10/05/2016

QUAL TIPO DE INTELIGÊNCIA TEM SEU FILHO?

Em 1983,  Howard Gardner lançou o livro “Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences”. Sua ideia é de que há diferentes tipos de inteligência ou diferentes modalidades da inteligência. Uma inteligência é um "potencial biopsicológico para processar informações que podem ser ativadas num contexto cultural para resolver problemas ou criar produtos que tem valor cultural”.

Nascemos com todas elas, mas cada um tem uma tendência para desenvolver mais uma do que as outras. Entretanto, todas trabalham juntas e é importante que seja assim para o desenvolvimento equilibrado da criança. Naturalmente, esta nova perspectiva sobre a inteligência questiona a educação, focada como está quase que exclusivamente sobre somente duas modalidades de inteligência (a matemática e a linguística).

Vejamos como funcionam essas inteligências e como você pode ajudar seu filho a desenvolver seus talentos e a integrá-los numa totalidade saudável:

1) Inteligência musical e rítmica. A criança é sensível aos sons, ritmos, tons e música em geral. Tem ótimo senso do ritmo, é afinada, tem facilidade para tocar um ou mais instrumentos e compor música. Se seu filho apresenta essas características invista nelas sem porém deixar de lado o resto. É importante permitir que haja um desenvolvimento na área que é mais sensível para a pessoa, ou seja mais fácil, o que vai resultar em mais felicidade!

2) Inteligência visual e espacial. Aqui está a capacidade de se orientar no espaço, de visualizar dimensões e tamanhos com a mente. Boa para futuros geómetras, exploradores, navegadores e inclusive jogadores. Como promovê-la? Através de esportes que requerem movimento físico e através de longas caminhadas pela cidade, desenvolvendo o senso da orientação, passeios de bicicleta também são bons, escaladas em montanhas e tudo o que envolve estar ao ar livre e se locomover.

3) Inteligência verbal–linguística. Característica principal daquelas crianças (meninas muitas delas!) que falam muito, gostam de falar e não só: gostam de aprender novas palavras, de elaborar o vocabulário, de contar histórias e de escrever. Que tal estimulá-las a escrever um livro? A contar histórias para os menores nas bibliotecas públicas? A criar um blog sobre assuntos que exigem articulação de ideias?

4) Inteligência lógico-matemática. Esta é a área da lógica, do raciocínio abstrato e dos números. Aqui tem origem a capacidade de compreender os sistemas causais e é a área mais amada na cultura ocidental e americana em particular. Crianças (sobretudo meninos!) com essa aptidão devem ser encorajados mas também suportados no desenvolvimento de outras áreas da inteligência para evitar uma unilateralidade prejudicial. Por outro lado, é importante dar-lhes desafios nessa área também porque muitas vezes o material escolar é fraco diante da capacidade deles e então se entediam.

5) Inteligência corpórea-cinestética. Trata-se aqui da capacidade do controle do próprio corpo, desde aquela do movimento  físico à capacidade motora fina. Importante para os jogadores, dançarinos, atores e artesãos. Como promovê-la em crianças desengonçadas e desajeitadas? Colocando-as em cursos de arte, desenho e cerâmica, matriculando-as em aulas de dança e em esportes.

6) Inteligência interpessoal. Algo do qual há muita necessidade, são os chamados “social skills”, o que implica a capacidade de ser empático, de perceber aos outros e seus sentimentos, de saber cooperar, trabalhar juntos, suportar, entender. Uma das inteligências mais “humanas”, que Gardner comparou à inteligência emocional de Goleman. Indispensável para professores, executivos, políticos, psicólogos, assistentes sociais e vendedores. Como promovê-la em seu filho? Simples: seja você empático, sensível, compreensível com ele, escute-o de verdade, preste atenção nele. Esse tipo de inteligência se aprende somente tendo-a recebido.

7) Inteligência intrapessoal. Se trata daqui da capacidade de introspecção, também indispensável na vida porque somente por este caminho é possível: aprender com os erros, avaliar o que realmente queremos, escolher trabalho e vocação, ajustar os relacionamentos, enfim perceber-se. Como promovê-la em seu filho? Desenvolva-a em si e depois tenha com ele momentos de conversas íntimos sobre o que se sente, como se sente, porque se sente e o que se pensa a respeito. Observe-se e assim ensina-lhe a se observar.

8) Inteligiência naturalística. É a capacidade de se conectar com a natureza e de ter facilidade em reconhecer (e estudar) flora e fauna. Pertence a camponeses, caçadores, profissionais das ciências naturais. Se trata de pessoas receptivas às questões ecológicas e às grandes mudanças climáticas do planeta. Essenciais hoje em dia com os tempos que vivemos em que é preciso prestar mais atenção à natureza. Matricule seu filho em trilhas, explorações de praias e lugares recônditos, estudos de biologia, observação da vida marítima ou daquela das florestas, compre livros a respeito e mande-o para acampamentos interessantes no verão.

9) Inteligência existencial ou inteligência espiritual. Se trata da capacidade de indagar sobre o sentido das coisas, da vida, da existência de cada um e do todo. É a tendência filosófica para a busca de verdades universais, do sentido da existência, assim como das questões do bem e do mal, do lugar da humanidade na terra e no universo. Não tem vínculo com a fé religiosa e certamente não está ligada a nenhuma religião institucional. Como desenvolvê-la em seu filho? Bons livros de filosofia e conversas profundas sob o céu estrelado no silêncio de uma noite de verão...

10) Inteligência moral. Outra grande qualidade tão necessária hoje em dia! Se trata daquela sensibilidade diante do certo e do errado, inata em todos os bebês conforme as pesquisas mostraram, que faz com que a criança saiba reconhecer o que é certo e adequar seu comportamento conforme. Relaciona-se à inteligência interpessoal, intrapessoal e existencial, corresponde à realização de relações harmoniosamente justas no contexto social e do desenvolvimento de uma identidade integrada e “de bem consigo mesma”. Como promovê-la? Ensinando o que é certo e praticando-o, conversando sobre os desafios que é não só enxergar o que está errado, como evitá-lo e praticar o bem. Ter conversas francas a respeito que vão bem além do ‘seja um menino bom’.

O mais interessante é que as muitas inteligências expandem nosso horizonte não só no que diz respeito à nossa identidade mas ampliando as opções de aprendizado. Cada uma dela tem sua linguagem e seus ensinamentos. Aprender não lendo e escrevendo e fazendo operações matemáticas, mas abraçando, ouvindo, andando por trilhas, observando animais e plantas, meditando e refletindo sobre nossos valores. Cada vez que se quer ensinar algo podemos definir o tópico e depois criar 10 raios em volta desse centro e inventor 10 maneiras diferentes de ensinar o mesmo assunto. Bacana, não?


Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone e por escrito. Boca Raton, FL +15613055321. 


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