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MÁGICA DAS CRIANÇAS

Outro dia, um policial aqui nos Estados Unidos ensinou uma menina de 11 anos a pular amarelinha. Ele quis amenizar o impacto que ele e seu colega fizeram nela e na mãe, ambas sem teto, ao abordá-las e encaminhá-las para um centro de referência. Enquanto aguardavam pela transferência, o oficial Zach Pricer pensou em ensinar a brincadeira à criança para distraí-la. Fez o desenho no chão e apresentou uma demonstração, fazendo a menina sorrir.

Este pequeno e singelo gesto da parte de um homem de uniforme em posição de poder para com uma criança desamparada mostram a civilidade do forte diante do fraco. Todo adulto é forte diante de uma criança, abusar desse poder é algo que marca profundamente a alma de um jovem, pois todos sabemos, ou melhor, sentimos quando fomos injustiçados. Gestos assim, como o do policial, só enobrecem quem os executa e acariciam o coração de quem os recebe.

Este é um exemplo da ideia de que “amar é educar”; o policial está educando a menina para a cordialidade, a amenidade, a leveza, enfim... o amor. O amor compatível, claro, com uma relação transitória, numa circunstância precária e de curta duração. Mas não deixa de ser “amor”, o gesto impregnado de sentimento positivo que irá ficar com a menina.

De poucas coisas precisamos para tornar nossos dias mais alegres e bonitos. Todas as crianças nos dão essa oportunidade se somente conseguimos olhar para elas e nos sintonizar com seu ponto de vista sobre o mundo – assim como fez esse policial que soube colocar a menina em primeiro lugar, fazendo-a sentir mais importante de sua condição de sem-teto, desamparada, pobre, sozinha. Apesar disso, ela era uma criança!
As crianças retiram o véu de peso e seriedade do mundo, refrescando-o com sua inocência e genuinidade. Como pais, deveríamos conseguir aproveitar desses momentos com nossos filhos, pondo de lado o peso de nosso dia-a-dia e pulando com eles de amarelinha. Uma pausa, um pequeno intervalo que vale quando 1 hora de meditação no centro yoga na frente da praia.

Aposente sua cabeça de adulto por um momento, ou melhor, use sua consciência de adulto para aposentar suas preocupações de adulto entendendo que é hora de ser um pouco criança para o bem de seu filho e seu próprio. As crianças precisam dessa nossa delicadeza, desse cuidado, dessa sensibilidade. Ao darmos a ela isso tudo, o estamos dando a nós mesmos e assim renovando nossa alma, escapando do feitiço que nos torna rígidos, tensos, nervosos, antiquados.

Colocar-se no lugar das crianças por alguns momentos deveria ser uma prática cotidiana, um hábito de toda mãe e de todo pai. Seu olhare é o que faz florescer um filho, seu olhar amoroso, presente, atento. Seu filho desabrocha graças a ele. Em troca, você, ao se vincular com seu filho, partilhando suas emoções, refresca e renova sua alma, melhor do que uma saída com os amigos, ou um jogo de futebol. Mas é preciso que seja vínculo verdadeiro, aquele quando o mundo para e só estamos nós, eles e nós, numa realidade paralela e surpreendente. Bastam poucos minutos, como em toda mágica o tempo é relativo.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente – Presencial, Skype, por telefone e por escrito. Boca Raton, FL +15613055321. www.adrianatanesenogueira.org.


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