13/11/2017

A CRISE DOS HOMENS E SUA EVOLUÇÃO

O patriarcado está desmoronando. Os sinais da perda de força são visíveis nas reações dos homens diante de suas mulheres que, ao contrário, estão se fortalecendo. Eles as temem, e muitas vezes as sabotam e as invejam.
Apesar das dificuldades, as mulheres avançam. Entre lágrimas e desilusões, noites mal dormidas e preocupação com os filhos, com o dinheiro, com a carreira, elas avançam. Custa-lhes caro. Só elas sabem o quanto.
O modo automático do homem patriarcal funcionar é o de estar focado em si e nas próprias necessidades, não no outro, não nela. As crianças, também, não são assunto direto dele, nem as questões sentimentais, tanto da mulher como dos filhos.
Um homem patriarcal é “o dono do pedaço”. Sua mentalidade dita a política da casa – as orientações para a família. Não importa se seu modo de pensar é avançado ou retrógrado. O fato de ser dele o torna legítimo. Diante do que ele falar, mulher e filhos têm cautela em suas reações, mesmo que as considerem bobagens. Mas “ele” falou. Pode estar numa relação por décadas e mesmo assim estar basicamente focado nele e nunca de fato saber o que sua mulher realmente pensa, precisa, deseja. O patriarca exige ser servido: roupa lavada, comida e sexo. E quer submissão, porque “sabe mais e melhor”.
As opiniões que esse tipo de homem respeita vêm do mundo masculino e/ou da cultura estabelecida. Ele é fiel ao sistema. Rejeita por princípio tudo o que for alternativo e diferente, e certamente tudo que vier de uma mulher – a menos que ela espelhe a cultura dominante. Esse homem tende, portanto, a ser convencional e passivo diante do status quo.
Na verdade, ele teme mudanças. Defende-se da revolução cultural e social que as mulheres trouxeram nos últimos 60 anos. Por isso, as sabota impedindo-lhes de crescer e se desenvolver, criando percalços, desgastando-as e tirando-lhes energia e tempo. Ele teme descobrir que por trás da cascona grossa do macho há um menino assustado e perdido, que não sabe o que fazer.
Ser homem, porém, é muito mais e muito melhor do que ser esse tipo de macho patriarcal, com seus absurdos e feridas. Assim como ser mulher é muito mais do que ser Amélia que passa sua vida entre cama, cozinha e roupa lavada. A transição de identidade é um processo lento e difícil, mas profundamente necessário que muitos homens já estão reconhecendo.
São necessárias duas condições para desencadear esse processo: integrar a própria subjetividade, trabalhar o coração, aprender a linguagem das emoções, olhar-se dentro, desenvolver intuição e percepção de si. Encontrar a dor, os traumas, o sentimento de abandono e transforma-los. Encontrar o menino assustado e cura-lo, podendo assim conhecer o homem maduro, cheio de novas potencialidades. Superar o orgulho do macho que impede de enxergar a própria vulnerabilidade. O guerreiro não é quem não tem medo ou não sente dor, é quem é mais forte da própria fragilidade.
A segunda condição é que as mulheres parem de ser meninas desamparadas e assumam não só o comando de sua vida como a responsabilidade da liderança nesse momento histórico. Não estamos diante de um problema pessoal de João e Maria, mas de uma transição histórica de homens e mulheres desse planeta. Portanto, ao continuarem evoluindo, as mulheres superam também esse lugar de vítima ou de quem aguenta tudo (dois lados da mesma moeda).
Por sua vez, os homens precisam aprender a aprender. Com humildade, e sem humilhação. E a única pessoa que pode ajuda-los nisso são suas mulheres: desmontando o trono que elas construíram para ele. Sem drama, com clareza, amor e determinação. Pois ninguém desce de um pedestal por sua espontânea vontade.


Adriana Tanese Nogueira
Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321



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