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O MACHISMO PROVOCA DEPRESSÃO NOS HOMENS

O machismo não faz mal somente às mulheres, mas aos homens também. Já em 1991, os psicólogos junguianos Roger Moore e Douglas Gillette apresentam em seu livro “Rei Guerreiro Mago Amante” a tese segundo a qual o patriarcado fazia mal aos homens e era expressão de um masculino imaturo e distorcido. O modo do homem macho tradicional que conhecemos seria uma versão inferior e problemática do verdadeiro homem, representante de uma masculinidade amadurecida, portanto positiva para todos. 
Seguiram-se anos de crescimento de uma nova consciência acerca da masculinidade, mais e mais homens se questionam a respeito dos papeis que herdaram das gerações anteriores e que ainda estão presentes na mídia e nas expectativas sociais. Esta nova percepção de que há algo errado com os estereótipos masculinos vingou numa pesquisa conduzida na Universidade de Indiana (EUA) por quatro pesquisadores (homens). O estudo se chama  Meta-Analyses of the Relationship Between Conformity to Masculine Norms and Mental Health-Related Outcomes” (Meta-análise das Relações entre a Conformidade às Normas Masculinas e as Consequências para a Saúde Mental). O estudo foi publicado no Journal of Counseling Psychology e pode ser lido no site da American Psychology Association (http://www.apa.org/pubs/journals/releases/cou-cou0000176.pdf).
A pesquisa envolveu 19,453 participantes e focou na relação entre saúde mental e conformidade a 11 normas consideradas como as que refletem as expectativas sociais com relação ao que é “ser homem”. Eis a seguir as 11 normas: 
1.    Desejo de vencer
2.    Necessidade de controle emocional
3.    Tomar riscos
4.    Violência
5.    Domínio
6.     Ppromiscuidade sexual (ser um playboy)
7.    Auto-confianca excessiva
8.    Trabalho em primeiro lugar
9.    Poder sobre as mulheres
10.  Desprezo da homossexualidade
11.  Busca de status
Foram focados, especificamente, três expressões da saúde mental: 1) saúde mental negativa (por ex., depressão); 2) saúde mental positiva (por ex., satisfação com a vida); 3) busca de ajuda psicológica (por ex., busca de terapia).
O estudo demonstrou que, no geral, os indivíduos que se identificam fortemente com os estereótipos sociais masculinos tendem a ter problemas de saúde mental e dificuldade em procurar ajuda psicológica, apesar que haver uma diferença com relação ao tipo de normas que os homens seguem.
A associação entre adesão aos estereótipos masculinos e a saúde mental negativa está presente sobretudo entre os homens que adotam os seguintes comportamentos/crenças: autoconfiança excessiva, promiscuidade sexual, e poder sobre as mulheres. Ou seja, os homens que mais se identificam com esses modelos masculinos, ou seja os mais machistas, tenderão a ter mais problemas psicológicos, como a depressão.
“Uma forte associação entre a conformidade a essas normas e problemas de saúde mental – disse Wong, um dos pesquisadores – nos leva a concluir que o machismo não é somente uma injustiça social, mas pode ter um efeito prejudicial sobre a saúde mental dos próprios homens que assumem essas atitudes.” E, ainda mais preocupante, disse Wong, é o fato que justamente esses homens são os que menos buscam ajuda psicológica. 
Segundo os psicólogos Gillette e Moore, o equilíbrio masculino que leva à maturidade e à saúde mental positiva se alcança quando o homem equilibra os quatro arquétipos que formam sua psique: o rei, o guerreiro, o mago e o amante. Um homem machista, conquistador e arrogante demonstra seu desequilíbrio e baixa autoestima, pois somente precisa se colocar por cima dos outros quem carrega em si o vazio interior de valores e amor.

Adriana Tanese Nogueira

Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

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