18/09/2017

TERAPIA DE CASAL: QUANDO FUNCIONA?

Quanto mais íntimo mais difícil um relacionamento será.
O mais íntimo de todos é com filhos, mas existe aí uma “vantagem”. Por um lado, os filhos são subordinados aos pais, portanto, a relação não é entre pares; por outro, os filhos crescem e um dia vão fazer sua vida. Não quero dizer que seja fácil, mas muitas vezes, por sermos os criadores da criatura conseguimos desenvolver ou reestabelecer mais facilmente algum tipo de equilíbrio.
Difícil mesmo é relação entre homem e mulher, e isso por vários motivos.
Em primeiro lugar, há fatores sociais e culturais: relações de gênero têm sido reguladas historicamente por papeis fixos. Assim, Ana tem que fazer isso e aquilo porque é a mulher; Miguel faz aquilo e isso porque é o homem. Esses papeis podem ser mais ou menos flexíveis dependendo da cultura/país/grupo social de origem e oscilam entre sufocantes/cruéis a suportáveis/negociáveis. Se Ana da cultura X casa com Miguel da cultura X, só por isso atritos e incompreensões serão inevitáveis.
Em segundo lugar, temos diferenças de personalidade e estilo de vida. Dependendo de como se entendem os papeis de gênero, elas serão mais ou menos aceitas ou criarão mais ou menos atritos.
Em terceiro lugar, cada um tem seus problemas, traumas, medos, inseguranças, falhas, ignorâncias, dúvidas... como também desejos, sonhos, necessidades, ambições, talentos. O emaranhado de Ana – sobretudo quando Ana não sabe como mexer nele – pode se chocar com o emaranhado de Miguel – sobretudo quando Miguel mal sabe como funciona o emaranhado dele. É como ter dois “computadores” com vírus, o computador Ana e o computador Miguel: ambos são donos-e-computadores, não sabem que têm vírus e não têm a menor ideia do que fazer diante do problema.

Como resolver?
Entendendo que “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênuse que, além disso, cada um é um pequeno universo com seu próprio dialético e hábitos, tanto em Marte como em Vênus.
Nesse caso, como se faz a aproximação? Aprendendo a linguagem do outro.
Comunicação é a chave.
Mas infelizmente não é tão simples porque para ela funcionar é preciso partir do pressuposto da diversidade, antes de partir para as acusações.  Se temos histórias de vida diferente, não é natural termos compreensões dos fenômenos diferentes? Hábitos, preferências, necessidades...? Ainda mais numa época como a nossa! Antigamente, Miguel casava com sua vizinha Ana, com quem cresceu, hoje Miguel pode casar com Ana que vem do outro lado da cidade, ou do país, ou do mundo, que estudou em outros lugares, tem outro tipo de família, vivências, visão de mundo...
Terapia de casal é para aprender a se comunicar, a olhar o outro de um ponto de vista mais “holístico” por assim dizer. Ampliar nosso vocabulário, pois, muitas vezes, achamos que nos entendemos sem perceber que, assim como na cultura, uma mesma palavra/gesto/atitude pode ter significados diferentes.
Imaginemos então que Miguel e Ana entenderam isso tudo e decidiram fazer terapia de casal. É preciso agora encontrar um terapeuta – e esse é outro desafio!
Um terapeuta de casal deve ser capaz de compreender os dois pontos de vista. Deve ser alguém que, por assim dizer, conhece tanto Martes como Vênus, e não porque leu livros, mas porque é capaz de compreender “de dentro” a problemática masculina e feminina. Deve ser alguém que saiba enxergar que “comunicação” é uma palavrinha simples que, porém, têm muitas camadas. Não vamos nos iludir.
Um bom terapeuta de casal não promete fórmulas e soluções – sempre haverá desafios em uma relação. Ele é “apenas” o facilitador de um encontro que há de ser genuíno, nascendo de Miguel e Ana como necessidade interior deles de se superar e unir.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, inteprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321 www.adrianatanesenogueira.org

Um comentário:

  1. O que tem por trás da relação Sadomasoquista, porque será que as pessoas se prestam aqueles papéis?Isso é natural, é aceitável?

    ResponderExcluir