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AS DUAS CARAS DO ORGULHO

Engula seu orgulho de vez em quando – não engorda.
(Anônimo)
O orgulho é um sentimento interessante: se relaciona tanto àquela satisfação digna e estável pelos nossos sucessos quanto à obstinada e impenetrável barreira que colocamos entre nós e os outros, que nos torna insensíveis e até mesmo cruéis com as pessoas que amamos.
O sentimento de valor pessoal é indispensável para o equilíbrio psicológico, mas o amor próprio é uma realidade complexa que, para que funcione bem, deve estar alicerçada na honestidade interior e na capacidade de não se identificar com o orgulho. Isso significa saber assumir a responsabilidade sobre os resultados de nossas ações, pensamentos e sentimentos, tanto os positivos como os negativos. 
Para que o orgulho espelhe o amor próprio e não o egoísmo altivo, é preciso que a pessoa possua um nível adequado de autoestima, porque somente assim ela poderá se questionar e aceitar os próprios erros sem despencar na autoestima. Aqueles que são orgulhosos demais tendem a oscilar entre se sentirem os donos do mundo e piores seres do planeta, dependendo se focarem numa qualidade ou “defeito” de si. É facilmente observável que mais a pessoa é orgulhosa mais se defende de qualquer crítica porque ela cairia imediatamente no sentimento de vergonha e rejeição de si mesma.
Calma, gente! Excessivo orgulho, como estamos vendo, é o resultado de uma baixa autoestima nunca tratada e mascarada, o que impede o desenvolvimento daquele amor próprio equilibrado e saudável que permite o desenvolvimento da personalidade como um todo, e não em uma parte de si somente. 
Assim como acontece com o narcisista, a tendência do orgulhoso identificado com o próprio orgulho é o egoísmo, pois ele está ‘tomado” por si, ele “se acha” e não tem tempo, espaço, energia para dedicar a outros. Ele sequer enxerga de verdade os outros. Mesmo quando ama, o orgulhoso ama dentro dos limites que seu orgulho lhe permite, o que geralmente deixa as pessoas em volta insatisfeitas.
Ao focar excessivamente o lado de luz de sua personalidade, o orgulhoso desenvolve aquela insegurança inevitável que surge sempre que evitamos olhar para as áreas mais difícil e dolorosas da nossa vida. Se, afinal de contas, estamos aqui para evoluir, mesmo quando conquistamos bons resultados numa determinada área de nossa vida, certamente temos a melhorar em outras. Há sempre algum desafio que nos tira da estagnação de uma vida totalmente “resolvida”. 
A insegurança de si nasce dessa sensação obscura que nem tudo o que há em nós é luz e realização. Há dor também, e sentimentos de inadequação e rejeição que precisam ser digeridos e trabalhados. Uma vez integradas estas áreas mais sombrias de nosso ser – que nesse processo vão ganhando compreensão, luz e redenção – a personalidade como um todo se torna mais forte e estável. O crescimento é o resultado dessa capacidade de distanciamento de si, sem perder o chão. Assim, nasce aquele orgulho de si suave e gostoso resultado do sentir-se à vontade na própria pele. Orgulho bom não nos leva a nos colocar acima dos outros ou nos fechar aos outros, é somente o efeito colateral da uma boa autoestima que têm obtido resultados palpáveis que melhoraram a nossa qualidade de vida, tanto financeira como sobretudo do ponto de vista relacional e emocional.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

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