17/08/2015

DEPRESSÃO, COVARDIA, PREGUIÇA

Depressão: o que é? Nossa energia vital se recolhe, se retira do investimento no mundo que não mais atrai, e fica como que “quieta”, num canto. Viramos o rosto para não olhar para a realidade externa, queremos nos afastar dela. Dizemos “não” à vida como a conhecemos ou como achamos que tem que ser. E com que ficamos? Aparentemente, com nada.
Há dois tipos  gerais de depressão: uma natural do processo evolutivo de cada um e outra consequência de uma escolha.

Segundo C. G. Jung, os movimentos energéticos para fora (investimento na realidade externa) ou para dentro (invetimento na realidade interna) fazem parte natural do processo de desenvolvimento da personalidade: ora canalizamos no mundo (trabalho, estudo, carreira, família, projetos...), ora recuamos dele porque precisamos repensar, reavaliar, rever, e quem sabe tomar novos rumos e novas atitudes. (E quando este processo natural não é compreendido e administrado da forma correta pode engendrar um quadro grave de depressão que poderia ter sido evitado se o fenômeno tivesse sido adequadamente abordado.)

A depressão que se instala por uma escolha é de outro tipo. Ela é consequência do fato de não querer dar o passo que já se percebeu ser necessário na situação na qual nos encontramos.

Somos menos e mais bobos do que pensamos. Por um lado nós sacamos muito mais do que estamos dispostos a reconhecer; por outro, insistimos no que não tem conserto ou não vale a pena. E fazemos isso por dois motivos: covardia e preguiça. Por trás das razões românticas e sentimentais, dos apegos que também existem, há a prosáica e banal realidade de que temos medo e não queremos nos dar ao trabalho de enfrentar o que virá pela frente.

Assim, no lugar de agarrar nossa intuição e seguir o caminho, desviamos nosso olhar não da realidade externa mas daquela verdade interior que já percebemos. Damos as costas à porta de saída e nos lamuriamos que não há saídas. Há sempre uma solução: a questão é saber se queremos assumir o esforço, o trabalho, a dor, a determinação, a vontade de viver e de vencer que abrir a porta requer. O rio só não chega ao mar porque não quer.

Se o caminho intuido não estiver claro também não é um problema. Aliás, é comum e normal. Intuição não é ainda realização. Uma coisa é sacar uma saída outra é torná-la realidade, para isso existem profissionais que ajudam na “tradução” e dão uma guia até o “outro lado”. E mais uma vez percebemos que há saídas. Depende de você querer se dar ao trabalho de assumir sua vida em suas mãos e encarar o que é que tiver que ser encarado. É assim, ou nada. Não há meio termos.

Infelizmente, muitos desenvolvem um tipo de hipocrisia consigo próprios e se enrolam tão bem enrolados em suas mentiras que não conseguem mais discernir o joio do trigo. Nesse marasmo, as intuições boas facilmente se perdem. Se a pessoa se aperceber isso, recorra a um profissional para ajudar a encontrar o fio da meada, se não se aperceber disso a realidade irá com o tempo lhe dar oportunidade para despertar de seu transe.

Concluindo, a depressão por covardia e preguiça se instala toda vez que evitamos dar aquele passo, de tomar aquela atitude e decisão que já percebemos temos que tomar mas não sentimos coragem para assumir. Ter medo é normal, duvidar das próprias capacidades e portanto “ter preguiça” só de pensar em começar a obra também é normal. Agora, faz parte da normalidade termos livre arbítrio, ou seja o direito de escolha. Qual é a sua?

Adriana Tanese Nogueira
Psicanalista, terapeuta transpessoal, life coach, educadora, autora. Boca Raton, FL-USA 1-561-3055321

2 comentários:

  1. Boa noite Adriana!

    Encontrei seu blog por querer saber a diferencia básica entre Freud e Jung. Agradeço pois consegui meu objetivo. Fui estudante de engenharia, mas no momento tranquei meu curso e só trabalho, mas sempre gostei de filosofar e tentar entender um pouquinho de grandes mentes.
    Como achei interessante sua escrita, comecei a navegar em seu blog e fiquei feliz por ver em sua bibliografia o autor Hermann Hesse e Rilke, principalmente os livros que eu li.

    Venho comentar neste postagem por ter superado uma depressão que se estendeu por mais de um ano e pouco, tendo picos (se assim posso dizer) muito fortes. E realmente o grande problema não esta somente no meio externo (que também logicamente influencia) mas sim também em nossas atitudes, no querer mudar, no foco, na determinação, juntar o sonho com a atitude, se assim não o fizer, o tempo inevitavelmente passa e vem a frustração. Por isso hoje me encontro muito mais focado e pronto para recomeçar meus estudos em outra área da engenharia. Foi uma decisão difícil, mas necessária.

    Por último quero parabenizá-la por seu blog e dizer que vou navegar por aqui sempre que der!

    Abraço Carlos

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