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QUAL POSTURA A TUA ROUPA TE INSPIRA?

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A roupa nova condiciona o nosso comportamento mais daquela velha que já se adaptou completamente aos nossos gestos, cede sem resistência a cada um deles e frequentemente revela as nossas inervações nas mínimas particularidades.
George Simmel

Indicamos com a palavra “postura” uma posição espacial do corpo ou de uma parte dele, uma maneira de manter o corpo, de compor os traços fisionômicos. A postura física sempre anda de braços dados com a postura mental, pois não tem organização física que não corresponda também a uma mental. A postura física reflete a forma como a gente se projeta no mundo, como nos vemos, nos sentimos e, portanto, responde às perguntas: Qual é o meu lugar? Qual minha condição e mentalidade?
A postura mental reflete a nossa identidade – consciente ou não.
Numa perspectiva de manifestar o que você é, a sua roupa seria a representação de sua atitude mental: como você se vê, quer ser visto e também como se sente a respeito de si mesmo.
Assistimos muitas vezes à discrepância entre o que vemos e o que percebemos de uma pessoa, como se a projeção que a pessoa fizesse de si no mundo não batesse com como ela se sente. Isso porque não adianta você se vestir de rainha se não for uma – esta é a moral da história. A percepção de si que irá projetar será teatral e não obterá o resultado buscado. 
Como diz a coach Paola Fantini: “A roupa que vestimos condiciona nossa postura, a postura condiciona nosso comportamento, os nossos comportamentos condicionam os nossos resultados.”
Se na postura corporal os músculos se portam numa determinada forma, na postura mental essa contração muscular corresponde aos valores e convicções que temos. E a gravidade que no plano físico nos mantém firmes no chão e dá suporte à postura corporal, no plano mental é tudo o que se opõe a nós e diante do qual nos posicionamos. Sua postura corporal está alinhada com sua postura mental? Você tem consciência da postura mental que a roupa que usa implica, sugere, incorpora?
A postura mental é recheada, entre outras coisas, por crenças a respeito de si mesmos, autoconfiança ou não, se sentir à altura ou não, acreditar que vai conseguir ou não. Há quem use uma roupa nova para contrabalancear o que falta dentro. Entretanto, todos sabemos o quanto uma roupa usada, “velha” nos faz sentir à vontade e somente à vontade somos a melhor manifestação de nós mesmos.
“Se sentir ‘mais confortáveis’ em uma roupa velha do que em uma nova significa que o vestido novo nos impões um seu estatuto formal: após ter usado o vestido durante um tempo, este estatuto gradualmente naquele de nossos próprios movimentos. Por isso a roupa nova confere a quem a usa uma uniformidade supra-individual na atitude.” (George Simmel) 
A roupa nova não se tornou ainda nós, por assim dizer. Ela, de alguma forma, constrange a liberdade interna. Mas se espelhar algo em nós que está pronto para se manifestar, a roupa nova cai como uma luva. É preciso em seguir manter a nova postura – que é tanto física quanto mental.
Concluindo:
-      Como a roupa nova condiciona seus movimentos?
-      Você presta mais ou menos atenção a si mesmo?
Cada situação da vida requer a abordagem correta para que obtenhamos o que desejamos. Abordagem implica também aparência. Há de haver harmonia entre a postura física (aparência) e a postura mental (interioridade) – o que requer ter consciênciade si. 


Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, interprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321

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