28/08/2017

COMO ACABAR COM A AUTOESTIMA DE UMA MULHER

Teu marido quer visitar um amigo dele e te pergunta, “Amor, vamos para tal lugar?” Você acha que vão viajar juntos. Você trabalha muito, precisa de distração e adora viajar... Apoia a ideia.
O amigo dele conversa com um terceiro amigo que se junta ao grupinho e logo a viagem se transforma no que de fato é: uma reunião entre amigos.
Ele e os amigos dele.
Eles não têm nada a ver com você.
Sabendo o quanto ele ama seus amigos, você se pergunta se a viagem vai ser boa para você.
Ele, irritado, retruca que você é egoísta, que você não sabe dar, sempre que algo em troca...
“Mas, para o quê eu vou ‘servir’ lá?” Você pergunta, ele responde que sendo a mulher dele, ele quer que você vá junto... E você já tinha dito sim (antes de saber do que se tratava de verdade).
Você resolve ir.
Vai pagar para ver.
Quer sair um pouco. E vai ficar na sua. Ver o que acontece.
O amigo hospedeiro abre sua casa para vocês. Quer lhes dar tudo do bom e do melhor – o “bom e melhor”do ponto de vista dele.
Ele já decidiu o que vão fazer.
Lidera o grupinho dos três amigos. São ex-colegas de trabalho. Têm contos e histórias para compartilhar. Sarros e piadas, risadas e companhia. Aconchegam-se um no outro.
Falam de carro, de dinheiro, de trabalho, de terceiros. O vozeirão do dono da casa manda e desmanda. O churrasco já está programado. Muita carne e muita cerveja. O objetivo é ficar bêbados. Ficar juntos e ficar bêbados.
Nada de errado com isso, fora a irresponsabilidade de homens adultos, barrigudos, gordos, que não sabem cuidar da própria saúde. Mas cada um tem o direito de fazer o que quer – inclusive de se suicidar lentamente na base de comidas e bebidas erradas.
Mas e ela? E elas? As esposas?
Você está lá porque é esposa. Não interessa o que faz, quem é, o que pensa, o que sente, o que deseja. Você faz presença. É esposa. Marca o ponto. É esperado de você que se junte à outra esposa, porque mulheres falam “de coisas de mulheres”, são “as meninas” que são postas para sentar junto na mesa, como se faz com as crianças. Das esposas é esperado acompanhar, ser dóceis e sorrir. Fazer o trabalho de cozinha, se levantar para pegar os pratos e para retirar os pratos. Cuidam das crianças – se houver, e participam da festa deles soltando uma frase aqui e outra acolá, frases que devem se adicionar ao que eles estão tratando. Para conseguir serem ouvidas elas precisam falar no mesmo tom deles (o brado retumbante do dono do pedaço) e falar do assunto deles, e com o intuito de confirmar qualquer coisa esteja sendo dita. A fala delas é só mais um estímulo para eles continuarem a deles.
Eles dão o tom da conversa.
Eles dão os tópicos.
Eles são os protagonistas da história.
Eles ocupam todo o espaço com seu vozeirão, com suas piadas toscas, com seu total desinteresse para qualquer outra coisa que não seja seu mundo.
Seu mundo é uma mentalidade que tem o macho como centro e os valores supostamente masculinos como válidos. Homens com diferentes valores são “bichas”.
Se confirmam reciprocamente.
Mulheres são decoração e serviço. Que deixem seus cérebros de repouso.
Mulheres não podem contradizer esses homens, porque então são “chatas”, “arrogantes”, “egoístas” ou “loucas”.
Mulheres ouvem caladas as besteiras de meninos velhos e imaturos.
Mulheres conversam na cozinha e revelam o outro lado da moeda dos contos do vigário que seus homens arrotam lá fora.
Mulheres: cérebros desperdiçados.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, inteprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org

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