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O QUE É SER UMA CRIANÇA SAUDÁVEL?

Para responder a esta pergunta, observemos as crianças. Elas nascem e sabemos que estão bem porque além de respirar, se mexem. Uma criança saudável se mexe. Ela também chora, o que é naquele momento de sua vida – o nascimento e a primeiríssima infância – a expressão de suas necessidades. Uma criança saudável, portanto, se expressa – se expressa com os meios que tem à disposição: choro, sons, riso, balbuciar, falar. Uma criança saudável não fica parada e também não se retira num canto mas ao contrário se manifesta porque ela quer existir, quer viver, experimentar, sentir

Uma criança saudável é expansiva. Sua necessidade de expansão é um corolário do estar viva. A vida é expansão e quem nasce precisa experimentar o mundo, explorá-lo, conhecê-lo... se quiser viver nele. Uma criança saudável é, portanto, uma criança curiosa e interessada. Ela segue uma necessidade interior de conhecer, inata em todas as espécies, mamíferas e não, e indispensável para a sobrevivência. Toda criança saudável quer conhecer o mundo e o faz da sua maneira, privilegia determinados aspectos em detrimento de outros porque uma criança tem sua personalidade única.

Uma criança saudável é espontânea. Ela segue os movimentos interiores de sua alma e de seu corpo, não é afetada e não calcula o que faz para obter determinado efeito sobre o adulto, ao contrário é simples e direta. É sincera. E alegre. A espontaneidade é sempre um componente essencial do estado de alegria. Espontaneidade é um estado em sintonia com as necessidades vitais de uma pessoa. É o contrário de forçar a barra e de se obrigar a seguir um ritmo que não nos respeita e nos machuca.

Infelizmente, poucas crianças podem hoje crescer de uma maneira saudável. Assim como os adultos, elas são assoberbadas de compromissos e de informação, estímulos demais que não têm tempo físico nem espaço emocional para elaborar, digerir e integrar. São obrigadas a fazer escolhas que transcendem sua capacidade de discernimento, não recebem liderança dos pais e acreditam ter mais poder daquele que sabem e podem administrar. Uma criança saudável deveria poder explorar o pedaço de mundo que o adulto responsável lhe reserva, não demais não de menos. Deveria poder sentir-se segura para se concentrar em seu mundo – um mundo diferente do dos adultos. Como se diz, crianças são feita de sonhos, não vamos-lhes tirar essa realidade cedo demais.

Uma criança saudável brinca. Inventa brincadeiras, usa sua imaginação – que é abundante! Tem espaço e condições na casa para brincar e é respeitada nesse seu momento, sem a interferência e o julgamento de adultos. E ela respeita o espaço e o tempo dos adultos, porque ela tem os seus. Uma criança respeitada, respeita.

Uma criança saudável brinca ao ar livre e gosta! Se ela não estiver gostando é porque já se viciou em estar em ambientes fechados com um eletrônico nas mãos e o corpo inerte. Como qualquer bichinho, uma criança saudável gosta de natureza, sol, grama, árvores, estrelas, lua e água.

Nossa sociedade racional, logocêntrica, cerebro-cêntrica, rápida, controlada e estafada esqueceu-se de nossa dimensão instintual, espontânea, solta, livre, alegre. Nosso corpo está preso em comportamentos pré-estabelecidos, cadeiras e carteiras, espaços constritivos. Nosso corpo não respira, literamente os poros do corpo sufocam em ambientes poluídos. Nossas emoções se amontoam no peito e nos impedem a leveza do ser. Para poder sobreviver nesse mundo e torná-lo um lugar melhor, uma criança precisa ser preservada dele durante pelo menos seus primeiros sete anos de vida. Estará então vitaminada, por assim dizer, forte emocionalmente, rica interiormente, centrada e criativa. Aí sim, que o mundo se prepare. Lá chega um mutante feliz.

Adriana Tanese Nogueira

Terapeuta Transpessoal, Psicanalista, Life Coach, Educadora Perinatal, Parenting Consultant, Mentor, Terapeuta Floral, Autora. Atendimento adulto, criança, casal e adolescente, individual e de grupo – Presencial, Skype, por telefone, Facebook. Boca Raton, FL +15613055321.  www.adrianatanesenogueira.org.

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