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Experiências na e com a natureza 1

Adriana Tanese Nogueira

Entre as muitas coisas que faço, tem esse curso do Institute of Global Education - Organic Psychology. Chama-se "Project NatureConnect", cuja primeira parte leva o título de "Psychological Elements of Global Citizenship". Esse projeto, criado por M. J. Cohen, Ed.D, PhD , é apoiado pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e pela Akamai University e o Cohen é consultor de ambas. A idéia do curso é treinar formadores e facilitadores para atividades que promovam o bem estar pessoal, social e do meio ambiente.


O curso visa estabelecer e/ou fortalecer e aprofundar a relação que cada um de nós tem a com natureza. O pressuposto é que somos animais humanos, interconectados com a natureza por fios invisíveis que, quando cortados, produzem desequilíbrio físico e psicológico. Qualquer um que fique um tempo suficiente na natureza e que de fato esteja lá e não com a cabeça enfiada num cellular ou no círculo vicioso de pensamentos repetitivos, sabe por experiência vivida que o ganho é mais bem estar, maior equilíbrio mental e emocional. Assim, iniciativas que visem a conscientização da importância vital da relação saudável e respeitosa com a natureza são enormemente importantes num tempo de tamanha alienação e distúrbios emocionais.

Aprender a prestar atenção em tudo o que é verde e vivo, que se move no céu, nas águas ou sobre a terra é um começo positivo. O toque da natureza é sutil para a mente agitada e tensa, mas é claro e límpido para quem está com as antenas em bom funcionamento.

Não me surpreendi, portanto, quando na outra noite, caminhando com o meu cachorro tive a seguinte experiência. Era uma noite calma, como todas aqui, as ruas escuras, a iluminação não muito acentuada, boa para relaxar os olhos após muito computador e iluminação artificial.  Após uma meia hora de andada, resolvi passar por um pequeno parque que fica na beira da rua. Estava escuro e o parquinho, visto de fora, parecia ainda mais escuro. Entramos nele. Observei meu querido cachorro, um Rottweiler de 2 anos, ainda um filhote, mas muito mais obediente do que antes, cheirando em volta, sua postura habitual de tranquila e firme autoconfiança a meu lado. Atravessei o parque e parei onde o escuro era mais escuro e a copa de uma árvore cobria toda a vista acima de mim. Os únicos sons que ouvia era a respiração pesada do meu cachorro (não estava tão quente, mas era úmido) e a orquestra dos grilos. Fiquei parada, fechei meus olhos e bebi daquele momento. A música dos grilos parecia como um céu cheio de estrelas, uniforme e forte, mas também suave e acolhedor.

Sim, como seria bom poder mergulhar e misturar-se com a natureza, ser parte dela, inteiramente. Se podêssemos simplesmente apertar um botão, e entrar Nela... Como na história do menino que viveu com os lobos... O dia que sair da floresta, estaríamos completamente renovados. Completamente unos e integrados. O problema para mim não é conectar-me com a Natureza mas como viver num mundo tão desconectado e alienado.

De repente, me virei e me dei conta que havia um rapaz que devia ter saído do condomínio adjacente ao parque. Não havia feito barulho mas devo ter percebido sua presença. Estava ocupado com seu celular, não prestou atenção em nós. Assim, voltei à minha experiência. Olhei de volta para a copa da árvore, meus ouvidos antenados na arquestra de grilos e... por minha surpresa o som havia se distanciado! Era como se tivesse sido amortizado e afastado para mais longe ou para mais alto. Uau! Continuei prestando atenção. Era verdade, o som estava distante agora.Obviamente, tinha ocorrido uma interferência negativa... Sorri, feliz em constatar que a Natureza não me percebia como um distúrbio.


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