almoço!!!) e a desgastou de sentido. Eu respondia: "Ações, e não palavras! Dizer é fácil, fazer é que é difícil". E não deu outra, a não ser separação. Mas lições engrandecedors foram aprendidas.

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  6. Obrigada, Juliana, pelo comentário.
    Exatamente: fatos não palavras!

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