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O QUE É INTELIGÊNCIA

A partir de sua raíz latim, entendemos que inteligência significa "ler entre as linhas". O verbo “intelligere” (de onde vem "inteligência) é formado por “inter” (tra) e “legere” (ler, captar, “sacar” e também “ligar”). Então, inteligência é a capacidade de ler por entre as linhas e de interligar idéias não explicitamente relacionadas. A pessoa inteligente colhe os pensamentos, é capaz de raciocínios abstratos, sabe planejar e criar estratégias.

Por este motivo, inteligência não equivale a saber muitas coisas. Para isso basta ter uma boa memória. Ter ido à faculdade não é sinônimo de ter inteligência. O conhecimento adquirido pode aguçar a inteligência, fazê-la trabalhar e desenvolver mas não é suficiente. Ingurgitar texto não torna ninguém inteligente. Com inteligência se nasce e é possível desenvolver o que mãe natureza nos deu. É preciso de exercício.

Nascemos todos com um corpo belo e saudável, pronto para o uso. Se, ao invés de exercitá-lo, o deixarmos mofando na frente de uma TV ou jogando joguinhos, aquela agradável forma inicial irá se deformando, e logo temos crianças obesas e preguiçosas. Com a inteligência acontece o mesmo. O potencial está lá, bonito e lustro, precisa ser exercitado e treinado para obtermos aquela maravilhosa coisa que se chama inteligência. As piroetas e acrobacias que vemos uma habilidosa ginasta executar são fruto de anos de treinamento feito com dedicação e seriedade. O mesmo vale para a inteligência.

O exercício para fortalecer a inteligência é o estudo crítico e o pensamento reflexivo. O estudo crítico é aquela forma de estudar que não se limita a engolir informações mas que as religa, elabora, aprofunda e pergunta. Pensamento reflexivo é a capacidade de re-considerar o já pensado, isto é de questionar o que pensamos por hábito, as crenças, as tradições, as repetições que afogam o espírito. Significa entreter-se com as ideias sem assumi-las ou aceitá-las de imediato. O pensamento reflexivo é dialético, está animado pela vontade de enteder “de verdade”, de penetrar sempre mais fundo mas coisas e dar um sentido ao todo (a vida, um episódio, um drama familiar, um desafio profissional, um projeto social, uma vontade inexplicável).

A inteligência necessita de leituras variadas. Assim como é preciso variar o cardápio alimentar, o intelecto também precisa de diversidade para se desenvolver. A inteligência tem espírito investigador, curiosidade, interesse. Faz perguntas. Gosta de saber das coisas e é honesta, não dobra os pensamentos aos seus interesses. A inteligência percebe o preconceito e o desconstrói. Cada novo texto ou nova situação de vida coloca a pessoa inteligente à frente de onde estava antes.

Conforme as análises feitas por Jung em “Tipos Psicológicos”, a função Pensamento (da qual deriva a inteligência da qual estamos falando) pode estar em sua forma desenvolvida ou primitiva, dependendo da personalidade da pessoa e do treino que ela tem. Para reconhecer em que estágio ela está, basta observar seus frutos. Se seus raciocínios terminam sempre no mesmo ponto, se vira e mexe o que a pessoa ler ou supostamente aprende “confirma” o que ela já “sabia” seu pensamento é subdesenvolvido. É como uma pessoa que em qualquer coisa coma encontre sempre o antigo e familiar sabor do arroz com feijão.

A inteligência é creativa, de tudo sabe extrair novo conhecimento. Assim como da análise das fezes se produz informações importantes sobre o paciente, a inteligência verdadeira não olha nada com desdém. Pensamento que se preze é um dialogo infinito seja com o real fora de nós que com aquele dentro de nós.


Adriana Tanese Nogueira
Life Coach, Psicanalista, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto Ser&Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org


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