13/01/2013

Saber Ser Brasileiro



Adriana Tanese Nogueira

Entre as muitas diferenças entre brasileiros e americanos a que mais salta aos olhos é seu nível de auto-estima. Já pensaram porque os americanos raramente são amados no exterior? O motivo disso é simples: por onde vão eles carregam consigo seu sentimento de superioridade e auto-confiança. Os americanos não imitam os outros, já notaram? Ao contrário, eles solicitam ou mesmo obrigam os outros a se adequarem à sua cultura, tanto eles se acham certos! Se isso gera antipatia em quem gosta de ser o que é e não tem intenção de mudar, representa também  a força do americano.

O imigrante que chega nos EUA há de se adaptar às regras da sociedade americana. Não só deve se encaixar no sistema do ponto de vista formal, os americanos não fazem exceção. Mas o que acaba acontecendo é que o brasileiro vira um camaleão, assumindo cultura, valores, jeitos e hábitos americanos. Infelizmente, muitas vezes o que é absorvido pelo brasileiro com baixa auto-estima e ansioso e fazer um upgrade de si mesmo é a cultura trash americana.


Os  EUA são o país dos opostos; encontramos aqui os extremos do positivo e do negativo. Saber navegar inteligentemente nesse sistema é essencial para realizar aquela vida melhor que trouxe o imigrante para cá. Mas essa “navegação inteligente” exige um mínimo de auto-estima para que se tenha critérios de escolha e se possa portanto construir uma vida enriquecedora sem ter que mutilar-se das próprias raízes.

É aqui que o brasileiro vacila. Infelizmente, o Brasil é o país do copiar os outros, e isso é algo que acontece há centenas de anos, faz parte da cultura. O famoso ditado “para inglês ver” vem disso: tem que fazer bonito “para inglês ver”, porque o inglês é autoridade. Depois vieram os franceses, hoje são os americanos. Os brasileiros têm sempre tido uma referência externa para pautar sua cultura “chique”, de modo que quando nos EUA imitam o americano para se sentir importantes, e se desfazem com altivez de sua cultura, jogando fora a criança com a água suja.

Exemplo: o primeiro objetivo do brasileiro imigrante é ter uma vida melhor em termos materiais. Isso eles conseguem após alguns anos de trabalho duro. Conheci pedreiros com casa própria, três geladeiras, TV em todos os quartos, piscina de mármore com cascata e etc. e tal. E como eles estão? Tristes e só. Outro exemplo: vejam as mulheres que após uns anos se mascara de celebridades americanas (aliás, não muito diferentes das dondocas brasileiras), o que significa cabelos lisos esticados, loiros ou aloirados obviamente, highlights, peito inflado, bunda minúscula e saltos estratosféricos. E como elas estão? Vazias, confuses e sós. Tudo aparência – bem à moda da cultura trash americana.

Para além dessa fachada de superfície, porém, os EUA são um país que oferece muitas oportundidas para desenvolver negócios e aprimorar conhecimentos. Mas para crescer como pessoas como um todo (e não ser mais um fake) é necessário valorizar a identidade brasileira , por exemplo, não abrir mão do calor humano (homens se abraçam no Brasil, viu? Não é coisa de gay!), do carinho e da flexibilidade. Ser jeitoso é ser brasileiro (jeitoso não quer dizer malandro); ser tolerantes e alegres, abertos aos outros (não precisa ter medo das pessoas!) é também ser brasileiros.

Por outro lado, os EUA precisam de calor humano, “jeitosidade”, paciência, flexibilidade e carinho tanto quanto o Brasil precisa de organização, disciplina e regras. Estamos nos EUA para dar, não só para “pegar”. De qualquer forma, há de ser pego o que existe de melhor, o que serve para nos fazer pessoas e profissionais melhores, não para nos nos disfarçarmos em meio aos americanos com vergonha da própria terra.

O Brasil é um país de muitos problemas mas de grandes riquezas – não só do solo, mas também e principalmente de seu material humano. Se o imigrante deixou a pátria porque esta não lhe oferecia condições para viver, é preciso que saiba que essa pátria foi por séculos maltratada e os americanos tiveram sua participação essencial na manutenção de uma ordem que não convinha ao brasileiro mas convinha a eles. Portanto, quando se critica o Brasil, o brasileiro deve ser justo e levar em consideração que seu país foi usado e abusado, e não é um acaso que o irmão do andar de cima (os EUA) se deu melhor.

Ser brasileiro é um ganho, uma riqueza e uma força. É questão dos brasileiros sairem da núvem de chuva da baixa auto-estima e começar a usar os EUA. Usar com respeito, mas usar o que tem de bom e contribuir para esse país ensinando-lhe orgulhosamente o  que é “brasilidade”.

Adriana Tanese Nogueira
ATNHumanize.com – 561-3055321

Nota: Artigo para o jornal Gazeta Brazilian News do Sul da Flórida, EUA.


Um comentário:

  1. Muito legal Adriana... me identifico com o mesmo pensamento...estou aqui a um ano. Tem muito conforto e facilidades mas o povo se acha!
    Obrigada,
    Ana Walker
    anacarolinaenfermeira@hotmail.com

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