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ESSE AVIÃO NÃO VAI CAIR OU: SAIR DA ZONA DE CONFORTO

Você tem um trabalho sem graça, paga bem, mas não é o que você quer para sua vida, não tem nada a ver com você. Você não se identifica com aquilo que faz, nem com seu estilo de vida. Você devotou seus melhores anos para a família, afinal alguém tinha que segurar as pontas e uma mãe precisa de seu filho tanto quanto este precisa dela. Maternidade é vínculo de duas mãos, poderoso. Você trabalhou mesmo quando seu filho era pequeno demais para estar longe de você, isso lhe deixou profundas marcas. Você passou por depressão, é natural. Pós-parto é hormônios também, a fêmea em você queria exercer seu papel, você não a ouviu e ela emudeceu mas infeccionou. Seu marido é bacana, mas não enxerga o tamanho de seu sacrifício – mas será que você o enxerga?
Você acorda um dia e se dá conta de que a realidade mudou à sua volta e de forma irreparável. Não está ruim, mas não está bom. Você é do tipo de pessoa que precisa ter um motivo para deixar uma situação em busca de outra, não lhe basta simplesmente abraçar e assumir a sua verdade interior, que grita que aquilo não serve para você. Você precisa de razões externas porque não dá valor suficiente à sua voz interior, à necessidade íntima, intrínseca de seu ser que precisa evoluir.
Evoluir é florescer. É um risco, ninguém sabe a priori em que flor se tornará. Evoluir é entregar-se ao chamado interior. Nascemos para aprender, para crescer, nos desenvolver. Ficar na mesma situação por mais tempo do que necessário (para sua evolução) é o mesmo que ficar presos numa jaula. A depressão se faz inevitável e mesmo que você a cubra com mil e uma atividades (mesmo culturais), ela está lá. O agito serve justamente para se distrair do mal-estar que de dentro clama para ser ouvido.
Ouvir dói, mas ouvir liberta. É uma dor que, como a do parto, começa e termina, é saudável, não patológica. É a dor que prenuncia um novo nascimento: o seu. Entrega-se e acredite que este avião não vai cair. E não irá cair pelo simples fato de que é levado por um vento que vem das entranhas do universo, do âmago do ser que está há milhões de anos em seu gigantesco processo de desenvolvimento, que é um desabrochar e um conhecer-se a si mesmo. Você é parte dele. O ser só se conhece e evolui se você lhe der essa chance ao aceitar e abraçar e arcar com sua própria evolução.
Não se trata de ser uma “pessoa melhor”, se trata de ser uma “pessoa maior”. Maior em consciência, visão, coragem, perspectiva e conhecimento. Maior.
Passo-a-passo para o salto:
- Quando disser “sim” para qualquer um que seja, pergunte-se se é isso mesmo que quer dizer;
- Quando tiver vontade de dizer não, observe a tensão que emerge, a ansiedade, o sentimento de culpa. Aguente, não faça nada só observe;
- Quando conseguir dar seu não, observe as consequências dentro de você e continue, porém, fazendo o que queria fazer;
- Repita esse movimento até se tornar mais “normal” e você se tornar mais forte conseguindo sustentar a tensão;
- Dê seu voto de confiança ao que deseja fazer que vem lá do profundo de si: qual é o primeiro passo concreto?
- Seja honesto consigo próprio: cuidado com a auto-sabotagem. O lobo perde o pêlo mas não o vício, o que significa que sair da antiga zona de conforto é um processo que será testado muitas vezes.
- Respire fundo e continue adiante.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, inteprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org

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