18/12/2011

DE JIMMY NEUTRON A HANNA MONTANA, DE GINGER A ALEX RUSSO: O QUE SERÁ DAS NOVAS GERAÇÕES?

Adriana Tanese Nogueira

O Jimmy Neutron era um desenho que voi veiculado pela Nickelodeon entre 2002 e 2006. Minha filha o assistia quando era menor. Ela voltou anos depois a procurá-lo no YouTube e passou uma tarde se divertindo. Aí veio até mim e me disse, "Mãe, você precisa escrever sobre o Jimmy Neutron! Ele não tinha vergonha de ser inteligente! Os programas para crianças mudaram muito!"

É verdade. De Jimmy Neutron, o menino que é gênio-e-tem amigos, passamos no mesmo ano a... pasmem! Hanna Montana, aa garota que começou simpatiquinha e terminou por ser uma das personagens mais arrogantes, prepotentes e egoístas do mundo televisivo. Nessa nova fase da mídia infantil, que tanta influência tem sobre as meninas a partir dos 3 anos de idade, o que conta é o bullying e a vantagem pessoal. Escola é secundária e aprender, supérfluo.

Aparentemente, ser inteligentes, aplicados e interessados não está na moda. Os Jimmys da vida viraram "nerds", definição reducionista dada a quem gosta de estudar por quem foge dos livros. Nos tempos do Jimmy Neutron ter e apreciar conhecimento não  correspondia a ser uma criança esquisita, agora equivale a ser uma pessoa desinteressante. Ser bacana e valorizar o conhecimento não combinam mais.

Para completar a deseducação que a Disney Channel está despejando sobre as novas gerações, a imagem dos pais decaiu para aquela de indíviduos fúteis e muitas vezes em competição com os filhos. De Contado por Ginger, ooutro desenho da Nickelodeon que foi ao ar entre 1998 e 2003 apresentando uma adolescente normal que escreve um diário, tem problemas com as amigas, se depila, tem uma mãe solteira com a qual conversa e troca idéias, passamos a Os Feiticeiros de Waverly Place que estreiou em 2007 trazendo aos palcos Alex Russo (Selena Gomez), espertinha ignorante, magérrima de roupas charmosas, cabelos perfeitos, maquiagem impecável, que tira o sarro de todos, inclusive dos próprios pais e sem o menor escrúpolo. "Consciência" é uma dimensão da vida humana que raramente entra no dia a dia dela, e, quando porventura acontece, é sempre por breves momentos porque, comos bem sabemos não é "cool", não é popular ter consciência. Entramos numa nova era, a de pais bobos e filhos arrogantes que estão no controle. 

Os resultados disso, pelo menos aqui nos Estados Unidos, estão visíveis nas escolas. O nível de superficialidade, fofocagem e manipulação entre meninas é assustador. A ambição existencial de todas é ser cantora, os objetivos a curto prazo é ser popular, isto é arrogantes e altivas, egoístas e insensíveis como suas ídolas. Aos meninos cabe ser partners à altura dessas novas mini-estrelas, conformando-se ao papel correspondente que tem elas como protagonistas. E, naturalmente, eles também cantam.

Aliás, cantar é um must. Todos hão de botar para fora toda a voz que tiverem no peito e cantar o hino da Disney Channel, que prega a todos que a melhor coisa do mundo é ser si mesmos, e que todos devemos ser amigos e ajudar a terra, ser ecológicos e respeitar a natureza (apesar do uso que se faz da comida nesses programas onde ela chega a ser usadas como objetos atirados contras os outros, o que é ultrajoso considerando que ainda há gente no mundo que não tem comida para sobreviver). Nessa esquizofrenia psico-cultural, as crianças do mundo real vivem no transe disneyano almejando ser como seus ídolos televisivos, enquanto seus pais, afobados para fazer as vontades de seus filhotes queridos, se apressam a gastar seu suado dinheiro para comprar a fantasia da Hanna Montana. Será que a Disney tem razão?

4 comentários:

  1. Adorei! Sao poucos os personagens que realmente acrescentam alguma coisa. Seria bacana tb ler uma analise dos personagens principais de Two and a Half Men e Gilmore Girls. :)

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  2. Infelizmente, não conheço esses personagens e... por enquanto não vou ter a honra de conhecê-los...

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  3. Não sei bem onde o erro começa, só sei que não termina.
    Gerações atrás, tínhamos os violentos Tom & Jerry, Picapau, Pernalonga... e eles não foram responsáveis por criar uma geração violenta. Porque, naqueles tempos, eram os pais que criavam os filhos, e não a TV. A TV era só um entretenimento, apreciado com moderação.
    Não sei se esses desenhos modernos estão criando "pequenas misses sunshine", se nossas crianças estão espelhando esse comportamento ditado pelos cartoons, ou se é exatamente o oposto - eles se tornam populares por espelharem a futilidade presente na nova geração. De qualquer maneira, não importa se eles dão a primeira dose ou se apenas sustentam o vício - o fato é que eles sustentam! Boa parte dos novos pais são adultos teleguiados - cresceram sendo "educados" pela TV. Consideram isso normal, portanto. Não dá para culpá-los! Não dá para dizer "tirem seus filhos da frente da TV", porque eles responderão: "não há nada de mal! Eu cresci assim e estou bem!".
    Está tudo errado!
    E só nos resta, mesmo, criticar, porque não parece ser possível consertar.

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  4. Obrigada pela colocação, triste mas sensata :-)

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