25/01/2016

SOFIA, A MENINA QUE QUERIA SAIR DE CASA

Sofia é uma menina de quatro anos, a filha mais velha de três, as outras duas são gêmeas de um ano e pouco. Sofia tem uma mãe muito paciente e amável, que teve as filhas de cesáreas por complicações que eram mais da ordem da desinformação e insegurança sua do que fisiológica. Hoje ela trabalha em função da humanização do aprto, do empoderamento da mulher, da promoção do aleitamento materno e de todas essas coisas bonitas.

Entretanto, a mãe de Sofia está casada com homem que está com dificuldades para se adaptar ao papel de homem adulto e de pai. Ele chega do trabalho nervoso e desconta sobre Sofia suas frustrações. Em particular, ele parecer querer retirar de Sofia o que para ele são “privilégios”, e que numa análise mais aprofundada vemos que se trata da vida alegre de criança tratada bem e amada por sua mãe. O pai de Sofia então é tão crítico e mal-humorado com a filha porque está, por trás das desculpas esfarrapadas, com ciúmes dela.

O pai que Sofia não é mau, mas é filho único de uma mãe que o considerou até a idade adulta como preciosidade, e ele estava costumado a ser bem tratado pela esposa, a qual é tão disponível e boa com as filhas quanto com o marido. Entretanto, com a chegada das meninas a administração dos afetos na casa precisou ser modificada e o novo equilíbrio desconcentrou o pai de Sofia. Ele parece espernear por não ser mais o “filho predileto”, o centro das atenções da esposa, e de se encontrar, ao invéz, no lugar de pai provedor, educador, paciente, generoso e cuidador.

Mas Sofia não sabe de nada disso, e não cabe a ela compreender o pai. Uma criança de quatro anos não tem essa obrigação. Cabe aos adultos a obrigação de compreender a criança e de se adaptar às necessidades dela. Portanto diante desse homem “grande” que vive colocando-a para baixo e espizinhando-a, Sofia um dia desses chega para mãe e diz: “Mãe, eu quero ir embora desta casa.” Em sua sabedoria, Sofia percebe que não tem perspectiva dela ser feliz e de crescer bem num ambiente como aquele. Sentindo-se ameaçada, lhe parece que a única solução é sair de casa.

Sofia está rejeitando o bulling do pai. Sua reação demonstra que ela é uma criança totalmente saudável, com sentidos em perfeito funcionamento, com boa autoestima e amor próprio e conhecimento do certo e do errado. Sofia merece nosso respeito. Damos os nossos parabéns a ela e a sua mãe, porque certamente sua mãe contribuiu para que Sofia preservasse sua saúde psicológica.

Mas tem um elemento não saudável na casa, o pai. O que fazer com ele?

É comum as crianças perceberem os limites do ambiente no qual “cairam de paraquedas”. Infelizmente, porém, não podem tomar as atitudes que seguiriam à sua clara percepção. Sofia não pode ir embora de casa. Nenhuma criança pode jogar sua mochilinha nas costas e dar tchau aos pais. Ela depende deles – ainda.


Crianças precisam de pelo menos um adulto responsável que assuma o lado delas, enxergando sua sabedoria e se dispondo a ajudá-las. Não é culpa de Sofia se ela tem somente quatro anos e se ela é uma menina feliz, inteligente e sensível. Cabe, neste caso, à mãe da Sofia tomar as providências e... proteger a filha da imaturidade emocional do marido ao mesmo tempo em que o educa para que ele se torne um homem adulto e responsável. Isso também é ser mãe. Isso é maternidade ativa. Isso é crescermos juntos.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente – Presencial, Skype, por telefone e por escrito. Boca Raton, FL +15613055321. www.adrianatanesenogueira.org

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