UM NOVO ANO, UM NOVO TEMPO

Adriana Tanese Nogueira

Um novo ano está para começar. Gosto do Reveillon porque ele é um ritual de fechamento e de início, demarcando psicologiamente o final de uma fase e o começo de outra. Faz bem para a psique saber que temos um momento que pode ser aproveitado para demarcar simbolicamente o tempo, o qual não é um contínuo mas cíclico. Todas as etapas da vida tem começo, meio e fim. A infância acaba, a adolescência dá lugar à juventude matura e esta
também um dia termina. A gestação abre um novo ciclo, o parto é a apoteose desse novo começo e aí tem início uma longa experiência feita de muitas fases. Os bebês crescem e já são crianças, as quais um dia serão adolescentes que demitirão seus pais do lugar de donos do saber e chegará a hora em que seus quartos estarão vazios. A pele muda, o corpo se transforma, os olhos ganham novas expressões e novos saberes. A vida é cíclica.

Saber aproveitar a vida significa saber transitar por estas etapas sem querer eternizar nenhuma delas; estaríamos destinados ao fracasso inevitável. Reconhecer que precisamos manter o passo e seguir o caminho é um dos segredos mais difíceis e mais óbvios que existe. Há adolescentes arrogantes de 50 anos e crianças impertinentes de 40. Há mocinhas insegura de 45 anos e bebezões mimados e dominadores de 35. Envelhecer certamente não corresponde a amadurecer. E aprimorar o intelecto não traz consigo o amadurecimento do coração ou das atitudes. Assim como a vida é cíclica, nós somos um complexo quebracabeça feito de muitas peças cada qual precisando de sua escola, de sua atenção e de suas experiências de crescimento para se desenvolver.

A diferença entre essas etapas existenciais e o reveillon é que neste não está imbutido nenhum um processo biológico necessário; se trata de um ritual social e psicológico. Esta época do ano é como uma pausa na fala, como o silêncio entre as notas tão importante quanto o que explicitamente se ouve. O que então celebrar nessa data? 

Recordamos o que realizamos no ano que está findando, as conquistas, as perdas, as mudanças, os desafios e as alegrias. Quais foram as suas? Se tivesse que voltar atrás refaria tudo de novo? O que mudaria? Qual foi seu aprendizado? Que pessoa é hoje comparada ao início do ano? Foi bom? O que poderia ter sido melhor? Nessa época do ano é hora de fazer um inventário, avaliar nosso percurso, pesar e analisar o que valeu a pena e o que não. Somente então os propósitos para o novo ano fazem sentido. A verdadeira pergunta é: quem queremos ser nesse ano que está para começar? 

Na trajetória de autocrescimento e desenvolvimento, cada ano marca uma passagem. Se você está comemorando um transcurso é porque sua vida deu alguns passos para frente, você os deu. Qual será a direção de agora em diate? O que a vida lhe diz? O que seu coração quer? O que sua mente sugere? Que estas perguntas estejam com você na transição de 2013 para 2014. Feliz tempo novo de realizações!

Comentários

  1. Oi Adriana, tudo bem? Amei seu post... também sou psicóloga e estava em busca de um texto que falasse sobre encerramento de ciclo... coloquei no google e achei este texto maravilhoso! Não pude deixar de copiar, mas óbvio que não esquecerei de colocar os direitos autorais! Te acompanharei por aqui! Um beijo

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas