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AS 50 TONALIDADES DO AMOR

Amar, todos querem, todos buscam nem sempre acham. Quantas vezes já aconteceu de alguém te amar e você não se sentir amada? O que é amar? E quando é que a gente ama de verdade?
Vamos pensar a coisa por outro viés. Imagine que você tem um cachorro que ama muito. É fofo, é companheiro, é amigo e paciente contigo. Imagine ainda que você goste muito de beber leite. E por gostar tanto, dá leite para o seu cachorro... Todo dia, uma tigela de leite, que ele não bebe. Você estranha e o chama de ingrato porque está desperdiçando o leite que custa, desprezando seu carinho e sua generosidade.... Mas será mesmo?
O exemplo acima é extremo porque quer fazer entender. Amar não é dar ao outro o que a gente considera bom, mas dar o que o outro precisa. Isso pode nos levar muitas vezes a dar um passo para além do nosso mundinho, pode nos exigir questionar as lentes pelas quais olhamos o mundo e repensar nossos valores e prioridades.
Amar é saber olhar para o outro além dos nossos desejos e das nossas idiossincrasias – como também das nossas neuroses. Isso vale para namorados, pais, amigos. Só amamos quando incluímos a diversidade do outro em nosso olhar cheio de amor e aprendemos a nos relacionar com essa diversidade, ou melhor, a integrá-la em nosso ser.
Integrar o outro em nós não quer dizer nos tornarmos como ele, não quer dizer copiá-lo e fazer desaparecer nossa individualidade no outro. Quer dizer exatamente o que escrevi: integrar. Acrescentar para evoluir junto ao outro.
É então que vemos quando o amor é amor: quando faz crescer. Amor que mutila, reprime, cala não pode ser amor. Amor que impede o caminho, que estanca, que abate não pode ser amor.
Mas como não existe nenhuma realidade branca ou preta, encontramos o mais das vezes as duas dimensões na mesma relação, o amor que busca no outro o que permite aquele “equilíbrio” que mais parece uma paralise e o amor que leva para adiante, que se realiza no equilíbrio dinâmico. Nasce o conflito, interno em cada um dos amantes em primeiro lugar, antes de ser de um com o outro. O amor lutando entre acomodar-se – que acaba por significa estancar – e o amor que quer avançar.
Para avançar é preciso questionar antigos hábitos e padrões. Daí o amor passa a significar sair da zona de conforto. Outro conflito: você tem estrutura para ousar, para se estressar com mudanças rumo ao desconhecido? Porque mudar gera estresse. (Mas também ficar paralisado gera estresse). Pode não ter, mas aí o amor vai doer porque sem esse passo corajoso não tem como o amor ir adiante. E esse é um conflito teu, não do outro. É você que precisa decidir quem você é, quem quer ser e para onde você está indo.
Vemos, portanto, que o amor quando é amor mesmo se apresenta como uma força que traz novos ventos, que despenteia nossa cabelereira bonitinha e certinha, que bagunça as cartas na mesa. Quando vem, o amor exige mudanças. O amor é atirado e atrevido. Seduz para que nos tornemos mais libertos e melhores.
Pergunte-se agora, onde esse amor está presente em sua vida hoje? Olhe bem em todas as direções. Onde está aquela coisa que te desafia para encontrar novas respostas e ao mesmo tempo te dá aquele sentimento de paz? Onde está aquele amor que cria angústia e promete alegria e realização?
Se estiver por aí, não o deixe escapar. Abra os braços e a cabeça: o espírito divino que beijou sua testa e te deseja Feliz Natal.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

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