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MULHERES INVISÍVEIS EM FAMÍLIA

Mulheres invisíveis trabalham com afinco dentro e fora de casa, e sustentam a Família. Se não a sustentarem economicamente certamente o fazem do ponto de vista emocional, pois não basta trazer o dinheiro para a casa, é preciso de coesão e vínculo para que haja Casa de verdade, ou seja Lar, Família, Relação. 
As mulheres são as que formam os laços familiares, nutrem os afetos, constroem, costuram, curam e nutrem as relações. São ouvintes e compreensivas. Dão o primeiro passo, entendendo logo do que se trata. Colocam-se em segundo lugar porque caso contrário nada funcionaria, porque se não fizessem o sacrifício não haveria jantar ou roupa lavada, ou as crianças estariam ainda mais difíceis do que já estão e suas tarefas de casa não estariam feitas. Dão uma colher de chá ao marido porque assim o relacionamento flui melhor, relevam para ter menos dor de cabeça e manter vivas (para si mesmas) a esperança de chegar um dia onde elas sonham.
O que elas sonham?
Sonham com companheirismo, partilha, romance, entendimento, integração, reconhecimento, admiração, respeito... Sonham com Amor.
Amor que se faz visível quando alguém – leia-se: seus maridos – percebem o que elas estão sentindo, começando com a coisa mais simples: cansaço após um longo e difícil dia de trabalho. Amor que se mostra no gesto carinhoso, no olhar compreensivo, na flor dada de surpresa. 
Um olhar. Ser vista.
Ser vista é ser reconhecida como um indivíduo e não pelo que ela faz, pelo uso que ela tem.
Em geral, são as mulheres que, após vinte e tantos (ou menos) anos de casadas, se separam. Se forem os homens a tomarem a iniciativa, geralmente, é porque eles encontraram outra. Quando as mulheres se separam é porque se cansaram.
Cansaram-se de serem invisíveis.
Cansarem-se de não serem reconhecidas, ouvidas, olhadas.
Seus sentimentos invisíveis. Suas necessidades invisíveis. Sua angústia invisível.
Enquanto trabalham incansavelmente para manter a coesão familiar, sacrificam um pedaço importante de si que, com o tempo, clama por seus direitos.
O direito a receber, e não só a dar. A alegria de ser reconhecida, valorizada, suportada, apoiada, impulsionada, acolhida. Sonham com um tipo de amor que faz com que o outro perceba quando elas precisam de um abraço – só de um abraço, sem palavras e sem soluções prontas. 
Quando amar é uma tarefa eminentemente feminina o fracasso é garantido. Criar um lar, uma família ou uma relação nesta base é como tentar construir um castelo em areia movediça. Missão impossível.
Amar é uma função humana que deveria ser de competência de todos que desejam ser amados. Amamos o outro quando sabemos olhar para ele e enxergamos nele mais do que o que ele nos dá. Continuamos a amar quando continuamos a nos manter abertos ao outro no lugar de querer que ele caiba na nossa caixinha.
Subestima-se a importância da felicidade feminina para o bem-estar da família como um todo e sobretudo dos filhos, de seu equilíbrio psicossocial e sucesso na vida.
A felicidade feminina começa com um bom relacionamento com o companheiro. O casal é o cerne da família e o termómetro para medir o nível de equilíbrio e bem-estar dos filhos. Não nos enganemos com as aparências. Os filhos sabem como suas mães estão de verdade e, que eles as desrespeitem ou as compadeçam, um dia pagarão o pacto, pois a marca de uma mãe na alma de um filho é a mais poderosa que existe. 
Logo, mulheres, seu sacrifício (pelos filhos e pela família) não vale a pena se vocês não estão felizes. Sua felicidade é tão importante quanto o amoroso cuidado que dedicam aos seus filhos.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

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