13/12/2012

DÚVIDAS E AUTO-ESTIMA



Adriana Tanese Nogueira


A dúvida não deve ser nada além da atenção,

caso contrário pode tornar-se perigosa.

Georg Christoph Lichtenberg

(físico e escritor alemão 1742-1799)

Quando se está tomando um caminho novo ter dúvidas é normal. E a dúvida é útil porque  serve para esclarecer e averiguar com mais informações e reflexão a situação na qual nos encontramos e o que temos à disposição. Lidar com a dúvida, porém,  não é tão simples. Por um lado, ela parece ser racional, exigindo raciocínio e informações para ser resolvida. Por outro, ela pode se tornar uma espinha no pé que impede o caminhar.  Isso acontece porque por trás da dúvida se esconde outra questão, mais séria.

Digamos, por exemplo, que temos dúvidas em relação a qual caminho tomar, se o da serra ou aquele da beiramar para chegar em um determinado lugar. Não sabemos qual é mais rápido e seguro numa determinada hora do dia. Uma vez que juntarmos as informações sobre distância, trânsito e condições da estrada, sobre experiências passadas e parecer dos outros, a resposta final vai nascer de um ato de . Não temos como ter certeza de nada, portanto a dúvida não pode nunca ser extinguida por completo (a menos que não seja uma dúvida matemática!). Essa fé, por sua vez, é fé na vida mas também e sobretudo na fé-no-que-se-sente-da-vida. A fé na vida é mediada pela nossa percepção, que no fundo se resume à fé que temos em nós mesmos. A confiança que depositamos em nossas percepções (internas e externas) está ligada à nossa auto-estima.

Ao focar na busca por certezas e seguranças estamos demonstrando não ter boa auto-estima, porque essa busca alimenta, como num círculo vicioso, a própria dúvida. Sabemos que não há certezas absolutas fora as equações numéricas, portanto, procurar por certezas eleva automaticamente o grau de nossa insegurança, além de nos iludir. Mascarados de racionalidade, bom senso e cautela, os discursos da dúvida cozinham em fogo a falta de confiança que uma pessoa tem em si, no que sente, no que pensa, no que quer e no como age. Ou seja: na baixa auto-estima.

Como é, então, que se tomam as decisões mais difíceis?

Uma vez que a razão fez seu dever de casa – o que é importante – tendo esclarecido tudo o que estava ao seu alcance,  tomar a decisão nasce de algo irracionalmente positivo que move (ou não) nossas pernas e nos leva adiante (ou nos mantém firmes), fieis ao que nosso ser sente como verdade. E as coisas acontecem. Conforme as dúvidas são enfrentadas racionalmente no sentido de atrairem atenção para um determinado tópico que necessida de aprofundamento e reflexão, na pessoa com boa auto-estima vai ao mesmo tempo crescendo  um sentimento de confiança na direção de determinada escolha. E o que ela faz? Ela segue. E segue alegre porque quando se encontra o caminho surge ao mesmo tempo o o sentimento de alegria.

Mas a mente pode continuar perturbada, torturada pela dúvida e aí o sentimento de alegria é criticado como leviandade e, portanto, sufocado. Nesse caso, a pessoa volta à estaca zero e se diz que está empacada. Geralmente, ela permanecerá assim até um novo ciclo da vida a impulsionar a tentar dar o salto de confiança, o que às vezes dmeora muitos anos. E a vida vai passando. Dúvidas em doses oportunas são adequadas e importantes para tomar decisões, mas quando se arrastam por muito tempo revelam que o que impede de ir adiante não são as circunstâncias externas mas algo dentro da pessoa. Ou seja, o problema é psicológico e deve se abordado nesse sentido para ter chances de ser resolvido. Fazer diferente é só mais uma armadilha daquele aspecto humano enrolão e medroso que precisa ser mantido sob controle se se quer ter sucesso na vida.

5 comentários:

  1. Me fez refletir...
    http://mardeletras2010.blogspot.com.br/2012/12/pathos.html

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  2. Adriana, sou muito indecisa e tenho grandes dificuldades de expressar minhas opiniões. Acho que isso se deve ao fato de ter crescido num ambiente extremamente machista e agressivo, invasivo mesmo, quase sem privacidade. E acho que fui me acostumando a não me mostrar, por defesa, para evitar conflitos, porque quase sempre minhas opinioes são divergentes da minha familia e quando as expresso sou reprovada, alvo de críticas. Quais atitudes podem fortalecer minha auto-estima? Abs.

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    1. Terapia, querida, muita terapia. Os efeitos de crescer num ambiente assim não se mudam com atitudes mas com muito auto-conhecimento e busca das próprias verdades, reconhecendo as próprias conivências com o sistema, os medos, os desejos, a raiva... etc. Este é um processo. Se estiver interessada atendo online, se não procure alguém que possa orientá-la.
      Abraço

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  3. Olá Adriana,
    Bom dia!
    Sou uma mulher de 40 anos, e tenho uma filha de 22 anos do meu 1o casamento.
    Minha filha mora com minha mãe que é viúva há 10 anos e desde dos 6 anos de idade quando me separei, hoje ela estuda psicologia e ainda mora com sua vó.
    Eu sempre trabalhei para criá-la e sempre vivi com ela na casa de minha mãe.
    Há 5 anos me casei de novo com um homem 15 anos mais velho do que eu e vim morar com ele em um municipio há 1 hora de distância da casa da minha mãe.
    Sempre tenho contato com minha filha e minha mãe, pois todos os dias ligo pra elas, tambémsempre viajamos e passeamos juntas.
    Mas guardo um angústia no meu peito, meu atual marido não aceita que minha filha venha morar com a gente.
    Agora minha filha tem reclamado que nunca teve a opoertunidade de conviver na presença de seus pais e reclama que ainda mora com avó, fazendo com que eu me sinta cada dia mais culpada por tudo.
    Sofro calada, pois não tenho muitos amigos e nem tão pouco posso debafar com meu atual marido sobre tudo isso que vem acontecendo...
    Somos um casal feliz, tranquilo e não quero que isso mude nossa relação, mas preciso saber o que fazer diante desta situação.
    Por favor me ajude!
    Não aguento mais sofrer assim...
    Abraços

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    1. Luciana, só posso lhe dar efetiva ajuda se marcar uma sessão comigo, porque preciso ter muito mais detalhes do que contou para poder lhe dar uma orientação para sua situação. Se quiser entrar em contato, meu email é: adrianatnogueira@uol.com.br

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