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TRAUMAS - COMO FUNCIONAM

Os efeitos dos traumas não superados podem ser devastadores. Podem afetar nossos hábitos e forma de ver a vida, levando à adição e incapacidade de tomar boas decisões. Podem prejudicar nossa vida familiar e relações interpessoais. Podem se manifestar em dores físicas reais, sintomas e doenças. E como levar a uma série de comportamentos auto-destrutivos.
Peter A. Levine

Como funcionam os traumas? De acordo com Peter A. Levine, autor de Waking the Tiger. Healing Trauma, traduzido para o português como O Despertar do Tigre. Curando o Trauma, traumas podem e devem ser curados caso contrário irão afetar toda a vida do indivíduo, mesmo que as consequências apareçam anos depois dos fatos que ocasionaram o trauma.
Levine analisa os traumas e seus efeitos do ponto de vista bio-fisiológico, antes mesmo que psicológico. Vou dar uma versão simplificada da tese desse autor, só para apresentar algumas ideias importantes para a nossa reflexão.
Sendo animais, apesar de racionais (nem sempre!) reagimos diante do perigo da mesma forma que os outros animais. Um evento se torna traumático quando não podemos ter, diante dele, as duas reações naturais que um ser vivente tem diante do perigo: lutar ou fugir. 
Quando uma gazela é capturada por uma leoa (observem os documentários), ela, após uma luta inicial onde se debate na tentativa de fugir, se enrijece, e, então, é arrastada para um lugar onde será comida, assim, dura e rígida. Lá, se por ventura, a leoa se distrair, a gazela imediatamente se levanta, se sacode e foge. E continuará sua vida sem traumas.
O enrijecimento da gazela corresponde à energia vital que “congelou” na hora da constatação que fugir e lutar não eram opções viáveis. Ela paralisou. Essa paralise é bio-fisiológica, um mecanismo natural para: 1) guardar as energias caso seja possível fugir; 2) não sentir mais nada caso não seja possível fugir e a morte se faz inevitável. O sacudir-se, que como uma tremedeira que percorrer o corpo da gazela, corresponde à liberação da energia congelada que volta a fluir livremente e assim o animal pode voltar à vida normal.
Nós humanos nos encontramos diante de muitas situações nas quais não podemos nem lutar nem fugir. Quando nos sentimos ameaçados de forma assustadora, nós também, como a gazela capturada pela leoa, congelamos a nossa energia: paralisamos. O perigo passa (a leoa some do cenário) mas a paralise fica. Ficando, paramos de sentir certas coisas, de viver, de pensar, de nos movimentar. Com o tempo a vida possível, os movimentos viáveis (tanto físicos como emocionais e mentais) ficam sempre mais reduzidos. Podemos em teoria comprar um bilhete de avião e nos mudarmos para a Nova Zelândia, mas na prática não conseguimos. Podemos fazer novas amizades ou começar um novo curso interessante, enxergamos até possibilidades de desenvolvimento e de alegria, mas na prática não conseguimos. Na prática, não vamos muito longe de onde estamos, tanto do ponto de vista físico como emocional e mental. Estamos traumatizados.
Os traumas, como justamente escreveu Levine, podem se apresentar anos depois dos eventos traumatizantes. E, na minha experiência clínica, acrescento que os traumas podem se apresentar vidas depois dos eventos traumáticos. Uma coisa é certa: não podemos fugir da raia. Todo problema precisa ser superado, até lá não vai nos deixar em paz.[1]

Adriana Tanese Nogueira


Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321



[1]Texto extraído do meu livro “O Vírus do Alcoolismo. Quando o amor encontra a sua sombra”.

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