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AS DORES DE CABEÇA DE QUEM NÃO ENXERGA DIREITO

Preciso ir renovar meus óculos. O grau anterior já não serve mais. É incrível como uma mínima variação no grau já produz uma reação poderosa de dor de cabeça caso eu insista em usar o computador ou ler – o que infelizmente não posso simplesmente deixar de fazer.

Refletindo sobre essa simples realidade que todos os que usam óculos para ler conhecem, me diverti pensando em como esta dos óculos errados e das dores de cabeça é uma perfeita metáfora para outras dores de cabeça e outras lentes incompetentes para apreender o real. Afinal, a verdade é que o mundo físico é um espelho daquele psicológico, ou vice-versa. Vivemos numa cultura tão banal que não atenta para o óbvio, aliás, não banal. Vivemos numa cultura que usa lentes ineficazes para compreender a vida.

O sofisticado equilíbrio do nosso corpo (assim como de nossa psique) requer que o grau de visão seja absolutamente preciso, nossas lentes não podem ser nem mais fortes nem mais fracas do necessário ou então a dor de cabeça é assegurada tanto quanto se não tivéssemos óculos alguns. Somente a visão correta mantém o equilíbrio, onde “correto” significa visão precisa, nítida e capaz de perceber o objeto do “tamanho certo”, nem maior nem menor do que é. Para saber se enxergamos bem basta conferir se temos dor de cabeça. Não temos? Então estamos enxergando as coisas do jeito que são!

Esta realidade de nossos olhos físicos vale para os olhos da mente que nada mais são do que nossa forma de enxergar a realidade. Como vemos o mundo? A nós mesmos? Aos outros (filhos, maridos, esposas, amigos, pais, parentes, irmãos, vizinhos)? O que do mundo nos dá dor de cabeça? Aí está uma pista...

Conseguimos enxergar as coisas de perto ou nos orientamos em nossas relações e escolhas por aquelas frases gerais, abstratas, repetidas insistentemente sem que nada mude? Não muda porque a realidade é feita de situações, pessoas e objetos específicos, particulares, únicos. Frases gerais ou mesmo verdades gerais não têm eficácia: é preciso saber olhar de perto, identificar a particularidade, a individualidade para poder atuar nelas. De longe e com a vista embaçada um cão poderia ser qualquer uma das dezenas de raças que têm aproximadamente o mesmo tamanho. É preciso afinar a visão, ou seja polir as lentes.

As lentes são a forma de interpretar o real. Assim como os olhos interpretam os inúmeros pontinhos de luz que percebem do mundo externo, cada um de nós interpreta a realidade – externa e interna – conforme uma lente, um modelo interpretativo que vem da nossa criação e história de vida, ambas profundamente moldadas em torno de uma específica cultura.

Como sabemos, as culturas mudam e precisam mudar. Como cada um sabe por si mesmo, a gente muda ao longo da vida e precisa mudar. Nem sempre porém conseguimos mudar nossas lentes e isso porque é difícil enxergar as lentes que usamos para enxergar! É como se o olho tentasse olhar para si mesmo para entender seu ponto de vista.

É por isso que precisamos de outro olho, de outro olhar. Por isso se recorre à “terapia” que, quando não está voltada para a patologia, há de ser uma verdadeira (re)educação psicológica. Um aprendizado que endireita a visão, retira a amplificação e a redução, permitindo enxergar a realidade na sua real dimensão.

Por que isso é importante? Simples: para evitar dores de cabeça!

Sem as lentes corretas não se compreende adequadamente uma situação, e sem compreendê-la não a se resolve. O ponto de vista correto que é aquele que produz resultados positivos e duradouros, sem efeitos colaterais e para o bem de todos.

Adriana Tanese Nogueira
Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

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