10/06/2012

Viver, trabalhar e morrer sem arrependimentos

Adriana Tanese Nogueira

A mortalidade ensina muita coisa, diz a enfermeira australiana Bronnie Ware. Seu livro “Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”, foi escrito após sua experiência de 12 semanas acompanhando doentes terminais. 

Não deve ter sido fácil testemunhar as últimas semanas de vida de pessoas mesmo que desconhecidas. A morte é um momento íntimo assim como o nascer. Na morte os véus caem e a vida se mostra como ela é, ou melhor, como ela foi. Diz a autora que a maior tristeza de seus pacientes foi a de perceber, quando finalmente não há mais distrações, que seu coração não foi ouvido e que por isso a vida não foi satisfatória. Vejamos quais são os cinco principais arrependimentos dessas pessoas e quem sabe aprender algo com elas.


Primeiro arrependimento: "Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim."

Esta é uma das questões mais essenciais na vida. É infelizmente muito comum priorizar as expectativas dos outros (mãe, pai, amigos, chefes) do que ser fiel aos próprios valores e objetivos. Em nome de alguma necessidade ou limite, se cala o que se sente, se fecham os olhos e se abre um sorriso amarelo. Ter a ousadia de se tornar o que somos de mais profundo,  abandonando uma conveniente mas sofrida máscara, é a condição para viver uma vida fieis a si mesmos. Quando analisados de perto e com objetividade, muitos dos limites que supostamente impedem a mudança são mais fictícios do que reais.

Segundo arrependimento: "Eu gostaria de não ter trabalhado tanto."

Este arrependimento é consequência do primeiro erro, o de sacrificar a própria vida a algo que não está embasado em nosso coração. O conceito de trabalho que temos hoje é pejorativo. Se trabalha para ganhar dinheiro, o prazer do que se faz é secundário, quando há prazer. Se o sentimento for impedido de se manifestar, não resta que trabalhar até não aguentar mais. Uma vida equilibrada inclui um trabalho que faça sentido e um tempo para cuidar de relações, saúde, diversão, relaxamento.

Terceiro arrependimento: "Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos."

Novamente, estamos aqui nos deparando com o coração. O mal do nosso tempo está nesse silenciar dos sentimentos para não “estragar” relações, não parar de trabalhar, não “atrapalhar” o rítmo da vida frenética e superficial que se leva. Deve ser muito triste se dar conta, no leito de morte, das palavras não ditas e dos gestos não feitos. 

Quarto arrependimento: "Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos."

Mais uma consequência da vida atordoante que se leva é a falta de um espaço para culturar o carinho da amizade, da solidariedade, e do cuidado recíproco. Importar-se com os outros parece ser, hoje em dia, algo fora de moda, estranho ao estilo de vida moderno. Ter amigos de verdade, aqueles com os quais partilhamos nosso verdadeiro ser, é sempre mais uma raridade.

Quinto arrependimento: "Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz."

Esta frase sinteza todas as outras. Se uma pessoa não viveu conforme seu eu mais profundo, se ela não deu ouvidos ao seu coração e se afogou no trabalho, se não teve relações desinteressadas e livres com outros seres humanos, essa pessoa não se permitiu ser feliz. É interessante observer que se fala muito de buscar a felicidade, mas será mesmo que se faz o que é preciso para ser felizes?

Há um problema com a idéia de felicidade: ela é imaginada como um estado onde não há esforço ou conflito. Contudo, nada nessa vida é alheio à tensão e ao conflito. Talvez felicidade não seja um estado, mas uma forma de viver. O conflito que surge por estar levando adiante um projeto pessoal que tem importância para a mente e o coração é muito mais suportável e menos dolorido do que o conflito que surge dentro de você quando aceita fazer coisas que não quer. Para ser feliz é preciso saber sacudir o comodismo e se mexer. O movimento quando finalizado para algo de valor produz alegria.

Nessa chave, haveria de serem lidas não só as relações pessoais como o investimento laboral. O tipo de trablho que uma pessoa faz e como ela o desenvolve reflete quem ela é. A organização, o cuidado, a paciência, a disposição, a atualização e o primor transparecem como marcas descritivas da profissionalidade de um indivíduo. Não só de transações econômicas é feito o mundo do trabalho mas do toque humano consistente e carinhoso. Mente e coração unidos.

2 comentários:

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    1. Desculpa, Silvia, deletei seu comentário sem querer, cliquei no lugar errado! Nem cheguei a ler o que escreveu :-(

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