21/06/11

CORAGEM E COVARDIA

Adriana Tanese Nogueira

Como se sabe, ser corajoso não equivale a não ter medo, mas a saber superar o medo. Corajoso é quem não se deixa deter pelo medo. Considero a coragem uma das maiores virtudes humanas. Sem ela, praticamente, nada se faz. Pelo menos, nada que valha. 

A coragem é um ímpeto, uma força que faz avançar, colocando na sombra as dúvidas. É também a certeza da necessidade de um gesto, um ato ou uma palavra independentemente ou
apesar de suas consequências. Coragem é enfrentar o que se sabe ser inevitável. Muitas vezes, é preciso coragem até para fazer o bem, assim como é preciso de coragem para pôr em prática idéias, projetos, desejos e sonhos. De que adianta pensar corretamente se o pensamento fica preso no crânio porque falta a coragem para torná-lo realidade? E, igualmente, de que vale um sentimento maravilhoso que permanece enterrado no coração por falta de peito para encará-lo e vivencia-lo? De nada, absolutamente nada.

É pela coragem que tomamos atitudes, rompemos o que precisa ser quebrado, e dizemos sim ou não sem mais demoras. Muitas vidas são passadas atravancadas em terrenos psicológicos lamacentos e pegajosos por causa da falta de coragem para fazer o que se sabe precisa ser feito.

Há pessoas que gostam de olhar para outras, e, admiradas, exclamar, "Como você é corajosa!" Como se isso fosse um dote que a natureza deu de presente, e não uma conquista suada que está na verdade ao alcance de todos.

Ter coragem não exclui passar sufoco, ficar angustiados, ter dúvidas e penar. Para ter coragem é preciso ter a dignidade de sacudir a poeira do comodismo e tomar uma atitude. Todo movimento que chacoalha o que está parado vai trazer "problemas". A coragem sempre sacode, se não fosse assim não seria preciso de coragem para fazer determinadas coisas. A coragem obriga a enfrentar nossos pontos fracos. Por este motivo, há quem opte por "manter as coisas como estão"... e continuar vivendo nas sombras da covardia.

Como um sujeito gordo, preguiçoso, ruminando salgadinhos ou bebendo cerveja na frente de uma TV eternamente ligada, o covarde acumula energias inutilmente, ora via oral (comendo), ora pelo pensamento (masturbação mental), ora pelas fantasias. Ingurgita comida assim como alimenta fantasias, mas, como não usa o que introduziu em si mesmo, só pode ampliar sua existência no sentido material e horizontal: engordando! Há obesos no corpo e há obesos no pensamento. Estes últimos são os que pensam muito, nutrem projetos que ficam só na cabeça, sonhos fantásticos, planos detalhados... Mas na prática nada acontece. A realidade permanece nos trilhos do caminho de sempre. Cansados e lentos sob o peso de tanto pensar e fantasiar, estes indivíduos têm uma particular atração para criticar quem ousa agir, ora expondo seus raciocínios "lógicos e sensatos", ora semeando dúvidas insidiosas que atacam a auto-estima alheia.

A verdade é que o covarde foge da vida e de si mesmo. Aparta-se da responsabilidade que seu sentimento, valores e  desejos lhe imporia. Quando não se tem coragem de romper uma relação que precisa ser deixada para trás, ou quando se ama alguém e não se tem a coragem de assumir o próprio sentimento e/ou de agir de forma congruente, além de covardes se é irresponsáveis, porque se está fazendo pelo menos duas pessoas infelizes.
Enquanto o covarde tem baixa auto-estima, o corajoso não pensa demasiadamente em si. Ele enxerga além. Se parasse para considerar todos os pequenos interesses de seu próprio ego, o corajoso perderia o impulso do moto progressivo e naufragaria rapidamente. Ter coragem implica, de alguma forma, esquecer-se de si mesmos. Por isso, se diferencia do exibido que comete atos ousados para se mostrar. O corajoso não é nem tolo nem egocêntrico.

A coragem está na base da dignidade humana, da consistência moral de uma pessoa e de sua coerência consigo própria. Pela coragem, valores, postura e ação são aglutinados num todo unitário à serviço da personalidade individual. Para ser si mesma, uma pessoa tem que ter coragem. Num mundo massificado, mergulhado em estereótipos e preconceitos, emergir para fora da maré requer simples e nobre coragem. Da mesma forma, num horizonte psicológico lotado de falsos julgamentos, dúvidas, inseguranças e visão borrada, é pela coragem de seguir as intuições certeiras que nascem do profundo interior que uma pessoa demonstra quem ela realmente é.

11 comentários:

  1. adorei o texto! me inspirei para escrever minha redação de escola.
    Você tem talento, deve ser uma pessoa muito culta e sábia!
    abraços (:

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  2. Parabéns pelo texto. Seguir esse "conselho " , implica em dar inicio a transformações que me trarão benefícios .

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  3. Muito bom o texto, me identifiquei por completo. Tenho me esforçado muito para não perder a coragem e a ternura, sentimentos que me brotam espontâneos, afortunadamente! Obrigada por escrever tudo o que eu precisava ouvir para me sentir ainda mais fortalecida!!

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  4. a. acho q sou uma covarde

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    1. Se ser covarde te incomoda, mude. Se não, fique do jeito que está. Só mudamos se querermos.

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  5. Fico até com vergonha, pois sou um homen e sou covarde... ja tenho 32 anos e me sinto totalmente perdido, como um barco a deriva num oceano sem fim. Ja pensei em me atirar no mar e me afogar, mas nem para isso acho coragem. Sou um merda mesmo :(

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    1. Não pense assim... a vida é justa e injusta de diversas formas... so cabe a gente a fazer ela ficar a nosso favor

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    2. so para constar tenho 15 anos to escrevendo livros... depois indico uns que li...

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    3. Se quiser ganhar coragem: se trate. Comece uma terapia.
      É o único caminho.

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