23/12/2012

APEGO: POR QUE NOS APEGAMOS A RELAÇÕES QUE NÃO PRESTAM?

Adriana Tanese Nogueira

Apego é algo que todos conhecemos. Há quem está apegado ao futebol e outro à namorada. Há quem está pendurado na garrafa e o outro no corpo perfeito. Apegar-se define uma parte importante de nossa personalidade e de nossos valores. Diz respeito à nossa visão de mundo e a como nos sentimos nele. Com frequência, fala também das distorções da personalidade, do medo, dos traumas, das inseguranças que criamos nesta ou em outras vidas. Vejamos algumas dessas situações.

Você está apegada/o a um/a namorad/a que já a/o fez sofrer muito e que demonstrou que não quer ou não tem condições de mudar. Você está consciente e entretanto não consegue se desvencilhar dele/a. O que é isso? Pode haver muitos elementos aí, vou listá-los a seguir:

1. O relacionamento é patológico, ou seja, machuca no lugar de fazer bem, e a "patologia" é nutrida por vocês dois. Você é tão problemática/o quanto ele/a. Se cuide.

2. O relacionamento não é bom mas você se acha superior e continua nele. Este é bem comum entre homens. Ela é a manipuladora e ele se acha muito racional e esperto, mas não enxerga o jogo sutil do feminino negativo, que o faz de bobo. Nesse caso, quem é ludibriado continua na relação porque está apegado à sua própria problemática psicológica, não ao outro.

3. O relacionamento é ruim porém você sente dó do outro. Ele/a te prejudica mas você "sabe que no fundo" ela/e sofre, está com problemas e blábláblá. Novamente, você está com um grande assunto pessoal para tratar: seu maternalismo/paternalismo, sob o qual se esconde provavelmente alguma outra coisa, como medo, baixa auto-estima, necessidade de sentir-se um herói/heroína, etc.

4. O relacionamento parecer ser a única opção: a pessoa prejudicada tem medo de ficar sozinha, não consegue enxergar-se tendo uma vida diferente. Novamente, o que está por trás disso é baixa auto-estima: a pessoa não confia em si. Fica com o ruim por medo do pior. É uma visão bem negativa da vida e do próprio potencial, é dar-se por derrotado antes mesmo de tentar.

5. Você está num relacionamento que faz mal e continua nele: pode ser que simplesmente ame a pessoa! Mas como pode haver um amor que nos prejudique dessa forma? Porque se peca de onipotência. Seu/sua namorada/o está se comportando pessimamente e você não consegue se afastar. Você a ama mas... está pagando um preço caro demais. Sua vida está passando sob seus olhos, sua situação emocional está interferindo no trabalho, você está sempre mais sendo sugado pela relação... Que amor é esse? Amor de mão única não funciona: é preciso aceitar essa simples e triste verdade. Você pode até sentir em algum nível que a pessoa lhe ama, mas seu comportamento trai essa percepção. Ela não age como quem ama e você persiste porque...? Por todas as razões acima mais uma: o sentimento de onipotência que diz que você pode mudá-la! Você acha que vai ser a/o salvador da pátria. Bobagens: a gente não salva ninguém. Muito menos pode ajudar quem não quer ser ajudado.

6. Enfim, uma última possibilidade. Se o amor persiste apesar de nossos melhores esforços para erradicá-lo da gente, se fizemos nosso dever de casa (a análise honesta e aprofundada acima) e continuamos vinculados, então pode estar ocorrendo algo mais: essa é uma relação de outra vida. Pode ter havido uma (ou mais) outra vida onde vocês tenham sido felizes e vivido muito tempo junto (ou foram carrasco e vítima e estão ainda amarrados na problemática), o que gerou uma recordação que gera o apego. Acontece porém que dessa vez seu/sua namorado/a está em péssimas condições psico-espirituais. Enquanto sua alma está apegada a uma memória, seu eu diz: que porcaria de relação é essa? Eu não a quero. Porém, até que não se compreender em qual nível de si mesmos ocorre o apego, o nó não sera desatado.

Apegos falam da gente. Assim como nos apegamos ao bolo da mamãe porque ele nos traz recordações boas da infância, assim descobrindo apegos dos quais desconhecemos sua origem. Entender os apegos do passado nos ajuda a suavizar e até soltar as amarras do presente.

É minha convicção que o amor é eterno. Entretanto, amar não significa necessariamente viver junto, se misturar e mergulhar na problemática do outro. Amar também não quer dizer que seu amor vai ser suficiente para libertar o outro das maluquices nas quais ele enfiou nessa vida. A você que está consciente de um apego que restringe seus movimentos e sua vida resta a obrigação de compreender o que está acontecendo e trabalhar sua própria evolução pessoal.

Uma vez que cada um lida honestamente com suas próprias questões internas, o amor que sobra é verdadeiro. Mesmo assim, pode não funcionar porque é preciso de dois para fazer uma relação. Não só de nossas ações, pensamentos e sentimentos temos que assumir as consequências, mas também das ações, pensamentos e sentimentos do outro. Gostemos ou não.

11 comentários:

  1. O SENTIMENTO É ÚNICO E SIMPLES,A SUA ESSÊNCIA SEMPRE VAI SER ÚNICA,AS PESSOAS APENAS DISTORCEM O REAL DO IRREAL,PARA ENTENDER ALÉM E,NÃO FAZER UMA AVALIAÇÃO SE BASEANDO EM UM PONTO DE VISTA DIALÉTICO,É PRECISO ENXERGAR O PROBLEMA SOB VÁRIOS ASPECTOS,NÃO HÁ COMO MUDAR A NATUREZA HUMANA,MAIS SE APRENDER A RESPEITAR SUA VERDADEIRA ESSÊNCIA QUE O SENTIMENTO PROPORCIONA É UM PASSO PARA A REAL FELICIDADE,O QUE LEVOU A SENHORA A ESTUDAR PSICOLOGIA APENAS A SUA CONSCIÊNCIA SABE,DA MESMA FORMA É O SENTIMENTO,EU SOU UM CARA QUE NÃO GOSTO DE HIPOCRISIA DECORADA,ESSAS PALAVRAS EU APRENDI COM A VIDA,OBSERVANDO TUDO A MINHA VOLTA E,NÃO SE DEIXE LEVAR PELA MINHA FACE JOVEM,OUTRORA EU APRENDI COM O TEMPO E,COM O PASSAR DOS ANOS EU VEJO A MESMA HISTÓRIA,SEMPRE PENSE NA LUZ,POSITIVO.............9

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  2. É bom não gostar de hipocrisia decorada, Bruno, ainda melhor não praticá-la e superlativo sabê-la reconhecer em todas suas manhãs e "decorações".
    :-)

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  3. TODOS NÓS DEVEMOS RECONHECER CADA ERRO E,APRENDER,ADRIANA EU NÃO QUERIA QUE A SENHORA INTERPRETASSE ERRADO O QUE EU ESCREVI,VALEU OBRIGADO POR CEDER O SEU TEMPO PARA RESPONDER,EU ADMIRO A PSICOLOGIA, BOA SORTE

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  4. Adriana, você escreve cada texto com tanta precisão e é como se falasse com cada um de nós em particular. Isso é muito bonito! Obrigada!

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  5. É o meu trabalho: Traduzir a experiência humana em palavras :-)

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  6. Adriana, eu preciso de uma ajuda, na verdade de um conselho.
    estou em relacionamento há três meses, eu me envolvi demais com essa pessoa, apesar de estar apenas três meses com essa pessoa, eu diria que já amo muito, parece que já estamos juntos a três anos ou mais. Porém nem tudo é mil maravilhas, ele é uma pessoa muito orgulhosa, não dá o braço a torcer pra nada e antes dele eu era esse mesmo tipo de pessoa.
    Ultimamente, ele não tem me ligado mais e nem manda mais mensagens. Eu que tenho que ficar ligando para ele, eu que tenho que tomar iniciativa de tudo.
    Já terminei com ele, mais sempre acabo pedindo para voltar.
    Quando eu acho que tudo vai melhorar, aí tudo desanda novamente.
    ele nem se preocupa comigo, minhas amigas até falam que eu sou linda de mais p/ ele e que ele não merece nenhum esforço meu e nem uma lágrima que tenho derramado ultimamente por ele.
    Eu já estou cansada de ficar correndo atrás dele e eu não consigo esquecê-lo.
    Até porque quando estamos juntos, ele é um amor de pessoa. Mais quando estamos distantes um do outro, ele não me procura e nem me liga.
    E eu fico confusa sem entender nada.

    O que eu faço? continua insistindo nesse relacionamento ou desisto de vez..
    É claro, isso se eu conseguir.

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    1. Pelo jeito vc não está conseguindo se afastar. Estabeleceu-se entre vocês uma "dinâmica" relacional: ele foge/se afasta - vc vai atrás dele. Ele não se preocupa - vc se desmancha em lágrimas... Vê como estão indo as coisas? Consegue observar o tipo de situação que se criou entre vocês? Por que ele faz isso não sei, pode haver mais de um motivo, mas sem conhecê-lo não é possível afirmar nada. Quanto a vc, precisa de ajuda porque não parece que a situação vai se resolver sozinha e nem que esteja conseguindo resolvê-la sozinha. Ajuda quer dizer ajuda terapêutica. Procure um profissional competente, pode marcar comigo ou com qualquer pessoa na qual vc confiar. Abraço e boa sorte.

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  7. Adriana estou com um problema, preciso de um conselho. No meu trabalho há um tempo fiz uma amizade, o jovem tem problemas tais como: ausência de pais, alguns vicios e muita falta de responsabilidade. Só que ao passar dos dias eu fui dando conselhos, e ele passou a me ouvir e isso me alegrou.. tanto que chamei pra ir na minha casa e tals.. fim se tornou uma amizade pelo menos de minha parte. Mas agora ele foi chamado pra trabalhar em outro lugar e me disse que queria continuar aqui no mesmo setor. Mas eu percebi q nao tinha realmente esse interesse. Até ai tudo bem! Mas fiquei chateado pois agora ele ja esta com outro comportamento e isso me deixou trists pois imaginei que tivesse absorvido um pouco da minha humilde experiência de vida. E agora ele vai se afastar e eu to triste pela perda do meu amigo. Sabe não consigo entender porque que eu gosto tanto de ajudar aqueles q me ouvem.. mas é impressionante q os mesmos sempre me magoam direta ou indiretamente. O que faço para mudar?
    Obrigado

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    1. O que vc fala para essas pessoas que precisa falar para vc mesmo? O que em você, você está tentando ajudar ao querer ajudar os outros?

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  8. doutora adriana eu me encaixei no número 5 há uma saída pra isso? eu estou quase louco por uma situação que estou vivendo nem ata e nem desata o que me aconselha

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