06/04/11

POR QUE HÁ FALTA DE CONCENTRAÇÃO?

Adriana Tanese Nogueira


Seria a falta de concentração um "defeito" da pessoa? Um distúrbio, como quando se tem uma carie no dente ou se é miope? O assunto é mais simples do que parece, mas pode ser complicado de avaliar num primeiro momento. Tudo depende da perspectiva que se usa.
Na verdade, todo mundo é capaz de se concentrar. Basta observar as pessoas e as criancas à nossa volta: qualquer um tem um momento de foco. A queixa se refere muitas vezes ao "que" está em foco, quem nem sempre é o desejável. O problema não seria então a incapacidade de se concentrar, mas o objeto da concentração.

Há diversas "camadas"  de razões a serem levadas em consideração na questão da falta
de concentração. E começamos da mais simples, que qualquer um pode experimentar: uma pessoa não consegue se concentrar porque está cansada.

O cansaço pode ser físico, como no caso de estudantes que trabalham de dia e estudam à noite. O esforço mental é tão cansativo quanto o físico, apesar de muitas pessoas subestimarem isso, pensar e sobretudo usar a cabeça cansa tanto quanto fazer ginástica ou trabalhar na construção. Para utilizar bem o cérebro é preciso estar descansados e com energias disponíveis. Repouso e descanso são indispensáveis.

Em segundo lugar, o cansaço pode ser emocional. Crianças e adultos que vivem em ambientes estressantes, onde por exemplo os pais brigam com frequência e o clima da casa é pesado, ou onde relações interpessoais de qualquer tipo (em casa ou no trabalham) demandam muito e portanto desgastam, essas pessoas terão rendimento o intelectual prejudicado. O próprio desenvolvimento da inteligência exige ambiente harmonioso, para que a pessoa possa investir na atividade mental. No caso das crianças, o estresse que elas vivem em casa, ou a ausência de orientação e a sensação de insegurança física e/ou emocional, leva a diversos tipos de complicações, desde a falta de concentração a comportamentos que irritam e parecem querer tirar os outros do sério. É como se algo nelas não fluisse, não corresse como deveria, e a criança se torna uma chateação para todo mundo. Terapia familiar e pessoal são a solução aqui.

Em terceiro lugar, o cansaço pode ser intelectual. Quando o que requer concentração é um assunto difícil e novo para a pessoa, ela terá mais dificuldade para se concentrar. A mente foge do esforço (a lei biológica de inércia funciona também no mundo psíquico) a menos que não esteja bem treinada. Nesse caso, a solução é disciplina e perseverança.

Além das razões acima, a falta de concentração pode estar relacionada ao objeto no qual a pessoa quer se concentrar. É complicado se concentrar em algo que não suscita o menor interesse. Não somos máquinas e mesmo que o papai, a mamãe, a sociedade, a revista de economia digam que tal emprego, tal estudo e tal projeto sejam vantajosos ou a coisa certa a se fazer, se a alma da pessoa não concordar vai ser difícil conseguir o investimento psiquico necessário para obter sucesso naquele caminho. Neste caso, é preciso parar e reavaliar os próprios valores, escolhas e objetivos de vida.

Enfim, pode ser também que uma pessoa não consiga se concentrar em realizar o que ela quer muito porque não se sente à altura. Algo dentro dela a sabota. Experiências de infância (ou não), preconceitos, hábitos, "medo do sucesso"... Tudo isso pode confluir para fazer com que um indivíduo não alcance o que deseje, mesmo quando o que deseja é bom e proveitoso. Novamente, é preciso parar, reconhecer os nós que atam, desatá-los com atenção e cuidado para efetivamente superar o problema. Receitas não funcionam com o trabalho psicológico porque cada pessoa é diferente e necessita ser entendida em sua particularidade para que os resultados positivos sejam duradouros e eficientes.

Saber-se concentrar é essencial para conseguir qualquer coisa na vida, desde aprender a pregar um botão até escrever uma tese de doutorado. Concentração equivale ao poder do ego, vontade tornada fato, força interior estrutura a vida numa teia de sentido e progresso. Uma pessoa com concentração está inserida numa jornada, num caminho pessoal que leva adiante. Saber concentrar-se é como ter pernas resistentes, sem as quais não se chega a lugar nenhum.

7 comentários:

  1. Gostei muito da explicação.
    Estou com um problema em escrever relatórios exigidos em meu treinamento (estagio).
    Tenho muitas informações, mas quando falta alguma, é como se fosse o fim do mundo para mim. Minha cabeça só me leva a crer que não sou capaz de fazer um bom relatório.
    Pode me dar mais dicas?
    Parabéns pelo texto.

    ResponderExcluir
  2. Olá Bruno, sem conhecê-lo direito não posso saber ao certo o que está lhe acontecendo. Dicas psicológicas só se aplicam a situações gerais (como qualquer dica). Quando se trata de orientar a respeito de uma situação específica e individual, só conhecendo e convesando com a pessa (ou seja em terapia) é que é possível ajudá-la de verdade.
    Abraços

    ResponderExcluir
  3. Bom dia Adriana, direto ao ponto. Não consigo mais me concentrar no trabalho, ou qualquer coisa, e dentre tantas causas possíveis, uma é a dominante. Amo demais e é um amor impossível, pois, são imensas as diferenças de ambições e personalidade, eu sou aberto, ela fechada, não preciso muito pra viver bem, ao passo que ela deve-se muito e isso é prioridade para ela, o amor fica em segundo plano. De certa forma, ambos tinham razão. Tudo isso levou a ruptura, de uma forma muito ruim para ambos, me refiro a forma como aconteceu. Hoje preciso voltar a vida normal, me restabelecer, mas nem consigo trabalhar. Penso nela quase o tempo todo, meu trabalho exige concentração, e não tenho, não consigo mais concatenar ideias, parametros, enfim, estou sem condições de trabalho. Esse problema pelo menos preciso resolver logo. Abraços, obrigado.

    ResponderExcluir
  4. Anônimo, vc parece estar obsecado por essa pessoa e está perdendo de vista sua vida. Algo precisa fazer, certo?

    ResponderExcluir
  5. Boa tarde Adriana, antes de mais nada, obrigado pela atenção.
    Não saberia dizer se é obsessão ou amor, dor de covelo, não sei mesmo. Tive uma relacionamento longo com ela, a sua frieza me levou a decidir pelo fim da relação, mesmo gostando muito dela. Sentia-me numa relação unilateral, em que apenas eu depositava. Bom, a relação é passado, não a desejo mais. Só não queria mais pensar nessa pessoa que fazia parte do meu dia-a-dia, noite-a-noite. Não foi um simples caso, foram alguns anos. Se estar obsecado tem sintomas de crise de abstinência, estou obsecado, mesmo não querendo crer. Não sou seu paciente, nem sei em que cidade voce está. Não quero tornar público uma coisa tão particular. Mas, o estrago, tenho consciência, é proporcional à dedicação, aos sonhos, ao que foi realizado, tudo ceifado. Voce tem razão quando diz que perdi de vista minha vida, e só me dei conta agora, porque passei todo esse tempo investindo na vida e família dela, fiz pouco por mim. Como disse hoje tenho consciencia, e estou procurando um(a) terapeuta, sozinho não sairei dessa, e não quero cometer o mesmo erro. Fico por aqui, mais uma vez obrigado.

    ResponderExcluir
  6. Muito bom vc querer sair dessa situação e procurar ajuda. Eu moro nos EUA, na Flórida, atendo aqui e atendo de forma virtual. Se quiser falar sobre isso, me escreva: adrianatnogueira@uol.com.br.

    ResponderExcluir
  7. Boa tarde Adriana,
    Tenho um problema sério com falta de concentração. Está me afetando no trabalho e na vida social. No trabalho estou fazendo algo, quando de repente me pego pensando em outra coisa que não tem nada haver. Quando vou a igreja, mesmo no momento de oração, consigo parar no meio e ter outros pensamentos. Na vida sexual também começou a complicar e de forma constante. No meio do ato sexual, perco a ereção, quando percebo estou pensando em coisas do trabalho ou outras coisas que não tem nada haver com o momento. Gostaria de uma orientação.
    Desde já agradeço!

    Marco Aurélio.

    ResponderExcluir