11/01/2012

Aprender a ser líderes

Adriana Tanese Nogueira



A questão da liderança é um tema importante porque mesmo que uma pessoa não seja líder de um grupo, ela tem de ser líder de sua vida. E aqui começam os conflitos.

Um líder há de possuir idéias claras, objetivos, capacidade de se comunicar e posicionar. Deve saber dizer sim ou não em função de valores que nem sempre coincidem com os interesses imediatos dele ou de outrem. Portanto, um líder deve saber fazer sacrifícios, desistir do que não serve os objetivos que persegue.

Ter idéias claras não é tão simples como parece. Pensar com lógica coerente e fundamentada é resultado de exercício (assim como para os músculos). Além disso, saber pensar algo que seja aplicável ou encontrar viabilidade para as idéias é ainda mais complicado. É comum haver resistência interna, conflitos de sentimentos ou sociais/familiars e emoções ambivalentes, elementos esses que impedem de pôr as mãos na massa e fazer acontecer. Liderança é então primeiramente botar ordem em si próprios para que quando um projeto é refletido e aprovado ele seja também cumprido.

Em segundo lugar, um líder não é um ditador. Ele ouve todas as partes para que o projeto entusiasme a todos e os leve sobre as asas de sonhos possíveis. O líder não chantageia nem trapaça, mas acolhe e integra. Quando o todo está harmonizado, há disposição e energia para o trabalho. No plano individual, isso significa que o que você quer tem que estar em sintonia com seus talentos, condições, conhecimentos, necessidades e desejos. Não adianta impor a si próprios metas e escolhas que não se sintonizam com a própria subjetividade. Quando alguém implementa uma ditadura interna paga um preço altíssimo, que vai desde um ataque cardíaco ao alcoolismo.

Para ser um líder é preciso portanto entender-se e integrar as várias facetas de si num conjunto único, assim como no trabalho se integrarão os vários funcionários num todo harmonioso. Saber reconhecer a diferença entre o que é importante e o que precisa ser mudado permite ser efetivos. Assim, por exemplo, quando não se tem vontade de fazer alguma coisa tem de entender se é: a) indolência devida a caráter; b) preguiça por falta de hábito; c) uma resistência interna porque não é o momento certo; d) falta de capacidade; e) resultado do fato de estar querendo fazer algo que nada tem a ver com aquilo que somos e é importante para nós.

Em terceiro lugar, o líder sabe encontrar o caminho entre o interesse coletivo e o próprio. Esse aprendizado é muito importante porque encontramos hoje dois grandes grupos (e vários outsiders que não vou examinar aqui, mas que são os que “salvam a patria”).

O primeiro é formado pelos "esquerdistas". Esses têm coração, ética, compaixão, boas intenções e até boas idéias, são abertas aos outros, não querem ser egoístas mas democrátas, tolerantes e sinceros. O segundo é composto pelos "direitistas. Esses enxergam primeiramente o próprio umbigo. Seu interesses pessoais, familiares, de grupo são mais importantes. Estão interessados nos negócios que podem fechar hoje, manipulam quando necessários e certamente não vão ficar sem alguma coisa para dar aos outros.

Advinhem qual grupo tendem a assumir a liderança? Acertaram, o do “umbigo falante”. As pessoas utópicas do amor universal e da gentileza não ousam dizer "eu quero, eu decido, eu faço". Elas temem ocupar espaço e dizer em voz alta o que querem. Os “esquerdistas” tendem a dar preferência (pois são gentis) e com isso permitem que os “direitistas” assumam o controle.

A metáfora do umbigo cai bem. Na filosofia oriental, o umbigo é o lugar do terceiro chakra, que é o chakra do poder pessoal, ou do "ego". Pessoas que “só enxergam seu umbigo” dão muita importância ao próprio ego, enquanto que àquelas demasiadamente “boas e gentis” tem o chakra do coração inflado e o poder pessoal atrofiado.

Agora, ter liderança é saber avançar. Ninguém avança preocupado com cada formiga que poderá esmagar. Por outro lado, nenhum líder que se respeite colocar seus interesses pessoais acima dos do grupo. Nesse caso, já não é mais líder, é um manipulador e aproveitador. Por este motivo, é de suprasuma importância que o líder saiba fazer uma honesta auto-avaliação e tenha honestidade e compromisso ético, caso contrário seu avançar será é o de um ego faminto mascarado por grandes objetivo.

Finalmente, é do líder saber discriminar o joio do trigo, sem sentimentalismo. Um líder não tem tempo para auto-piedade. Ele vai adiante mesmo com uma flecha fincada da perna. E não pára no bar para aliviar seu dia difícil. Mas ele também não é um mártir. Sabe quando é hora de parar e quando é tempo de brincar. Um líder é responsável, amável num momento, duro em outro. Avança quando deve, pára quando precisa. Ele está.... no Tao.

3 comentários:

  1. este assunto interessa-me e li com bastante atenção, gostaria que me explicasse as seguintes partes do texto:
    1-"há disposição e eneriga" será energia?
    2-"Quandos e consegue a ditadura interna"
    3- "Uma vez que se aprende a administrar o povoado interior faz-se possível traçar um caminho no mundo que seja positivamente original"

    obrigada!

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  2. 1) Sim, energia.
    2) Ditatura psicológica é a mesma que a social: uma parte só manda. Seu racional, seu medo, seu sentimental, seu preconceito... etc.
    3) Temos diversas partes internas que precisam ser harmonizadas (aceitas, legitimadas, harmonizadas), são seus vários lados/modos de ser.

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  3. oi encontrei seu blog por acaso adorei..

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