03/02/2016

A LIÇÃO DA BOA EDUCAÇÃO

Somos todos educadores. Tudo que nós fazemos a cada dia é, querendo ou não, uma forma de educação. E infelizmente “educação” não quer dizer necessariamente educação para o bem, para o conhecimento, para os valores (do bem), para o melhor, para o conhecimento. É ingênuo pensar que educar seja simplesmente a conversinha sobre o certo e o errado que se faz aos filhos à noite antes de ir dormir, ou a aulinha de matemática e os deveres de casa de história.

Educar é TUDO o que fazemos, absolutamente tudo. A forma como nos portamos pelas ruas, como dirigimos, como conversamos com os vizinhos, os assuntos sobre escolhemos conversar, as pessoas que valorizamos, as regras que seguimos e aquelas que não seguimos... O que deixamos passar, o que elogiamos, o que criticamos, o que acatamos e o que rejeitamos, onde gastamos nosso dinheiro e tempo e o onde evitamos gastar nosso dinheiro e tempo. Observe onde gasta seu tempo e dinheiro e... saberá quem é, seus verdadeiros valores e interesses.

E com “valores” não quero dizer: o valor da amizade, da justiça, da ética.... Há o “valor” do oportunismo, da mentira, da preguiça, do conformismo, do comodismo. Valor, infelizmente, não equivale necessariamente a coisa boa. Valor é o que “vale”... para uma determinada pessoa e num determinado contexto social. Portanto, podemos educar para a estupidez, o medo, a ignorância, a violência, a omissão...

O pai que agrede o filho o está educando para a violência e para a insensibilidade.  O pai ausente está ensinando a rejeição. A mãe omissa está ensinando a omissão e com ela a mentira e a hipocrisia. O amigo traidor está educando para a desconfiança. O vizinho ladro também. A polícia violenta e abusiva para a injustiça. O governo corrupto para a impotência assim como os pais violentos e impunes. O sorriso gratuito educa para a gentileza. O gesto sincero para a ternura. O amor pelo conhecimento para o conhecimento e assim vai.

Nos cabe tomar consciência do que fazemos e assumir nossas escolhas. Intencionalmente ou não, todos exercemos um papel no ambiente no qual vivemos, todos somos educadores e oferecemos exemplo. Portanto, a pergunta que temos que nos colocar é: que ambiente queremos cirar e promover?

Isso começa na família. Relacionamentos não são fáceis. Outra gigantesca ingenuidade é achar que ter um relacionamento romântico é para nos fazer sentir bem, relaxados, felizes. Isso também, mas não só: relacionamentos dão trabalho. Todos eles, com o/a parceiro/a e com os filhos. Logo precisamos ter consciência e escolher os “sim” que damos e os “não” que utilizamos. O fato de você não topar ver certos programas na televisão é educação. Tomara que você esteja excluindo programas que fomentam a violência gratuita e a sexualidade barata. Mas, e se for o contrário?

Uma mulher que permite que seu marido a agrida o está educando para a impunidade e a si mesma para a submissão. Uma mãe que permite que o pai de seus filhos os agrida o está educando para a violência e está educando os filhos para uma normalidade abnormal, e para o medo e a infelicidade.

Mudar a realidade começa tomando consciência do poder das nossas ações, gestos, olhares, sims e nãos. Se você não gosta de uma forma de relação não se deixe encaixotar. Agora, claro, requer trabalho! O trabalho de mudar o próprio comportamento e sustentar a tensão que irá produzir. Educar conscientemente para o bem é empenhativo e é por isso que poucas pessoas o assumem, preferem seguir inconscientes, sem perceber que assim fazendo fortalecem a própria realidade da qual depois reclamam.

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente – Presencial, Skype, por telefone e por escrito. Boca Raton, FL +15613055321. www.adrianatanesenogueira.org


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