13/12/11

Criatividade e escola

Adriana Tanese Nogueira

Todos concordam que criatividade é algo positivo que deveria ser estimulado nas crianças, e em qualquer momento da vida adulta. Encoraja-se os pais a escolherem jogos criativos para os filhos, buscam-se escolas que incentivem a criatividade e até empresa selecionam canditados criativos. Mas onde se aprende a criatividade? Se for nas escolas, como é então que algumas das pessoas mais criativas e ricas da modernidade não completaram o currículo escolar como todos os pais desejam para seus filhos? E várias outras que têm nível superior não alcançaram resultados profissionais interessantes e até mesmo nem realizaram a profissão pela qual estudaram?


Algumas das pessoas de maior sucesso nunca pisaram numa universidade, a não talvez para dar palestras sobre seus trabalhos: Henry Ford, fundador da Ford; Thomas Edison, fundador da General Electrics; Bill Gates, fundador da Microsoft; Mark Zucjerberg, fundador do Facebook, Richard Brason, fundador da Virgin Mobile; Walt Disney, fundador do Disney World; Steve Jobs, fundador da Apple (Kiyosai, 2011). Newton era bullied na escola, retraído e tímido, chegou a ser considerado autista. Einsten, desengonçado e tímido, não ia bem na escola, sobretudo em matemática. Evidentemente, a criatividade desses indivíduos não veio da escola. Não foi o sistema educacional padronizado e socializado que lhes deu condições de se tornarem o que foram e são. Já dizia Joseph Campbell, gênio dos estudos sobre mitologia que é preciso tomar cuidado com todo programa de ensino superior, porque a formatação mental que estudante há de sofrer esmaga todo espírito criativo...
Criatividade e escola parecem ser dimensões em oposição. Nas escolas, os alunos são guiados por um professor, um currículo, um trabalho escolar. Na criatividade, uma pessoa é guiada pelos movimentos interiores e invisíveis de seu espírito inquisidor, curioso e livre. Nas escolas não há liberdade para pensar, discutir, questionar, mudar de rumo, inverter a rota e mudar de assunto. Nas escolas não se pode inventar. Quem inventa de mudar, incomoda. As escolas produzem o aluno em série, se este pensasse demais atrapalharia a pauta do professor, o qual se perder o rítmo vai sofrer repercussões da diretoria, a qual pode por sua vez perder o financiamento público ou, se for particular, sofrer repercussões da parte de pais irados, que não entendem de criatividade. Nesse sistema ninguém de fato ganha, a não ser a lei da inércia. Todos perdem, mas sobretudo as crianças que teriam ainda flexibilidade mental para desenvolver sua criatividade.
A criatividade é uma expressão da mente humana que consiste no estabelecimento de relações novas e inusuais entre conteúdos dados. A pessoa criativa olha e enxerga as coisas de forma diferente daquela padrão. Ela ousa formular novas hipóteses e tem autoestima suficiente para seguir os movimentos internos de seu pensamento sem crucificar o que pensa como "sem sentido" ou "idiotice". Toda pessoa que se denigra mesmo que de brincadeira está denunciando sua baixa autoestima e lançando um grito de socorro.
Criatividade precisa de liberdade. Seguir os caminhos inesperados e tortuosos do pensamento criativo é uma experiência que deve ser realizada livremente: sem notas e professores a quem prestar contas e sem o olhar desconfiado de um pai ou de uma mãe. Quem perdeu
O ato criativo, ou melhor a condição que permite a criatividade, é um estado de bem estar psíquico. A criatividade gera alegria, é uma atividade finalizada a si mesma, puro prazer. O que não significa que ela seja fácil. Um indivíduo criativo tem mais trabalho daquele não criativo, mas seu esforço é movido pela necessidade interna. É uma busca gerada por um ímpeto interno que busca sua autorealização. É aquele trabalho que faz bem, que não pode ser parado até chegar ao seu fim.
Como pode uma educação baseada num trilho pré-determinado e coletivo (não individualizado) oferecer condições para o desenvolvimento da criatividade que é algo altamente individual e único?

2 comentários:

  1. (Ñao repare nos erros do meu português, português não é a minha língua)

    "Algumas das pessoas de maior sucesso nunca pisaram numa universidade", e cita como exemplo Steve Jobs.. essa afirmação é errada.

    Na verdad, Steve Jobs assistiu na Universidade, mais ele abandonou pelo custo. Depois de abandonar a Universidade, ele ficou assistindo como aluno livre as aulas que ele consideraba interesante.

    Diz ele, que Caligrafía foi a materia que mais interesante era, foi a materia que inspirou ele no momento de criar o primeiro computador.. e que sem isso, os computadores não seríam o que são hoje.

    Da para concluir, que ele não tivesse assistido aquelas aulas, ele não tería a inspiração que teve.

    Ele relata a sua historia em um discurso que deu para os alunos de Stanford.. é um discurso excelente, recomendo para voçê ver.

    http://www.youtube.com/watch?v=1IWPuywHYNE

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  2. Obrigada pelo acréscimo. Mas ele confirma o que estava dizendo. Se Caligrafia foi sua inspiração, isso significa que o currículo formal não é o que importa. Uma pessoa deve ser livre para seguir os redemoinhos da sua criatividade! Que bom que ele não teve dinheiro para cursar uma universidade, sem compromisso com a prestação de contas que uma universidade requer, sua mente estava livre para se dedicar ao que chamasse sua atenção.

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