Pular para o conteúdo principal

ADOLESCÊNCIA E AUTORIDADE DOS PAIS

Uma das características da contemporaneidade é o questionamento do princípio de autoridade, começando com aquela dos pais. Os critérios do passado não funcionam mais para manter uma relação respeitosa com a nova geração. Muita coisa mudou, muita coisa que não se encaixa nos padrões antigos.

Assim, é sempre mais difícil exercitar a autoridade sobre os filhos adolescentes, o que entretanto é de enorme importância para o desenvolvimento adequeado, equilibrado e saudável dos mesmos. Por outro lado, é justamente nessa fase que os pais se sentem cansados. Já fizeram muito, já trabalharam muito, já lutaram muito para manter a família unida, ou para prover por ela, superar os desafios de cada dia e as mil e uma demanda dos filhos em suas diversas etapas de desenvolvimento. Após 15 anos estão precisando de umas ‘férias” do trabalho de ser pais e eis que as coisas voltam a ficar complicadas, tão complicadas quanto aqueles primeiros meses de vida daquele bebê lindo mas que também colocou suas vida de ponta cabeça.

O que fazer?

Analisemos o conceito de autoridade: há a autoridade e o autoritarismo. Este último é a imposição da autoridade pela simples força: o mais forte manda, ponto, fim de discussão. Quando a criança é pequena quantas vezes não a pegamos pelo braço e a arrastamos para fora da cama ou para ficar de pé e parar de se jogar no chão, ou a mandamos pro quarto “pensar”? Atos baseados no fato que você é mais forte e ela tem medo de você. A criança tem perfeita noção, apesar de forma inconsciente, de que ela depende de você para sua sobrevivência. E você também sabe disso, e... às vezes se aproveita, né?, porque não sabe o que fazer...

Isso cria ressentimento interno que, mesmo quando não for projetado diretamente sobre os pais (porque as crianças os amam) se reflete no desconforto delas diante dessa dependência e vulnerabilidade que todos conhecemos, porque todos fomos crianças.

Aí chega a adolescência e com ela a vontade de quebrar todas as correntes e de ser donos de si. Essa vontade tem raízes biológicas: o ser está caminhando na direção da maior idade, que consiste justamente em “ser dono de si”. Mas o jovem continua sentindo suas limitações, enormes e reais. E isso dói – e dá raiva. Ele quer ser e fazer mas não é objetivamente “ninguém” no mundo. Muitas vezes seus pais continuam tratando-o como uma criança, e ele se ressente disso, não podendo perceber que a criança ainda está nele; enquanto seus pais sem sempre conseguem enxergar o homem ou a mulher querendo desabrochar naquela criança que conhecem desde bebê...

É um processo dolorido e conseguirmos manter a autoridade nos permite ajudá-los, e eles precisam mais do que nunca de nossa ajuda.

É necessário então desenvolver a autoridade, aquela coisa que nasce por causa do respeito e não do medo. O medo afasta, o respeito apromixa. Pais devem ser guias discretos e generosos, mas firmes e perspicazes. Saber reconhecer o antigo e o novo no filho, permitir-lhe suas experiências e seus erros segurando o timão para que não sejam demais e derralhem a carruagem. Cada caso é um caso, por isso é preciso olhar de perto cada realidade para desatar nós e permitir o fluxo do desenvolvimento.

Também, ter autoridade e respeito não é ser amigos dos filhos: a relação não é igual àquela entre pares. Pais são líderes. O estilo da liderança pode e deve ser amoroso, disponível e generoso, mas sobretudo honesto, incluindo reconehcer erros. Entretanto, sua voz precisa ser ouvida por fazer sentido, por fazer diferença em prol do bem maior.


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org e www.atnhumanize.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O que fazer com um marido alcóolatra?

NOTA: Pessoal, estou com dificuldade em responder às suas perguntas porque a página está ficando "longa" demais, por isso criei esta outra página (O que fazer com um marido alcoólatra 2) para conversarmos por lá, ok? O Blogger está "em crise": comentários demais! O problema é graaaande, certo? Abraço, A.


"Bom dia Adriana,
Gostaria muito de um conselho, se é que isso é possível.
Em uma das minhas inúmeras buscas na internet por uma luz, um consolo para essa minha vida miserável de esposa de alcoólatra, estava lendo um texto seu "O que fazer com um pai alcoólatra" e resolvi lhe escrever.
Acho que eu e meus filhos é que estamos no fundo do poço. Meu casamento de 19 anos, um casal de filhos e a cada dia que passa fico mais perdida e desiludida. Já perdi a esperança de um dia viver em paz com meus filhos. Tenho aguentado tudo isso por eles. Meu filho mais novo (12 anos) gosta muito do pai e acho que não suportaria se eu o abandonasse. Fico nesse dilema: será q…

O que fazer com um pai alcóolatra

Adriana Tanese Nogueira 
Um leitor, após ler meu texto "Obsessores: quem como e por quê" me escreveu pedindo aconselhamento a respeito de seu pai. Infelizmente, o email acabou sendo deletado pelo sistema e respondarei a S.L. por aqui.
Em primeiro lugar, alcoolismo é alcoolismo mesmo quando a crise, resultado da bebida, acontece uma vez por ano. Que a pessoa beba todos os dias ou de vez em quando (como muitos gostam de chamar com um eufemismo, "socialmente") não importa. Deve-se atentar para o desfecho. O não-alcoólatra quando bebe muito passa mal, o alcoólatra tem uma crise violenta, exagerada, "possessa".

Alcoólatras agridem verbalmente as pessoas que mais amam, quanto mais próxima for a pessoa mais esta sofrerá. A agressão pode ser física ou verbal, mas é sempre de nível extremamente baixo. Parece que o objetivo do alcoólatra é acabar com o outro, frantumar sua auto-estima, afogá-lo na culpa, rasgar-lhe qualquer dignidade. Após ter vomitado violentemente t…

POR QUE ESQUECEMOS DA INFÂNCIA

Adriana Tanese Nogueira

Em minha opinião, aceitamos com demasiada indiferença o fato da amnésia infantil - isto é, a perda das lembranças dos primeiros anos de vida - e deixamos de encará-lo como um estranho enigma. S. Freud, Sobre a psicopatologia da vida cotidiana

Um dos motivos que, com certeza, provocam o apagamento de grandes partes da infância é o estresse vivido naquela época. No conto de fada que os adultos gostam de tecer a respeito das crianças consta que a delas seria uma época dourada, sem preocupações, contas para pagar, tensões, trânsito e relacionamentos difíceis. Balufas. As crianças sofrem e podem sofrer muito, e muitas delas têm uma vida do cão (estou falando de crianças "normais" vindas de famílias “normais”).
O fato delas não terem a consciência e o conhecimento de um adulto só piora as coisas, porque elas não podem dar nome ao que as machuca. Isto as confunde, as deixando ainda mais assustadas. Para pior as coisas e aumentar a perplexidade e confusão da crianç…